Rio Branco
24°C
quarta-feira, 22 de julho de 2026
04:18

Lixo Zero na Aldeia quer livrar comunidades Yawanawá das pilhas usadas nas caçadas

Lixo Zero na Aldeia quer livrar comunidades Yawanawá das pilhas usadas nas caçadas

A tribo Yawanawá está promovendo uma vaquinha virtual para implantar na comunidade do Mutum, no Rio Gregório, em Tarauacá, o programa Lixo Zero na Aldeia, que pretende dar destinação adequada aos resíduos sólidos produzidos no povoado. O foco, num primeiro momento, são as pilhas utilizadas na caça, uma das principais atividades de subsistência dos Yawanawá. As caçadas são em geral noturnas e dependem de lanternas. A proposta é ter uma embarcação própria para transportar o lixo até o pronto de destinação mais próximo –no caso a comunidade de São Vicente.

“Os Yawanawá dependem da caça para a subsistência, e cada caçador usa seis baterias grandes por noite em suas lanternas. Os moradores da comunidade não têm conhecimento sobre as toxinas geradas pelas baterias para a saúde e para a natureza. Elas podem causar a poluição do solo e da água e pôr em perigo a vida selvagem.

Quando jogadas nos rios podem bio-acumular nos peixes, o que os reduz em quantidade e os torna impróprios para o consumo humano”, diz o briefing do projeto.

O descarte de lixo nas aldeias é situação comum na região Norte. Segundo, os coordenadores do projeto, diferentes resíduos sólidos estão sendo acumulados em aldeias indígenas da Floresta Amazônica brasileira, ameaçando a saúde dos povos indígenas e o meio ambiente. “Infelizmente, lugares isolados na Amazônia brasileira já têm problemas de lixo. Em áreas remotas, onde não há nenhum tipo de saneamento básico, muitas comunidades indígenas e tradicionais queimam seus resíduos (ex.: plástico, vidro, metais, borracha). Mas a queima desses materiais emite gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera e pode desencadear incêndios florestais durante a estação seca”, observam os coordenadores.

Os Yawanawá vivem na Terra Indígena do Rio Gregório, no município de Tarauacá. Cerca de 700 índios Yawa vivem em oito comunidades ao longo das margens do Rio Gregório. O contato com a sociedade ocidental há 200 anos atrás alterou completamente o modo de vida das comunidades e o desmatamento generalizado levou o ambiente a um ponto de ruptura, trazendo novos tipos de lixo. Isso, de acordo com o Projeto Lixo Zero na Aldeia, está ameaçando o bem-estar dos índios, afetando seus meios de subsistência e causando problemas de saúde. A comunidade do Mutum é aberta para visitantes de todo o mundo que querem aprender sobre conhecimentos tradicionais e participar de rituais espirituais de cura. “Infelizmente, eles trazem consigo muito lixo, contaminando o ambiente da comunidade”, afirmam, referindo-se ao Festival Yawa. Até este sábado, 17, a vaquinha tinha arrecadado 3% dos US$35 mil almejados.