O projeto Acre Made in Amazônia Bordados, lançado durante a primeira noite de Expoacre este ano, já é sucesso entre o público que aprecia a arte do bordado. Dois grupos de bordadeiras, do Bujari e Sena Madureira, participaram da feira e avaliaram como positiva a experiência de exposição dos produtos.
De acordo com a coordenadora do grupo no Bujari, Poliana Guimarães, além das vendas efetuadas, o evento foi uma porta aberta para encomendas e conquista de clientes. “A Expoacre foi uma vitrine para os nossos produtos e nosso estande foi bastante visitado. Estamos felizes e cheios de boas expectativas de mercado”, frisa.
Com a finalidade de resgatar tradições com inspirações amazônicas, o projeto reúne dezenas de homens e mulheres, que em maioria, encontraram no bordado a fonte de renda da família. As primeiras coleções têm base temática na flora e fauna, e contaram com o patrocínio do Banco do Brasil para a aquisição de material, no total de R$ 7.500.
A execução do projeto é feita pela Coordenação do Artesanato Acreano vinculada à Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN), com a parceria do Sebrae e gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida.
As primeiras experiências envolveram famílias do Bujari nas dependências de uma igreja, até o grupo passar a ter sede própria. A iniciativa despertou outras famílias de Sena Madureira a replicarem a ideia, que já tem previsão de ser aderida também em Rio Branco. Os moldes do projeto foram feitos por um artesão e artista plástico acreano que utiliza técnicas de papel machê e madeira.
Bordado: arte, renda e entretenimento
No Bujari, o grupo reúne no momento cerca de 20 pessoas. O jovem Jeferson de Oliveira, 18 anos, conta como a experiência com o bordado tem sido prazerosa para toda a família.
“Eu trabalhava no pesado numa chácara e ficava muito tempo fora de casa. Aí comecei a ver minha esposa bordando e entregando as primeiras encomendas e quis aprender. Depois vi que não era tão difícil e que a gente ganhava num jogo de guardanapo era o que eu ganhava no meu antigo trabalho. Foi aí que quis me dedicar só a ajudar ela, e assim passamos todo o dia juntos agora trabalhando e cuidando da nossa filha”, comenta.
Quem também descobriu a autossatisfação no bordado foi dona Maria Costa, 69 anos. Aposentada e viúva, ela conta que o projeto chegou num momento de sua vida em que ela lutava contra a depressão.
Ela resume as horas dedicadas ao trabalho como uma terapia ou um momento que dedica a ela mesma ocupando a mente.
“Nem vejo o tempo passar quando estou bordando, não dá nem pra lembrar dos problemas”, relata a bordadeira, que de ponto a ponto, coloca coração e sentimento em tudo o que, de forma delicada tanto quanto sua história, faz pensando com o intuito de agradar.


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