AGOSTINHO ALVES
O empresário Júnior da Eloniza, que adotou o nome de sua genitora como sobrenome, falou da saudade infinita que sente da mãe, Eloniza Estévam, que faleceu no dia 01 de fevereiro de 2011, aos 66 anos de idade, depois de ter dado fartas contribuições ao meio empresarial de Boca do Acre.
O filho único da saudosa empresária disse que mesmo com quase uma década do descaso de sua mãe, a saudade é um sentimento incurável. “Foi no dia primeiro de fevereiro 2011 que ela se foi e até hoje a saudade me acompanha”, disse o empresário.
“Hoje ela não está mais conosco e o mínimo que eu poderia fazer era dar seguimento ao que ela me deixou e a cada obra, a cada feito, eu tento homenagear minha mãe”, declarou Júnior.
Em 2016, a aluna Agnes Paiva foi a vencedora de um concurso de biografias, realizado na escola estadual Coronel José Assunção, contando a trajetória de vida de Eloniza Estevam, desde os primeiros passos no comércio, ao sucesso como uma empreendedora polivalente.
Confira a biografia de Eloniza Estevam
Eloniza Estevam da Silva, nascida em 03/06/1945 em Boca do Acre –AM, na Praia de São Joaquim, localizada no Lago Novo, filha de Luiz Mariano e Lídia Estevam, Eloniza não teve infância, cedo a responsabilidade bateu à sua porta, pois sendo a mais velha de nove irmãos, ela teve que trabalhar para ajudar os pais na criação dos irmãos, sendo assim, sua mãe e ela cultivaram uma pequena horta e Eloniza saía vendendo verduras de porta em porta.
Lídia Estevam, mãe de Eloniza, mesmo sendo muito humilde se preocupava com a educação de Eloniza, então, com muito sacrifício conseguiu mandá-la para um colégio interno de freiras, em Sena Madureira-AC, onde estudou por apenas um ano, pois sabendo que sua família passava por necessidades, Eloniza teve que tomar uma das decisões mais difíceis de sua vida: escolher entre os estudos e o trabalho.
Então retornou para Boca do Acre e começou a pegar roupa e produtos de outras pessoas e revender como sacoleira. Nesse período seu pai se tornou um pescador, então Eloniza mesmo sendo jovem e mulher, ia com ele e os demais pescadores, entrando pelas madrugadas pescando, depois ia pessoalmente para as cidades vizinhas vender os peixes com os trabalhadores.
Eloniza começou a juntar uma pequena quantia, e ainda menor de idade e com apoio de sua mãe, fez sua primeira viagem à São Paulo e já não revendia mais para os outros.
Eloniza estava muito à frente do seu tempo e tinha o desejo de crescer na vida e economizava o máximo que podia para que isso acontecesse.
Seu lema era “renunciar hoje para ter amanhã, e se privar no presente para bonança no futuro”, e foi assim que Eloniza começou a exportar castanha e borracha.
Por volta de 20 a 22 anos conheceu seu primeiro e único esposo, e dessa relação nasceu aquele que ela dizia ser sua maior e melhor conquista de vida, seu filho, Emanuel do Bonfim Estevam da Silva.
Eloniza não teve sorte no amor e foi abandonada pelo esposo logo após o nascimento de seu filho. Foi aí que Eloniza se deparou com o maior desafio de sua vida: ser mãe, pai, educadora e provedora de sua casa.
Determinada a vencer na vida e com uma visão empreendedora incomparável, Eloniza não se deixou abater e continuou sua jornada.
Com o dinheiro das pequenas exportações, Eloniza começou a erguer seu império e assim se tornou pioneira mulher, ou seja, foi a primeira comerciante em Boca do Acre, servindo de inspiração para muitos que hoje são grandes comerciantes.
Mesmo sendo mãe de um único filho, Eloniza era muito rígida, e fazia questão de ensiná-lo o valor da conquista e do trabalho. Levava a vida muito a sério, por isso não tirava tempo para o lazer e para pequenas diversões. Mais uma vez quebrando todos os tabus e passando por cima de todo e qualquer preconceito, Eloniza foi a primeira mulher a abrir uma boate em Boca do Acre.
Eloniza era estrategista e foi até São Paulo e comprou um aparelho chamado “Big Bar” para sua boate. Foi o maior sucesso da época. Nesse tempo, em uma determinada hora faltava energia na cidade, sabendo disso, Eloniza comprou um gerador de energia e mais uma vez estava à frente, pois quando todas as boates estavam fechando as portas, a sua estava completamente lotada, e assim Eloniza continuou a aumentar seu império.
Comprou uma fazenda que se tornou uma das maiores de Boca do Acre, na época era a maior fonte de renda para muitos pais de famílias.
Eloniza havia se tornado uma das maiores geradoras de empregos e estava feliz, pois um de seus sonhos era ver Boca do Acre pouco a pouco progredir. Eloniza, de uma simples vendedora de verduras, se tornou uma das mulheres mais ricas de sua cidade. Dona de um império de imóveis, lojas e fazendas avaliadas em milhões, seu maior medo era morrer e deixar seu filho desamparado, por isso trabalhou incansavelmente por uma vida toda.
Muitos a tinham como “mão fechada”, pois ela se privava de muitas coisas, mas a vida não tinha sido generosa com ela. Eloniza não venceu na vida por pura sorte, mas venceu com muito trabalho, esforços e renúncia.
Em 01/02/2011, Eloniza deu adeus a este mundo, deixando assim um grande legado e exemplo, um legado de lutas, trabalho e conquistas, um exemplo de que não importa se você é homem ou mulher, com determinação e coragem, pode-se vencer e com isso ela conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos só que não mais em vida, ser homenageada com seu nome em sua rua – TRAVESSA ELONIZA ESTEVAM.
AUTORA
Agnes Paiva, aluna da escola estadual Coronel José Assunção.


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