Rio Acre, o mundo da elegância nunca vai te esquecer, eis aqui teu curso para reflexão diante da Arte do palco da vida e da vida da arte, para fazer parte do sagrado livro da divina criação. Das esculturas da natureza…Oh, magnífico rio!!! Tu és a modelagem mais bela de todas!
A luz das estrelas, o brilho do luar, o tudo e o nada que a humanidade ainda pode contemplar. Hidrovia suavemente entalhada no talo da argila, por mãos criadoras. Ao longo dos séculos, enigmas a serem decifrados, ainda que seu leito e sua água sejam a semente sublime de um santuário de dádivas. Ah! Ingrata omissão porque não se afoga no arrependimento, no remorso dos derrotados, posto que, o olhar se dissipa na escuridão da ignorância.
E quando o rio lhe chamar, gritar, sem dor ou pensar na minha intrusa tristeza…não se escuta! A voz rouca, cansada, nem sente sede. Nem o frio incômodo da sua intensa dor ecoa no timbre da senhora das brechas.
Oh! Glorioso rio Acre, as outras margens mantem-se tão longe, mas compreende-se que o magnetismo é forte! Ainda assim, seu vale se constitui numa declaração de amor da mãe natureza para os acreanos. Sabe-se que, dos sonhos de vida sua ecologia se mostra em gotas, em cascatas, em corredeiras, estirões e meandros, semeando consciência para os acreanos, beberem de um novo rio. Assim, vais unindo as águas altas e baixas, como a justa forma de um lago raso ou profundo, brando ou veloz, caudaloso ou impetuoso.
Reconhece-se que, se um dia estiveres ausente todos vão sofrer. Mas, se for para sofrer, deseja-se estar contigo nesse sofrimento e compartilhar das tuas cicatrizes.
Isto posto, a solidão do poeta vai se sentir acompanhada dada a importância da tua água para seguir adiante. Viver, te olhar, apreciar e ouvir o teu sussurrar, abre-me um sorriso em mármore. Oh! rio Acre, se ainda tivesses saúde para caminhar minutos, horas, dias, meses e anos, ao encontro de tuas nascentes, certamente te surpreenderias, tal qual esse barranco, com a cena e o cenário de desilusão no agosto do teu nascimento. E, nesse agosto, tu dobrarias os joelhos e erguerias as mãos ao céu para, depois, voltar à terra em prantos. Parece que tuas nascentes sabiam que um dia iam lhe encontrar minguado, tropeçando no lixo e na lama. Somente tu sabias, que te sentirias descoberto na extensão do verão aberto, justamente quando mais tua presença é necessária.
E quando se deita o olhar na tua face abatida, avista-se a semente da tristeza se encaminhando para o deserto da sequidão. Fostes tu, que ensinastes aos homens que ainda há tempo para saber ser eterno, sem inventar horas. Padecido rio, talvez nem entendas o sentimento desse barranco humano que te segue, em prantos, pelas margens, ao encontro de tuas águas. Porque um rio precisa ser visto na sua totalidade, e nunca por um detalhe, senão o resto parecerá feio. És o rio que embala a Pedagogia da vida, como a elegância de um maestro rege a harmonia dos passos e o compasso daqueles que em sociedade associam-se ao teu leito, para o encanto da vida.
Por fim, como nada fica além de um sonho, sigo apressado, agarrado ao pêndulo de um tenro cipó que me aquece na fogueira da madrugada fria.

Claudemir Mesquita
é membro da AAL. É especialista em planejamento e uso de bacias hidrográficas e presidente da Associação amigos do Rio Acre


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