Luan Cesar
Em janeiro de 1990, André Luiz Pereira fez pela primeira vez um treino de Taekwondo em uma academia especializada em Rio Branco. Atraído pelo esporte, o jovem decidiu ingressar como praticante e desde então não largou mais a atividade que lhe rendeu bons frutos. Desde a primeira aula, em 25 de janeiro de 90, até os dias atuais, o esportista enfrentou desafios, participou de várias competições e, ao completar 30 anos de Taekwondo no Acre, celebra as conquistas na vida.
O primeiro contato com o esporte foi com o tio, que já praticava a modalidade em Porto Velho, Rondônia e levou o jovem para visualizar o treino. Pouco tempo depois, a Academia da Polícia Militar do Acre (PM-AC) começou a ofertar aulas de Taekwondo. Como a mãe trabalhava na instituição, que permitia somente funcionários e dependentes participarem das aulas, ele efetuou a matrícula na primeira turma da PM-AC e começou a frequentar próximo de completar 11 anos.
“Comecei a treinar Tae-kwon-do no dia 25 de janeiro de 1990. Na época, o Grão-mestre José Carlos, o mestre Juca, ministrava as aulas na PM. Ele já era 3º Dan e tinha a Cristal Academia próximo a Ponte Nova e comecei a treinar lá também. Quando peguei a primeira faixa colorida, um ano depois, já comecei a participar das competições, mais das que o mestre Juca organizava”.
A primeira competição oficial do recém ingresso foi a 1ª Olímpiada da Polícia Militar do Acre, que englobava uma série de outros esportes, quando já tinha ganho a faixa amarela e alcançou o segundo lugar na categoria que se inscreveu. Depois, ele começou a frequentar competições no estado de Rondônia. A partir de 1993 vieram as disputas ranqueadas, campeonatos que servem para acumular pontos em classificação geral que leva os primeiros colocados a eventos nacionais.
A primeira competição de nível nacional foi a Copa Mamoré, realizada em 1993 na cidade de Guajará-Mirim, também em Rondônia. No mesmo ano, veio o primeiro desafio internacional com no Circuito Brasil X Bolívia, onde conquistou o primeiro lugar como faixa azul na categoria Juvenil 55 quilos. Os treinamentos se intensificaram, muitas vitórias vieram e o resultado foi a conquista da faixa preta no Taekwondo. Atualmente, Pereira é 4º Dan e mestre no esporte milenar.
Aulas e academia
Mesmo nunca tendo deixado as competições de lado, o popular mestre André se interessou por outra ótica do Taekwondo, aulas de ensinamento para jovens atletas da área. O primeiro emprego como professor veio em 1995 em uma academia de Rio Branco. A afinidade com a ministração das aulas o levou a montar um espaço na antiga residência dele, a ser professor do Rio Branco Football Club no Estádio José de Melo e passar por outros locais como a Academia Calegário.
Após conquistar a graduação de 4º Dan, em 2015, Pereira resolveu fazer o próprio espaço de ensino e em outubro daquele ano fundou a Academia Juca de Taekwondo, que homenageia o primeiro professor que ele teve na vida. Para formar turmas e difundir o nome do local entre os moradores da capital ele fez panfletagens nas ruas, ida aos bairros da cidade e outros vários meios.
Atualmente ele possui 28 alunos inscritos na academia e realiza um trabalho social com oferta de aulas gratuitas para adolescentes e jovens que não têm condições de pagar. “A ajuda para o esporte em si já é muito fraca no Acre, os atletas sabem bem disso. Faço esse trabalho porque é uma forma de ajudar a esses jovens praticarem esporte e não ficarem ociosos. São as crianças, adolescentes e jovens ociosos que são alvos da cooptação das facções para fazer parte do crime”.
O mestre critica a falta de apoio ao Taekwondo por parte das instituições governamentais e da iniciativa privada. Ele afirma que para levar os atletas que treinam no espaço de forma gratuita para competições em outros estados ou fora do país é necessário fazer rifas, cotas e outros tipos de ações para arrecadar verbas para custeio de hospedagem, alimentação, transporte e passagens. “Desde que iniciei a academia diversos atletas daqui já ganharam prêmios a partir dessas ações”.
Pereira é um dos dois únicos mestres de Taekwondo no Acre a possuir a certificado dada pelo World Taekwondo Academy – Kukkiwon, instituição internacional do esporte. O documento serve para reconhecer em qualquer país do mundo a faixa preta alcançada pelos atletas que possuem a graduação. Ele também é presidente e um dos fundadores da Associação Juca de Taekwondo, que promove ações para fortalecer a área no estado e unir cada vez mais os atletas.
Ele afirma que mesmo com uma comitiva pequena em relação a outras academias do país, no geral são 10 atletas a cada evento contra 20 ou mais de outras organizações, os acreanos sempre conquistam as primeiras colocações e na classificação geral a Academia Juca de Taekwondo. “Foram dezenas de competições que meus alunos já participaram de 2015 até agora sempre dando um destaque positivo pelo bom desempenho. Fico muito orgulhoso pelo esforço e vontade deles”.
O mestre mostra orgulhoso o quadro de medalhas que ganhou ao longo dos 30 anos em que participou de diferentes competições. As conquistas, tanto pessoais como da academia, ficam expostas em um lugar de destaque da academia, principalmente primeiras as medalhas e troféus conquistados no início da carreira. Pereira administra o local junto com a esposa Evelene Reis, que é 1º Dan de Taekwondo. O casal tem três filhos e dois praticam o esporte junto com os pais.
“Esse esporte salvou minha vida, tinha muitos companheiros que caíram na tentação das drogas ou começaram a integrar as facções criminosas e perderam totalmente o futuro. O Taekwondo me deu uma perspectiva de vida, ajudando a construir minha conduta e não fui por esse caminho. Isso me trouxe muitas alegrias, principalmente conhecer minha esposa, e tento repassar isso para as pessoas que não têm condições de pagar os treinos. É uma forma de retribuir o que ganhei”, finaliza.







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