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terça-feira, 18 de agosto de 2026
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Observatório Covid-19 Fiocruz: Acre se mantem fora da zona de alerta Ocupação de leitos de UTI

nova edição do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgada nesta sexta-feira (3/9), destaca queda no número de óbitos pela décima semana consecutiva, com redução média diária de 1,6% durante a Semana Epidemiológica 34, de 15 a 28 de agosto. A incidência de casos confirmados nesse mesmo período caiu 2,4% ao dia e a taxa de positividade dos testes também está em queda.

Os cientistas do Observatório Covid-19 ressaltam que os valores médios registrados nesta última SE — 24,6 mil casos novos e 670 óbitos diários —  implicam na necessidade de atenção frente à hipótese de agravamento da pandemia, sobretudo pela difusão da variante Delta no momento em que grande parte da população ainda não completou o esquema vacinal. Atualmente, a taxa de letalidade está em torno de 2,8%, que é considerada alta frente a outros países que adotam medidas de proteção coletiva, testagem e cuidados intensivos para doentes graves.

“Apesar de ainda ser necessário avançar na ampliação e aceleração da vacinação, esse processo contribui para a importante tendência de redução da incidência e mortalidade, sendo notável o declínio no número absoluto de internações e óbitos em todas as faixas etárias”, dizem os pesquisadores do Observatório. Dados do MonitoraCovid-19, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde, mostram que 193 milhões de doses de vacinas foram administradas no Brasil. O plano de imunização atingiu 82% da população com a primeira dose e 39% com o esquema de vacinação completo, considerando as pessoas com mais de 18 anos.

Rejuvenescimento da pandemia

O declínio no número de internações e óbitos, notável em todas as faixas etárias, é menor nas idades acima de 80 anos. Quanto ao registro de óbitos, os dados indicam que o pico está se deslocando para as idades mais avançadas e reconstruindo o cenário observado no período anterior ao início da vacinação. A proporção de casos internados entre idosos, que já esteve em 27% (SE 23, 6 a 12 de junho), hoje se encontra em 48,4%. Já a fração dos óbitos, que encontrou na mesma semana 23 a menor contribuição (44,6%), hoje está em 71,1%. Em outras palavras, a reversão demográfica é mais dramática no que se refere ao número de mortes, porque a concentração está substancialmente maior nas faixas etárias mais longevas.

A análise demográfica desta última quinzena apresenta comparações entre a primeira Semana Epidemiológica (SE 1, de 3 a 9 de janeiro) e a de número 33 (SE 33, de 15 a 21 de agosto). Desde a SE 24 (13 a 19 de junho), para as internações hospitalares e de UTI, e desde a SE 23 (6 a 12 de junho), para os óbitos, houve uma reversão da idade média para os três indicadores. A mediana de internações hospitalares, ou seja, a idade que delimita a concentração de 50% dos casos, foi de 66 anos na SE 1 para 59 anos na SE 33. No caso das internações em UTI, os valores de mediana foram, respectivamente, 68 e 63 anos; para óbitos, 73 e 72 anos.

Ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS

Boletim ressalta que o Estado do Rio de Janeiro apresenta um cenário que exige atenção, já que reitera tendência de crescimento do indicador de ocupação de leitos de UTI Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS). As regiões mais críticas são a Metropolitana I, onde está a capital (96%), que concentra cerca de 1/3 dos leitos de UTI e é referência no estado, e a Baixada Fluminense – Belford Roxo (100%), Duque de Caxias (94%), Guapimirim (90%), Nova Iguaçu (85%), Queimados (78%) e São João do Meriti (83%) –, que compreende cerca de 15% dos leitos.

Roraima é o único estado com taxa de ocupação superior a 80%, mas atualmente conta com apenas 50 leitos disponíveis em um hospital de Boa Vista, dos quais 41 (82%) estavam ocupados no dia da obtenção do dado. Além do Rio de Janeiro (72%), somente Goiás está na zona de alerta intermediário (≥60% e <80%). 

Curitiba apresentou aumento (72% para 75%) e Porto Alegre, que nas três semanas anteriores manteve taxas abaixo de 60%, registrou crescimento preocupante (59% para 66%). Belo Horizonte mantém tendência de queda, atingindo taxa de 61% no SUS e Fortaleza apresentou um crescimento expressivo do indicador na última semana.

Vinte e quatro unidades da Federação estão fora da zona de alerta: Rondônia (43%), Acre (9%), Amazonas (41%), Pará (42%), Amapá (15%), Tocantins (43%), Maranhão (45%), Piauí (41%), Ceará (37%), Rio Grande do Norte (31%), Paraíba (18%), Pernambuco (38%), Alagoas (16%), Sergipe (25%), Bahia (33%), Minas Gerais (31%), Espírito Santo (42%), São Paulo (36%), Paraná (59%), Santa Catarina (47%), Rio Grande do Sul (55%), Mato Grosso do Sul (37%), Mato Grosso (45%) e Distrito Federal (58%).

Duas capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 superiores a 80%: Boa Vista (82%) e Rio de Janeiro (96%). Cinco capitais estão na zona de alerta intermediário: Fortaleza (60%), Belo Horizonte (61%), Curitiba (75%), Porto Alegre (66%) e Goiânia (69%). Vinte capitais estão fora da zona de alerta: Porto Velho (40%), Rio Branco (10%), Manaus (41%), Belém (35%), Macapá (17%), Palmas (37%), São Luís (47%), Teresina (40%), Natal (30%), João Pessoa (13%), Recife (34%), Maceió (17%), Aracaju (32%), Salvador (27%), Vitória (40%), São Paulo (36%), Florianópolis (21%), Campo Grande (43%), Cuiabá (31%) e Brasília (58%).

Os cientistas também que enquanto a pandemia estiver em curso, além da necessidade de ampliar e acelerar a vacinação, torna-se fundamental para todos, mesmo os que tomaram vacinas, manter medidas como o uso de máscaras e de distanciamento físico. Neste sentido, é importante que secretarias de Saúde, de Assistência Social, comerciantes, empresários e todas as entidades que puderem se mobilizem para ampliar essas medidas de proteção, por meio, por exemplo, da distribuição de máscaras de qualidade para a população.