MARCELA JANSEN
O Acre vive um momento delicado com o aumento nos casos de dengue, Covid-19, fluxo migratório e, especialmente, enchentes. Nos últimos dias, rios e igarapés transbordaram, desalojando dezenas de famílias em dez cidades acreanas. O governo do Estado decretou na última terça-feira, 16, situação de emergência por causa das enchentes.
Na capital acreana o Rio Acre continua dando sinais de vazante. De acordo com a defesa civil, após medição as 6h de quinta-feira, o manancial apresentava 15,76 metros. O rio baixou quatro centímetros em comparação à medição no mesmo horário do dia anterior.
A elevação no nível das águas atingiu 19 bairros. No total, 536 pessoas deixaram suas casas por causa da cheia, segundo a Defesa Civil. Cerca de 59 famílias foram levadas para abrigos, escolas públicas ou o parque de exposições, e 115 famílias acolhidas em casas de parentes.
Apesar o recuo nas águas do Rio Acre, o coordenador da Defesa Civil, major Falcão disse que a previsão é que o rio volte a encher nos próximos dias. “O Riozinho do Rola está na tampa, com 16,42 centímetros, que é um nível mais alto do que o registrado em Rio Branco. Toda essa água virá para cá e a previsão é que o rio volte a encher no final de semana”, disse.
No interior
A situação no município de Sena Madureira também é delicada. O transbordamento do Rio Iaco, – que alcançou 17,10 metros -, já atingiu diversos bairros da cidade, entre eles: Centro, Vitória, Segundo Distrito, Cafezal, Cidade Nova, Bom Sucesso, Vila Militar, Praia do Amarilho, São Felipe e Pista.
Segundo a Defesa Civil Municipal, a estimativa é que mais de 100 famílias já tenham deixado suas casas.
Os desabrigados foram instalados no Ginásio Hermilton Gadelha Pessoa e na Escola Messias Rodrigues. A prefeitura da cidade monta mais abrigos para atender a demanda.
O município de Manoel Urbano está ameaçado com o Rio Purus. Na medição de quinta-feira, 18, o manancial apresentou 13,4 metros. Falta apenas dez centímetros para atingir a cota de transbordamento.
Em Feijó, cerca de 300 pessoas ficaram desabrigadas após o Rio Envira transbordar. Na medicação de quinta-feira, 18, o rio apresentou mais uma elevação, chegando a 13,73 metros.
O prefeito do município, Kiefer Cavalcante ressalta que Prefeitura, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil trabalham para atender a população. Ele frisou ainda que a expectativa é que já nesta sexta-feira, 19, o nível das águas comece a baixar.
“Estamos conseguindo água do Depasa para mandar para comunidades indígenas e colonos que foram atingidos e tomando medidas cabíveis para tirar as pessoas desse sufoco e momento tão difícil que estamos passando”, falou.
Rios em Tarauacá e Cruzeiro do Sul já passaram da cota de alerta
Em Tarauacá, de acordo com boletim da Defesa Civil, a estimativa é que cerca de 15 mil pessoas já tenham sido atingidas pela cheia do rio que leva o mesmo nome da cidade. A medição de quinta-feira, 18, apontou que o manancial chegou a Rio Tarauacá a 10,90m. A maior enchente registrada na cidade foi em 2014 quando o rio chegou aos 11,93 metros.
Em Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá já ultrapassou a cota de alerta, que é de 11,80 metros. No último final de semana o manancial chegou a marcar 13,21 metros e atingiu os bairros Varzea, Miritizal, Lagoa, Cruzeirinho, Ramal da Boca do Moa, Olivença, Comunidade Florianópolis, Estirão do Remanso e Comunidade Praia Grande.
A situação na região preocupa porque além do Juruá, outros rios também transbordaram e deixaram famílias desalojadas. O Rio Liberdade onde tem comunidade de mesmo nome, fica a cerca de 100 quilômetros da cidade de Cruzeiro do Sul e além dele, Rio Lagoinha que fica a 20 quilômetros da cidade também transbordou. A Defesa Civil informou que ainda faz levantamento da situação.
Mais de 100 famílias já estão em abrigos montados pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, improvisados em Ginásios esportivos e escolas públicas. Na triagem, todos são testados para COVID-19, os que acusar positivo, são separados em um único local, sendo acompanhados com equipe médica e recebendo toda medicação necessária.
Enchente desabriga indígenas em Santa Rosa do Purus
Cerca de 190 indígenas das etnias Kulina, Jaminawá e Kaxinawá em Santa Rosa do Purus estão desabrigados com a enchente do Rio Purus. Os indígenas são de três comunidades na zona rural e estão instalados em três escolas na cidade.
Ao todo, são 36 famílias desabrigadas e 13 desalojadas, que somam 57 pessoas que estão na casa de parentes. Além dos indígenas, as equipes de resgate começaram na última quarta-feira, 17, a retirar moradores da zona urbana da cidade.
O Rio Purus ultrapassou os 10,03 metros na última medição, feita às 18 horas de quarta.


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