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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Apenas atendimento delivery será permitido aos finais de semana e feriado

Com o agravamento nos casos do coronavírus em todo o Estado, o Governo do Acre decidiu adotar novas medidas para tentar conter o avanço da doença. Em novo decreto publicado na quarta-feira, 10, o governador Gladson Cameli determinou apenas o atendimento delivery em restaurantes, lanchonetes, supermercados e similares, aos finais de semana, feriados e pontos facultativos. Portanto, está proibido o atendimento presencial, inclusive na modalidade drive-thru e congêneres.

A permanência de pessoas, em qualquer número, em espaços públicos e privados destinados à recreação e ao lazer também estão proibidas durante o período em que vigorar o decreto.

Ainda levando em conta o Decreto 8.260, a realização de eventos religiosos, em templos ou local público, de qualquer credo religioso está também vedada. Antes mesmo da publicação do novo decreto a Liga das Igrejas Evangélicas do Acre e a Associação dos Ministros Evangélicos do Acre já haviam anunciado a suspensão das atividades nos locais.

Outra mudança determinada pelo governo diz respeito ao funcionamento dos postos de gasolina que estará restrito ao público durante os finais de semana. As atividades serão limitadas apenas ao abastecimento de veículos oficiais das áreas da Saúde e da Segurança Pública, assim como de veículos que estejam em missão de serviços públicos essenciais, no período de 7 às 10 da manhã.

Além disso, no sábado, domingo, feriados e pontos facultativos só estão autorizados a funcionar hospitais, farmácias, laboratórios de análises clínicas e consultórios médicos e funerárias.

Casos da doença no Acre

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), divulgou na quarta-feira, 10, novo boletim epidemiológico acerca dos casos da Covid-19 no Acre. De acordo com o órgão, foram registrados ontem 400 casos da doença. Com a atualização dos dados, subiu para 61.121 o número de infectados.

Ainda de acordo com o órgão, até o momento foram registradas 165 mil notificações de contaminação pela doença, sendo que 103.451 casos foram descartados e 428 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Pelo menos 51.772 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 374 pessoas seguem internadas.

Quanto aos óbitos, mais doze foram noticiados pela Sesacre, sendo cinco do sexo feminino e sete do sexo masculino. Com isso, o número de mortos pela doença subiu para  1.083.

Vacinação continua

O Acre recebeu ontem, 10, mais 5, 8 mil doses da vacina CoronaVac,. A entrega do imunizante produzido pelo Instituto Butantan faz parte da 7ª etapa de imunização, da primeira fase de grupos prioritários.

Segundo o governo, o novo lote que chegará será usado para vacinar mais 20% dos idosos de 70 a 74 anos, e mais 1,8% de trabalhadores da Saúde de Rio Branco (17%), Brasileia (18%), Cruzeiro do Sul (16%) e outros municípios (8%).

A vacinação contra a Covid-19 foi iniciada em 19 de janeiro. Até o momento, o Acre recebeu 84.580 doses, contemplando 51.790 pessoas com a primeira dose, e 32.790 pessoas com a segunda dose.

Rio Branco precisou suspender a vacinação da primeira dose por falta do imunizante desde o último dia 6 de março.

O Acre é um dos estados que menos vacina sua população contra a Covid-19. Apenas 2,87% dos acreanos foram imunizados com a primeira dose, até esta terça-feira (9), segundo informações do Consórcio de Veículos de Imprensa obtidas a partir das secretarias de Saúde.

O estado perde apenas para o Pará (2,62%), Alagoas (2,68%), Mato Grosso (2,78%), Maranhão (2,82%) e Rondônia (2,84%). Por outro lado, quem mais vacinou até o momento foram o Amazonas (7,41%), São Paulo (5,52%), Distrito Federal (5,15%), Rio Grande do Sul (4,89%) e Mato Grosso do Sul (4,82%).

Pandemia pode se agravar mais ainda no Acre até o final de março

O Ministério Público do Acre (MPAC), ao expedir uma recomendação ao governo do Estado acerca da promoção de medidas mais severas para conter avanço da Covid-19 no Acre, apresentou estudo revelando que a pandemia deverá se agravar ainda mais até o final de março. O órgão levou em consideração dados divulgados Vigilância Epidemiológica.

O levantamento aponta que até a semana epidemiológica 13, os casos seguem uma tendência de elevação, porém, haverá uma tendência de estabilidade apenas nas semanas epidemiológicas SE 26-27, ou seja, no final do mês de junho e começo de julho.

“O que significa dizer que estamos no momento de um turbilhão de situações que, se não manejadas adequadamente, ocorrerão mortes de forma consistente e dramática”, dizem os procuradores e promotores do MPAC.

Ainda de acordo com o documento, a desobediência aos termos de ajustamento de conduta impostos pelo MPAC, no mês de dezembro com festas de natal e réveillon, “houve o aumento vertiginoso do contágio e, consequentemente, das internações hospitalares”.

“Considerando que, com as medidas acima, o resultado esperado era que na SE 07-2021 se experimentasse uma redução considerável no contágio, levando em consideração o comportamento do vírus Sars-CoV-2. O vírus atingiu o ponto culminante do contágio após mais de 38 semanas, ou mais de 260 dias, com 57% de positividade e mais de mil resultados positivos, levando em consideração o exame de RT-PCR, padrão ouro para o Sars-CoV-2”.

 O estudo foi assinado por procuradores e promotores de Justiça, inclusive pela procuradora-geral do MPAC, Kátia Rejane.

Boletim da Fiocruz reforça preocupação do Ministério Público sobre avanço da pandemia

O boletim extraordinário da Fiocruz publicado ontem, 10, aponta que nos próximos dias o Estado pode vivenciar um agravamento nos casos da Covid-19. Segundo o Boletim, Rio Branco está em situação extremamente crítica das taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19, que indicam sobrecarga e mesmo colapso de sistemas de saúde. Conforme os dados, a capital acreana tem 99% dos leitos de UTIs ocupados.

Os pesquisadores da Fiocurz reforçam a necessidade de ampliar e fortalecer as medidas não-farmacológicas envolvendo distanciamento físico e social, uso de máscaras e higienização das mãos.

 “Nos municípios e estados que já se encontram próximos ou em situação de colapso, a análise destaca a necessidade de adoção de medidas de supressão mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais. Além disso, é necessário o reforço da atenção primária e das ações de vigilância, que incluem a testagem oportuna de casos suspeitos e seus contatos”, afirmam.

Ainda de acordo o boletim, das 27 capitais do país, 25 estão com taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos igual ou superior a 80%. Em 15 delas, a taxa é superior a 90%.

O documento destaca o aumento na busca por UTIs em quase todos os estados e no Distrito Federal. Apenas o Pará saiu da zona de alerta crítico para zona intermediária, com a queda do indicador de 82% para 75% na última semana.

Tratamento contra o coronavírus na capital gera polêmica

O prefeito Tião Bocalom, durante participação na sessão de terça-feira, 9, na Câmara de Rio Branco reforçou que as unidades de saúde do município continuarão usando cloroquina e ivermectina no tratamento contra o novo coronavírus. A fala do gestor gerou críticas devido os medicamentos serem considerados por muitos médicos sem eficácia.

O promotor de Defesa da Saúde do Ministério Público do Acre, Gláucio Oshiro, em entrevista à Rede de TV local questionou a fala de Bocalom.

“Coloca as evidências como algo pessoal, mas isso é decorrente do próprio comportamento da doença. 80% das pessoas que têm Covid acabam não desenvolvendo as formas mais graves. Naturalmente, de 8 a cada 10 pessoas que tomarem chá de alho também vão ter as mesmas evidências pessoais em relação à eficácia de determinado medicamento. O que a gente tem acompanhado é que não falta só a comprovação da eficácia. Há mais que isso, há comprovação de que são ineficazes”, disse.

O promotor acrescentou que é preciso analisar os fatos concretos e que ainda não foi tomada nenhuma providência porque precisa ser entendido de forma interna o que deve ser feito, em relação ao pronunciamento do gestor da capital acreana.

“Aqui dentro do Ministério Público vamos discutir quais providências vão ser tomadas. Primeiro afim de esclarecer ao gestor sobre eventualmente um comportamento ineficaz. O segundo ponto é se esse comportamento pode resultar em gastos desnecessários, ou pior, gastos que poderiam estar sendo indicados para outros tratamentos comprovados e cientificamente recomendados”, pontuou.

O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) também se manifestou, em nota, sobre as declarações do prefeito e disse que o tratamento ao paciente infectado pela Covid-19 é de autonomia do médico, que deve sempre usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.

“Cabe ao médico assistente a decisão acerca do tratamento mais adequado para cada paciente, desde que com a concordância deste, obtida após o devido esclarecimento sobre o nível de evidência da eficácia”, informou.

E defendeu a vacinação em massa da população. “A ampla vacinação da população no menor espaço de tempo é o caminho mais seguro para o controle da pandemia, que já contaminou mais de 60 mil pessoas e tirou mais de mil vidas no Estado do Acre”, finalizou. (Com informações do G1 Acre)