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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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“A situação das queimadas no Acre é grave e delicada”, afirma secretário-geral de ONG ambiental

A organização não governamental Associação SOS Amazônia, atua na região e trabalha com ações para mobilizar a sociedade, promover e a adotar a cultura de preservar a natureza e conservar o meio ambiente. Com mais de 30 anos de existência a ONG está entre as 100 organizações reconhecidas como as melhores ONGs do Brasil.

“A situação das queimadas no Acre é grave e delicada, nós entendemos que a queima em si, parte de um aspecto cultural, por mais que seja arcaico, o uso do fogo é uma forma de produção agrícola e pecuária aqui no estado”, destaca Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia.

A instituição atua diretamente com, aproximadamente, 5 mil famílias, por meio de sete projetos e duas campanhas, nos estados do Acre e Amazonas. A ideia é implantar modelos diferentes, mostrar novas técnicas para melhor uso do solo, com isso melhorar a produção em substituição ao uso do fogo. A ONG trabalha na perspectiva de levar o desenvolvimento sustentável para comunidades.

Para secretário geral da SOS Amazônia, este ano as queimadas tiveram um fator suplementar de encorajamento social, porém não descarta que o trabalho necessita de uma continuidade de recursos e investimentos tanto no plano nacional, quanto no estadual.

“Essas queimadas, além de ter sido um efeito de manifestações públicas de políticos e movimentos contrários à conservação, ela também é consequência de uma falta de investimento público na adoção dessas novas técnicas. Enquanto essas novas técnicas e modelos mais produtivos não chegarem aos produtores, se mantém essa tradição da queima”, afirma Scarcello.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que a Amazônia teve 26.345 focos de incêndio de 1º a 25 de agosto. Esse número já é maior que a média histórica para o mês (medida desde 1998).

De acordo com o relatório do Inpe, cinco estados lideram o aumento no número de queimadas: Mato Grosso do Sul, alta de 260% em relação a 2018; Rondônia, com 198%; Pará, com 188%; Acre, com 176%; e Rio de Janeiro, com 173%.

Presidente e as ONGs ambientais 

O presidente Jair Bolsonaro continua sua luta contra a realidade. Para ele, organizações não governamentais estariam por trás dos incêndios. Elas teriam o intuito de “chamar a atenção” do mundo e prejudicar o governo do Brasil.

“Nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Acabamos também com o repasse de dinheiro público. Esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro”, declarou Bolsonaro à imprensa, no Palácio da Alvorada.

Sobre essa suposição do presidente da república, Scarcello é categórico em afirmar que “isso é uma tremenda mentira, é uma agressão sem cabimento, infundada, puramente ideológica e política, essa declaração tem o sentido de se afastar um pouco de uma resposta mais clara sobre o que pode ter sido o causador dos incêndios esse ano”.

É muito importante ressaltar que no Brasil, devido à falta de Leis mais severas e também de fiscalizações de fato efetivas para as causas ambientais, o trabalho das ONGs ambientais é de enorme importância, pois ajuda tanto a conservar como a conscientizar a população.

Histórico SOS Amazônia 

No dia 30 de setembro de 1988, um grupo de 35 pessoas na cidade de Rio Branco, compreendendo professores, estudantes universitários e representantes do movimento social, criaram a SOS Amazônia, tendo como objetivo principal, proteger a Floresta Amazônica, apoiando as populações tradicionais.

Com adesão de representantes do movimento social, a SOS Amazônia teve Chico Mendes como um dos fundadores. Desde então, o grupo passou a denunciar, sensibilizar e mobilizar a sociedade frente às crescentes agressões sofridas pela Floresta Amazônica.

A atuação institucional é orientada por um Código de Ética, planejamento estratégico, controles internos descritos em Manual de Procedimentos e gestão contábil financeira transparente e auditada, combinada às diferentes iniciativas técnicas e políticas; tem importância reconhecida por diferentes parceiros governamentais, não governamentais, movimentos sociais e organismos internacionais.

Tal conduta garantiu à SOS AMAZÔNIA o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade.

#MelhoresOngs – Em 2017 foi reconhecida como uma das 100 “Melhores ONGs do Brasil”. O prêmio é uma iniciativa do Instituto Doar, em parceria com a Revista Época, que busca reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, além de incentivar a cultura de doação no Brasil.