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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Deputado quer instituir Dia de Santa Maria da Liberdade no calendário oficial do Estado

Atendendo aos pedidos da comunidade católica de Feijó, o deputado estadual Marcus Cavalcante (PTB) apresentou na última terça-feira, 26, o projeto de lei que visa instituir o dia de Santa Maria da Liberdade ao calendário oficial do Estado do Acre.

A romaria de Santa Maria da Liberdade ocorre há mais de 100 anos

A celebração seria comemorada anualmente no dia 21 de janeiro. Com a criação da data oficial, as autoridades municipais facilitarão e apoiarão a realização de eventos públicos. O PL também vai estimular o turismo religioso na região.

Santa Maria da Liberdade é uma divindade popular na região do Envira e Vale do Juruá. Há mais de 100 anos, devotos realizam a romaria fluvial que sai das margens da cidade de Feijó e segue até o Seringal Liberdade, onde foi construída a capela de Maria da Liberdade.

Terra do túmulo de Maria da Liberdade é usado para curar feridas e também ingerido como remédio, segundo pesquisador (Foto: Evilásio Cosmiro/Arquivo Pessoal)

A “Menina Santa”, como também é conhecida”, é responsabilizada por curas de doenças e verdadeiros milagres de fiéis que fazem questão de enfrentar três a cinco dias de barco para visitar a capela de Santa Maria da Liberdade. Cura para a cegueira, ajuda divina durante um parto dentro de um barco e até terra de túmulo usada para curar feridas são alguns dos milagres que teriam sido operados por Maria da Liberdade.

Marcus apresentou o PL na Aleac

“Santa Maria da Liberdade é muito conhecida em nossa região, sendo símbolo religioso importante para Feijó, de modo que decidimos atender ao pedido da Igreja Católica e propor a criação da data no calendário oficial do Acre”, explica o deputado Marcus Cavalcante.

Segundo o padre Sandro Duda da Silva, em 2022, a romaria rumo ao Seringal Liberdade em devoção à santa já está sendo articulada. “A romaria está prevista para começar no dia 19 de janeiro de 2022, saindo de Feijó, realizando a evangelização subindo pelo Rio Envira e estimulando o turismo religioso, nessa romaria que é centenária”, destaca.

Morte violenta

A história da menina que morava no Seringal Liberdade, interior de Feijó, e passou a ser considerada santa ainda é um mistério.  O historiador Marcos Vinícius diz que moradores de Feijó relatam que ela teria 9, 11, 13, 15 e até 20 anos de idade quando morreu. A “menina santa” teria sido morta de maneira violenta, mas, em várias versões do ocorrido, o irmão aparece como o assassino e em outras como o protetor dela.

Fiéis enfrentam até cinco dias de viagem pelo Rio Envira para visitar capela de Maria da Liberdade (Foto: Evilásio Cosmiro/Arquivo Pessoal)

O surgimento da capela para Maria no Rio Envira também é rodeado de versões. Após a morte, a “menina santa” teria sido enterrada às margens do rio e pedido ao irmão para tirá-la do local. Em outras, o corpo dela teria sido levado para um cemitério em Feijó, mas, ao irem no local no dia seguinte o corpo teria desaparecido e reaparecido intacto no local onde hoje existe a capela. Já no barranco, o corpo da santa teria sumido e ido embora em forma de espírito.

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