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domingo, 9 de agosto de 2026
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Grupo acusado de chacina contra família boliviana na fronteira do AC tem audiência marcada

Família boliviana foi executada a tiros após pai flagrar acreano estuprando menina de 14 anos  — Foto: Arquivo/PC-AC
Família boliviana foi executada a tiros após pai flagrar acreano estuprando menina de 14 anos — Foto: Arquivo/PC-AC

Os seis brasileiros envolvidos no crime bárbaro contra uma família boliviana na fronteira do Acre passam por audiência de instrução e julgamento nos próximos dias 15 e 16, na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Rio Branco.

O crime ocorreu no último dia 13 de setembro próximo das cidades acreanas de Acrelândia e Plácido de Castro, na região de fronteira com a Bolívia. Uma mulher boliviana e os dois filhos foram mortos a tiros depois que a filha de 14 anos foi estuprada por um acreano.

Conforme a defesa dos réus, ao menos três testemunhas devem ser ouvidas na audiência, entre elas a adolescente de 14 anos, que foi estuprada no dia da chacina. O advogado Fábio Josep da Silva afirmou que a maioria dos acusados nega autoria no crime.

“Vão ser ouvidas vítimas e testemunhas que ficaram faltando, umas três pessoas. Está marcado para os dois dias, mas como são poucas pessoas, acredito que no dia 15 encerra. As provas que têm ainda são poucas, só temos provas testemunhais por enquanto. Após a oitiva das vítimas é que teremos a base de como será mais ou menos a decisão do juiz e também como vamos trabalhar na defesa”, disse o advogado.

Os seis acusados tiveram em setembro as prisões preventivas mantidas, após o juiz Alesson Braz entender que não havia novos fatos no processo que possibilitassem a revogação da prisão. O juiz também levou em consideração o grau de periculosidade dos réus.

Entre os acusados estão Gean Carlos Alves da Silva, José Francisco Mendes de Sousa, Geane Nascimento da Silva, Gean Carlos Nascimento da Silva, Gilvan Nascimento da Silva e Luciano Silva de Oliveira. Todos da mesma família.

O sétimo acusado, Gilvani Nascimento da Silva, de 19 anos, que teria sido o pivô de toda confusão que terminou em tragédia, foi assassinado a tiros no último dia 6 de abril, em Rio Branco. Na mesma decisão que manteve a prisão do grupo, o juiz Alesson Braz declarou extinta a punibilidade contra Silva.

Denúncia

Em novembro do ano passado, o grupo tinha sido denunciado pela promotoria de Acrelândia, no interior do estado. Mas, por se tratar de um crime cometido por brasileiros na fronteira, o caso foi remetido para a capital e tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri.

A nova denúncia foi feita no último dia 3 de maio deste ano e aceita pelo juiz Alesson Braz no dia 6 de maio. O processo corre em segredo de Justiça.

O inquérito policial foi concluído no dia 7 de outubro do ano passado. Em dezembro, a promotora responsável pelo caso, na época, em Acrelândia, Bianca Bernardes Moraes, confirmou que todos os sete tinham sido denunciados e aguardavam audiência.

Na época, ela informou ainda que o adolescente apreendido suspeito de participação no crime já tinha sido representado, julgado e condenado. No entanto, Bianca não informou o tempo de condenação do menor e nem por qual crime.

As sete pessoas [incluindo o que foi morto] foram denunciadas pelos crimes de triplo homicídio qualificado, corrupção de menor, ocultação de cadáver, estupro, homicídio tentado, posse ilegal de arma de fogo e por integrarem organização criminosa.

Os seis acusados estão presos no Complexo Penitenciário de Rio Branco. O último foi preso no dia 30 de dezembro de 2020 na cidade de Acrelândia. Mas, a prisão só foi confirmada pela Polícia Civil no início de fevereiro desse ano. O adolescente condenado por participação no crime do crime está apreendido em um centro socioeducativo de Rio Branco.

Corpos foram achados na propriedade da família boliviana na área de fronteira — Foto: Arquivo/PM-AC

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 13 de setembro do ano passado, na área de fronteira entre o Acre e a Bolívia, depois que o pai de uma adolescente de 14 anos flagrou um acreano estuprando a filha e decidiu amarrá-lo para chamar a polícia.

Parentes do suspeito de estupro, então, apareceram e atacaram a família boliviana em sua propriedade. Após atirar contra a família (mãe e dois filhos morreram), os suspeitos ainda queimaram a casa. A adolescente que foi estuprada também foi baleada, mas sobreviveu após ser socorrida.

Adolescente e pai ficaram em abrigo

A adolescente boliviana que viu a mãe e os dois irmãos serem mortos e também levou tiros chegou a ficar em um abrigo no Acre com o pai, após receber alta médica do hospital.

Eles eram acompanhados por uma equipe do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Infância, Educação e Execução de Medidas Socioeducativas (Caop) do Ministério Público do Acre. Em dezembro do ano passado, pai e filha voltaram para a Bolívia.

A menina levou quatro tiros no ataque e ficou internada em Rio Branco por 40 dias. Ela teve alta médica no dia 23 de outubro, após passar por três cirurgias, no braço e no maxilar.