Luan Cesar
Em parceria com as polícias Civil de Minas Gerais (MG) e Pernambuco (PE), a Polícia Civil do Acre deflagrou nesta quarta-feira, 22, a “Operação Tarquínio”. A ação resultou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão nos estados do Sudeste e Nordeste, além de colher depoimento de duas pessoas suspeitas de cometerem o crime de estupro virtual contra uma mulher em Rio Branco. A ação foi realizada após denúncia da vítima e três meses de investigação policial.
Os suspeitos foram ouvidos nos respectivos estados e liberados por não haver flagrante, o que impediu a prisão de ambos. A denúncia da vítima foi feita na segunda quinzena de outubro de 2019. Ela contou à polícia que conheceu um dos suspeitos após aceitar uma solicitação de amizade em uma rede social. O homem, que usava perfil e materias audiovisuais falsos, começou a puxar assunto e a conversa ficou constante. Pouco depois, ele começou a enviar fotos e vídeos íntimos.
Titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do Acre (Deam), Juliana de Angelis explicou que por sentir confiança a mulher também enviou fotos e vídeos íntimos ao suspeito. Com isso, o homem começou a obrigar a vítima a gravar atos e relações sexuais ameaçando-a de expor as fotos e vídeos para amigos e familiares. “Infelizmente é um crime que está se tornando bastante comum no país. Esses atos sexuais e libidinosos eram feitos mediante grave violência”.
Ainda de acordo com as informações repassadas pela Polícia Civil, conforme a vítima ficava mais coagida, o homem impôs situações vexatórias a ela. Ele obrigou a mulher a fazer um vídeo introduzindo o dedo dela nas partes íntimas, o que configura estupro virtual, e mantendo relações sexuais com outra pessoa. Titular da Delegacia da 5ª Regional de Rio Branco, que auxiliou a Deam nas investigações e operação, Nilton Boscaro disse que o suspeito tentou fazer outra vítima.

“Ele também exigiu que ela enviasse o contato da pessoa que ela manteve relação sexual no vídeo com o intuito de fazer mais uma vítima. Acredito que ele iria para o patamar da extorsão, exigindo dinheiro para não divulgar o conteúdo sexual. Por meio de um trabalho de inteligência, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, conseguimos localizar as residências das conexões de internet usadas pelo perfil falso e os suspeitos”, enfatizou o titular da 5ª Regional.
O delegado contou ainda que a mulher teve um abalo psicológico e tentou suicídio. Os materiais eletrônicos encontrados com os suspeitos serão periciados em Minas Gerais e Pernambuco. A titular da Deam destacou que é preciso ter cuidado nas redes sociais com pessoas desconhecidas. “Recomendo que as pessoas, independente do sexo, nunca divulguem fotos íntimas e vídeos de relações sexuais. É preciso observar se os parceiros gravam momentos íntimos”, finalizou Juliana.


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