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quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Justiça Eleitoral ouve testemunhas sobre suposta compra de votos em Tarauacá

Justiça Eleitoral ouve testemunhas sobre suposta compra de votos em Tarauacá

Nas rodas de conversa no município de Tarauacá (distante cerca de 380 km da capital acreana) durante toda a sexta-feira, 2, o assunto era o mesmo, a audiência que aconteceu no Fórum Desembargador Mário Strano e que pode decretar o fim do mandato, que mal começou, da atual prefeita Marilete Vitorino (PSD).

Marilete é alvo de uma investigação depois que a Frente Popular do Acre (FPA) entrou com uma ação contra a chapa vencedora pedindo a cassação do diploma da prefeita e do vice-prefeito. A coligação alega no processo que a gestora praticou a capitação de sufrágio, quando distribuiu combustível em troca de votos.

O caso ficou ainda mais complicado quando o empresário Grandi Almeida, presidente do Partido Progressista (PP) em Tarauacá e que foi coordenador de campanha de Marilete Vitorino na campanha de 2016, confirmou a denuncia.

No mês passado, em entrevista ao site AC24horas, o empresário confirmou o que já havia dito em depoimento ao juiz Guilherme Aparecido do Nascimento Fraga, da 5ª Zona Eleitoral, que houve um esquema de troca de combustíveis por votos na campanha eleitoral da atual prefeita. De acordo com o empresário, foram distribuídos cerca de R$ 30 mil em combustíveis para o dia da eleição, 02 de outubro de 2016.

A audiência, que iniciou pouco depois das 12h de sexta-feira, ouviu testemunhas de defesa e acusação foi encerrada já era noite. A expectativa de todos era pelo depoimento de Grandi Almeida que não aconteceu, ficando marcado para a próxima sexta-feira, 9 de junho, onde serão ouvidos ainda a prefeita Marilete Vitorino, o seu vice, Chico Batista (PP) e o proprietário do Posto Pontão, onde o combustível foi adquirido.

A audiência aconteceu sem maiores contratempos, apesar do clima de tensão. Um dos secretários da equipe de Marilete Vitorino foi levado coercitivamente para depor depois que testemunhas afirmaram que parte do combustível foi repassada por ele a um grupo de colonos para retornarem a suas casas. Outros ainda afirmaram diante ao juiz eleitoral Guilherme Fraga que foram coagidas pelo vice-prefeito quanto às declarações que seriam prestadas durante a audiência.

A decisão judicial sobre a permanência ou não de Marilete Vitorino frente a gestão da prefeitura do município de Tarauacá pode acontecer já na próxima sexta-feira, 9 de junho ou até o final deste mês.

Entenda o caso

A prefeita eleita da cidade de Tarauacá na eleição de 02 de outubro de 2016, Marilete Vitorino (PSD) foi acusada pela coligação Frente Popular do Acre (FPA) de capitação ilegal de sufrágio, popularmente chamado de “compra de votos”.

Diante das denuncias, o empresário Grandi Almeida foi intimado a prestar esclarecimentos, já que foi o coordenador da campanha de Marilete. Em depoimento ao juiz Guilherme Aparecido do Nascimento Fraga, da 5ª Zona Eleitoral, Almeida confirmou que houve um esquema de troca de combustíveis por votos na campanha eleitoral da atual prefeita.

Ao juiz, o empresário revelou que estava em casa quando recebeu a ligação de Marilete com a seguinte orientação: “Grandi, eu estou com muita gente aqui na frente da minha casa. Peço que você atenda esse pessoal. Libere combustível pra esse pessoal voltar pra zona rural, porque o negócio tá ficando complicado e eu vou viajar. Ela viajou, pediu pra liberar o combustível pro pessoal (sic) voltar pra zona rural, e eu liberei”, disse o empresário que de testemunha de defesa passou a acusador, acrescentando ainda que: “Foi R$ 30 mil, mas a gente já estava devendo um dinheiro lá. Ela pagou só R$ 30 mil e ainda deve R$ 5, 7 mil”, afirmou.