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quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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Carta de Xapuri reafirma compromisso na defesa dos territórios e da vida

A programação da Semana Chico Mendes nesta sexta-feira, 17, foi marcada pela leitura da Carta de Xapuri – documento construído coletivamente por mais de 200 lideranças e organizações sociais e populares do Brasil e da Bolívia.

O evento foi realizado em xapuri (Foto: Alessandra Dutra)

Val Souza, moradora da Reserva Extrativista Chico Mendes, e Val Munduruku, liderança jovem da Região do Vale do Tapajós fizeram a leitura da carta. Ambas são moradoras da maior floresta tropical do mundo, que nos últimos anos vem sofrendo com os desmontes das políticas públicas socioambientais, a Amazônia.

A Carta de Xapuri 2021 foi produzida durante o Encontro Amazônico: Terra, Território e Mudança Climática, que reafirma o compromisso dos povos com o Legado do ambientalista Chico Mendes na defesa da Amazônia e da Aliança dos Povos das Florestas. O documento marca o forte posicionamento diante das ameaças contra os territórios e dos povos amazônicos.  

“Esse ato e a nossa carta é o nosso posicionamento em defesa dos nossos territórios e da vida como um todo, que estão ameaçadas, e nós estamos sem um governo que nos ajude, estamos vendo nos noticiários a nossa Reserva Extrativista Chico Mendes com altos índices de desmatamentos e o poder público que tem o dever de nos ajudar estão por muitas vezes, usando a polícia para nos ameaçar, por isso, a carta é a necessidade de reafirmar a nossa luta”, afirmou o presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativista, Júlio Barbosa.

A carta foi lida pelas jovens lideranças Val Souza Val Munduruku (Foto: Alessandra Dutra)

A presidenta do Comitê Chico Mendes e filha de Chico, Angela Mendes, também destacou a importância do momento e documento. “Nós, hoje, como alguns companheiros que estiveram ao lado do meu pai, Chico Mendes, e novos protagonistas da defesa dos territórios, estamos fazendo a leitura da Carta Xapuri reafirmando a nossa Aliança dos Povos das Florestas, num compromisso de seguir na defesa do legado de Chico e no compromisso da defesa dos territórios e da vida”, disse.

CARTA DE XAPURI

Defesa dos territórios e do Bem Viver nas Amazônias

Nós indígenas, comunidades tradicionais, trabalhadores e trabalhadoras rurais, campesinos e campesinas,  reunidos no Encontro Amazônico: Terra, Território e Mudança Climática, em Xapuri, no Acre, nos dias 16, 17 e 18 de dezembro de 2021,  com a participação de 200 líderes de organizações sociais e populares do Brasil e da Bolívia, reafirmamos o Legado de Chico Mendes de defesa da Amazônia e a Aliança dos Povos das Florestas.

Manifestamos nossos posicionamentos frente ao contexto de ameaças aos territórios de uso coletivo, que para nós povos da Amazônia é sagrado, são espaços de construção e manutenção das nossas identidades, saberes, fazeres, das raizes de nossa ancestralidade, territórios de luta, por isso, afirmamos:

  1. Estamos vivenciando ações de retrocessos governamentais no Brasil e em outros países Amazônicos, de pressão à terra, ao território, a biodiversidade e  aos modos de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem nas e das florestas. Os retrocessos atuam para a flexibilização das legislações socioambientais,  o desmonte das políticas que garantem o direito e à posse da terra e do território a povos e comunidades indígenas, tradicionais, camponesas e quilombolas, obrigando-as, em muitos casos, a vender ou fugir para as periferias das áreas urbanas. Também estabelecem medidas públicas favoráveis à mineração e ao desmatamento na região amazônica, para o agronegócio e a extração ilegal da madeira, com impactos sociais, ambientais, culturais e a vida de todos, e principalmente de quem vive nas florestas.
  • Os efeitos dessas ações governamentais contribuem para a crise climática, afetando diretamente mulheres, juventude,  crianças e toda humanidade. Exigimos dos governos políticas e ações mais eficazes, adequadas para combater os efeitos das mudanças climáticas, com medidas de adaptação, mitigação e respeito à ancestralidade de povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas.
  • Por isso,  defendemos à terra, o território, o fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar e a produção da sociobiodiversidade na Amazônia, para que povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas possam ter uma vida digna para usufruir o bem-viver na Panamazônia.
  • Reafirmamos o Legado de Chico Mendes  e nos comprometemos em continuar a cuidar da nossa vida e da vida das florestas e da biodiversidade.
  • O protagonismo das mulheres amazonidas, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres quilombolas, mulheres ribeirinhas, mulheres extrativistas, historicamente silenciadas e invisibilizadas, temos um marco no processo de luta e resistência na garantia ao direito a terra e ao território. Nosso proposito é garantir vida justa para todas. Exigimos espaço e o fim da violência e de toda opressão. Lutamos por nossa terra livre para semear, queremos o bem viver.
  • A juventude em diálogo com as lideranças do passado que lutaram e garantiram os territórios, segue articuladas na luta pois os direitos conquistados não são garantidos, é necessário seguir alerta. Os jovens não são jovens do futuro, somos jovens do presente e queremos espaço para atuar em defesa das nossa casa maior, nossa mãe Terra.
  • Reafirmamos que nossa ALIANÇA DOS POVOS DAS FLORESTAS segue unificada, além da nossa articulação com organizações indígenas, camponesas, ribeirinhas, quilombolas, extrativistas, bem como com as instituições, academia e atores sociais de todos os países amazônicos, para fortalecer a nossa luta em defensas das florestas e das vidas.

“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade” (Chico Mendes).

VIVA A AMAZÔNIA E A ALIANÇA DOS POVOS DAS FLORESTAS!!!