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terça-feira, 18 de agosto de 2026
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Eu encontrei Deus na Umbanda

Outro dia li a frase que dá nome a este texto e rememorei a minha caminhada de encontro a Deus. Fui criada em berço católico, fiz primeira comunhão, fui coroinha, crismada, frequentava as missas com assiduidade na pré-adolescência. Mas, nunca tive uma relação próxima de Deus, pois o enxergava fora do meu alcance, no externo, em um sacerdote, na igreja…

Quando saí de Feijó para Rio Branco, fiquei sem religião. Na dúvida, me considerava católica. Em 2011 conheci o espiritismo, frequentei alguns centros espíritas, aliás, todos maravilhosos. Sempre que ia às palestras, saia mais leve e me sentia mais perto de Deus, apesar de ainda haver um bloqueio entre nós.

Eu rezava, agradecia, pedia. No entanto me sentia num monólogo, como se apenas eu falasse e Deus pacientemente ouvisse sem esboçar sentimentos. Era estranho! Entretanto, acreditava que na relação com o todo poderoso não havia espaço para intimidade, então, não questionava muito essa condição.

Anos mais tarde, em meio a minha morte [sim, eu morri em vida], senti um chamado no coração. Nunca tinha frequentado terreiros, tampouco sabia como eles funcionavam, mas uma voz lá o fundo me dizia que eu tinha que ir num lugar desses. E cá com os meus botões pensava: “como vou fazer isso? Não conheço ninguém que possa me levar num lugar assim”.

De repente surgiu uma possibilidade de trabalho no Parque Nacional da Serra do Divisor e meu coração berrava “você precisa ir”. Obediente que sou, fui. Lembro como se fosse hoje, na primeira visita a uma cachoeira, senti que ali minha vida estava mudando. Eu não sabia explicar, apenas tinha certeza de que tudo ia se transformar.

Nessa viagem conheci a Lucélia, que me apresentou a Tenda de Umbanda Luz da Vida – casa da qual sou capitã [hierarquia] e frequento desde 2018. E pasmem, no primeiro dia que botei o pé no terreiro, senti Deus, só que diferente das outras vezes, porque dessa vez Ele falou comigo. Não apenas falou como me acolheu em seus braços e me mostrou que, além de Pai, também é Mãe. Eu chorei no colo de Deus! E foi ainda mais emocionante porque há meses eu não o dirigia a palavra. Não por rebeldia ou incredulidade, mas por achar que não tinha dignidade para isso.

E sabe o que Deus me disse? “filha, eu te amo! Se ame também”.

Eu encontrei Deus na Umbanda, na baforada do cachimbo de uma Preta Velha. Eu encontrei Deus na Umbanda, no marafo de um Guardião. Eu encontrei Deus na Umbanda, no maracá de um Caboclo. Eu encontrei Deus na Umbanda, no doce sorriso da Ibejada. Eu encontrei Deus na Umbanda, na pureza e na fé do meu coração.

Deus que é Pai e Mãe não habita templos ou religiões, habita corações. Como anda o seu?

Maria Meirelles (Maria de Oxum) é jornalista, umbandista e capitã da Tenda de Umbanda Luz da Vida *