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domingo, 9 de agosto de 2026
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Restaurante Popular: ferramenta de inclusão social e acesso à alimentação saudável


Por volta das 9h já é possível ver o aglomerado de pessoas na porta do Restaurante Popular José Marques de Souza (Matias), localizado na Estrada da Sobral, em Rio Branco. Do lado de dentro a equipe da Prefeitura de Rio Branco, cuida de cada detalhe do almoço que será servido, às 10h30.


Ambiente organizado e limpo, comida quentinha, com duas opções de proteína, carboidrato e outras guarnições, legumes frescos, suco de frutas e sobremesa. Tudo isso compõe a bandeja de refeição que é servida, de segunda a sexta-feira, no Restaurante Popular. São 1.800 calorias, cuidadosamente selecionadas por uma nutricionista, que prepara um cardápio com refeições variadas, livres de produtos embutidos e com uso reduzido de industrializados. A maior parte dos ingredientes é proveniente de hortas comunitárias.


Implementado pela Prefeitura de Rio Branco, em 2008, o local serve em média 500 refeições por dia, que são vendidas por apenas R$ 2,50. Cada refeição custa R$ 11,70, dos quais R$ 9,20 são financiados pelo município, e o restante pelo usuário.


Antonieta e Josimar Rodrigues são vendedores ambulantes e todos os dias almoçam com a filha, Lauane, de 9 anos, no Restaurante. “A comida é muito boa e a bandeja bem servida, e com um preço que a gente consegue pagar”, disse Antonieta.


Além de ser um local para almoçar, o Restaurante Popular é um ponto de encontro e convivência. Após um problema de coluna, o senhor Dede Celestino se aposentou, e aproveita o tempo livre para divulgar seu trabalho como cantor e compositor. “Eu moro no Canaã, mas sempre que posso venho aqui. Coloco minha caixa de som na cadeira de rodas e aproveito pra vender meus cds, para os colegas que fiz aqui. Vou bater papo com o pessoal e acabo vendendo bem, de quebra como uma comida boa por um preço que posso pagar”, contou.


Dados de 2019, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que 5,2 milhões de brasileiros passam fome e são vítimas da desnutrição e da insegurança alimentar. Nos últimos dez anos, políticas públicas foram criadas com o objetivo de zerar a fome no país, mas com o agravamento da crise econômica em 2019, muitos programas foram cancelados.


Em Rio Branco, a determinação da prefeita Socorro Neri é de que “a Prefeitura siga trabalhando com responsabilidade e segurança financeira, promovendo o bem estar da população”. Por isso, ao contrário de vários municípios Brasil a fora, em Rio Branco, os programas de promoção da igualdade social continuam.


Convivência e inclusão social
Moradores de rua e vendedores ambulantes são os frequentadores mais comuns, mas a quantidade de idosos chama a atenção. Tanto que o local já foi utilizado em diversas pesquisas e estudos científicos sobre a vida na terceira idade. A gestora do local, Valdete Viana, conta que eles são sempre os primeiros a chegar e os últimos a sair. “Muitos idosos vêm aqui somente para ter companhia, às vezes eles nem comem. É só pelo prazer de conversar, de fugir da solidão. Inclusive o último trabalho científico realizado aqui foi com esse tema: A Solidão dos Idosos”, destacou.


Francisco Pereira, de 69 anos, almoça lá todos os dias. Apesar de ter oito filhos, ele mora sozinho e por isso opta por encontrar os amigos e além de comer, confraternizar. “Eu sempre sou um dos primeiros a chegar. Passo horas aqui conversando na fila e durante o almoço também. Moro sozinho porque escolhi, mas ninguém gosta de passar o tempo todo só”, declarou.


Paula Amanda, da Diretoria de Comunicação