O Projeto Agroflorestal sustentado da Fazenda Iraci, situado na BR 364, Km 20- sentido Rio Branco Porto Velho, Estado do Acre, Amazônia Ocidental, é um projeto de plantio de açaí com irrigação, consorciado com outras espécies do mesmo bioma que contribuirá também para recuperação do solo degradado em função do uso intensivo pela pecuária ao longo dos últimos 30 anos. O objetivo principal do projeto é o de ser referência regional em planejamento e produção integrada, contribuindo para desenvolver a cadeia de produtiva do açaí no Estado do Acre. É um consórcio que refloresta com plantas frutíferas da Amazônia, que visa a alimentação humana tem como cultura principal o Açaí, (Euterpe oleracea e Euterpe precatoria), a Banana comprida (Musa spp), castanha do Brasil (Bertolethia excelsa) e o Ipê amarelo roxo e vermelho (Tabebuia spp). O açaí, nas suas variedades mais cultivadas, o de touceira (Euterpe oleracea) tem uma boa resistência ao sol desde a sua introdução no campo, na cova definitiva. Enquanto o solteiro (Euterpe precatória) necessita de sombra durante a sua fase de desenvolvimento no campo. Neste projeto foi utilizada a bananeira (banana comprida ou banana d’angola) por ser de tamanho médio, fornece uma sombra que não causa abafamento no açaí, numa estratégia de gestão espacial e temporal das culturas.
ALGUNS PROCEDIMENTOS PARA A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
PREPARO DA ÁREA – Faz-se a destoca se necessário, preparo das covas e em seguida o plantio. Em plantios maiores as covas deverão ser feitas com broca mecanizada por economia de mão de obra e tempo.
AGUA – ambas as variedades são exigentes em água, que varia de 40 litros na cova por dia na fase de crescimento a 100 litros por cova/dia na fase de emissão e maturação dos cachos, conforme pesquisas. Isto significa que, o armazenamento da água deve ser o primeiro procedimento do produtor para lhe garantir o sucesso do plantio. Se traduz em construção de barragens ou açudes com uma metragem cubica do liquido que atenda a população de plantas durante o período de estiagem do verão da Amazônia Ocidental.
IRRIGAÇÃO – Trata-se do coração do plantio que bombeia e leva a água para todas as plantas diariamente durante o período da estiagem ou quando a umidade do solo estiver aquém da necessidade da planta. Dependendo do tamanho da área do plantio é necessário o sistema de energia trifásica seja convencional ou solar, as bombas com a potência necessária que garanta o transporte da água às plantas mais longínquas. A rede de canos e mangueiras tem que ser resistente o suficiente para garantir a pressão da água impulsionada pela bomba.
INSUMOS – O açaí é uma planta rústica resistente a pragas e doenças. A antracnose é o fungo que ataca especialmente o açaí de touceira ainda na fase de viveiro, principalmente com temperatura e umidade elevados. Alguns tipos de fungicidas são indicadas no combate a essa doença. Ambas as variedades, além da água são exigentes em adubos principalmente se o produtor visa direcionar a sua produção para o mercado de consumo. Primeiro, adubação na cova e geralmente duas adubações de cobertura por ano em dosagem crescente a cada ano até atingir a produção plena. Daí mantém a mesma dosagem nos anos seguintes. Os macronutrientes – Nitrogênio Fósforo e Potássio são os mais usados dependendo da análise do solo. Alguns micronutrientes também são indicados para suprir algumas deficiências na planta causadas pela pobreza do solo. Na fazenda Iraci predomina a adubação orgânica (resíduos de processamento industrial) e a adubação química é um pequeno complemento.
COLHEITA – Este projeto ainda não atingiu a fase da colheita com previsão de iniciar no ano que vem (terceiro ano do plantio). As primeiras colheitas serão feitas no sistema tradicional, considerando que os cachos serão emitidos numa altura média da planta ao alcance da mão humana. Se faz necessário buscar tecnologias inovadoras que revolucione a coleta dos cachos nas diferentes alturas das plantas nos anos seguintes.
Esses procedimentos de manejo apresentados estão simplificados para demonstrar a grosso modo o que deve ser feito para a implantação do plantio de açaí. O que se pretende mostrar com isto é que sendo o açaí uma planta ligada à cultura e a história dos povos amazônicos e que hoje essa planta é vista como fornecedora de um rico e precioso alimento procurado e desejado nos diversos mercados nacional e internacional. Esta cultura não está ao alcance do pequeno produtor ou do pequeno colono que detêm a maioria das propriedades fundiárias do Acre, por não dispor de meios econômicos para o cultivo do açaí de forma técnica e sistematizada devido os custos de implantação que estão distantes das suas possibilidades.
É aí que entra o parlamento estadual, o parlamento federal, o governador, secretários de agricultura para num esforço conjunto criar políticas públicas territoriais e com base em culturas para incentivar o cultivo do açaí e abrir as portas das casas bancárias oficiais no apoio ao desenvolvimento agrícola e industrial do açaí no Estado do Acre, visando a geração do emprego, da renda e da arrecadação, para fortalecer o estado nas suas diversas atividades sociais.
É notório nos dias de hoje a emigração de jovens e famílias acreanas deixando o Acre em busca de oportunidades em outros estados como Santa Catarina, Roraima, Goiás e outros, enquanto aqui tem potencialidades para alavancar a economia e oportunizar melhores meios de vida à população para tanto basta ter vontade politica de fazer pois, a melhor política é aquela que gera emprego e renda e faz um povo feliz se educando e trabalhando vivendo na terra em que nasceu e cresceu.
O Brasil precisa de alimento na mesa do povo, que precisa de emprego, o Mundo precisa de paz sem a ganância dos senhores da guerra.
Carlos Paz (Cardoso), Engenheiro Agrônomo.


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