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“Para mim é uma honra presidir o partido que está no meu coração”, diz Daniel Zen

“Para mim é uma honra presidir o partido que está no meu coração”, diz Daniel Zen

Exercendo seu primeiro mandato como deputado estadual, Daniel Zen (PT), vem trilhando uma caminhada marcada por desafios. Zen é líder do governo na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac), recentemente assumiu a presidência do partido no estado e agora é um dos pré-candidatos a governador do Acre, em entrevista ao OpiniÃo, o parlamentar fala dos desafios que o motivam e dos sonhos que vislumbra para o estado.

A experiência de Zen na militância petista, assumindo papéis de destaque, iniciou ainda em 2007 quando Foi Diretor-Presidente da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM), no Governo de Binho Marques (PT) e Secretário de Estado de Educação e Esporte no primeiro mandato (2011-2015) do Governador Tião Viana (PT).

Acreano, natural de Rio Branco, o deputado é formado em direito. Servidor público, ele sonha com inovação para o estado e defende que é preciso manter a continuidade, porém é salutar dar lugar ao novo.

Para o deputado, os rumos da política ainda são incertos, dada a conjuntura de instabilidade nacional, mas acredita no fortalecimento do partido. Entre vários pontos destacados pelo deputado, ele ainda falou sobre sua preocupação com um possível impeachment e disse acreditar que o melhor seria a renúncia do atual presidente Michel Temer. “Nós temos que cumprir a Constituição. A Constituição fala em eleições indiretas, no caso dessa possibilidade de uma renuncia ou de um afastamento.”

OPINIÃO – O senhor assumiu, recentemente, a presidência do PT no estado, como tem sido conciliar os trabalhos no legislativo, ser líder do governo na Aleac e agora à frente do partido?

Daniel Zen – Não é tarefa fácil conciliar diferentes atividades que diria que se complementam, mas ao mesmo tempo têm desafios muito específicos, muito peculiares. Enquanto líder do governo a gente tem determinadas atribuições, no que tange a orientação da bancada, coleta de informações, acompanhamento de tramitação e votação de projetos de lei de autoria do executivo e uma serie de outras coisas que acabam tomando muito tempo da agenda de um parlamentar. E eu sempre fiz questão de não abdicar, mesmo com essas atribuições da liderança do governo, da minha liderança própria do mandato. A atuação legislativa nossa é considerável, com muitos projetos de lei, anteprojetos de lei, indicações e requerimentos. E agora, na presidência do PT, para mim é uma honra presidir a sigla que está no meu coração. O Partido que escolhi para fazer minha trajetória política e tem também uma carga de trabalho, mas as nossas direções partidárias não são de uma pessoa só e elas, no dia a dia, nos ajudam nessa divisão da carga de trabalho. Nestas primeiras semanas tem sido bastante gratificante. Tem sido possível conciliar com as demandas do mandato e da liderança do governo.

OPINIÃO – O senhor vem de atuações significativas dentro do partido. Foi secretário de educação, por exemplo. Diante desse envolvimento, qual sua avaliação do governo Tião Viana? E qual a diferença para os outros governos do PT?

Daniel Zen – Os nossos governos têm tido um princípio muito interessante, na verdade dois. Um é o compromisso com o legado, ou seja, todo membro de equipe de governo, tem que estar comprometido com a continuidade das políticas do governo anterior que vinham dando certo. E, ao mesmo tempo em que se tem esse compromisso da continuidade dos acertos, você tem que ter o compromisso com a não repetição dos erros. E vimos também com o aperfeiçoamento daquilo que você julga ser possível melhorar.

OPINIÃO – O senhor citou os desafios que surgem durante a caminhada. O deputado é movido a desafios, principalmente por assumir a liderança do partido?

Daniel Zen – Acredito que sim. Chega um momento na vida em que você vai querendo novos desafios para poder se dedicar ao trabalho. A gente cresce com isso, vai aprendendo a lidar com os problemas, vai tentando aplicar os conhecimentos que a gente vai acumulando ao longo dos anos e vai crescendo, tanto como indivíduo como parte de uma engrenagem maior que são os nossos partidos políticos. Fico satisfeito em poder contar com a confiança dos nossos companheiros para poder cumprir estas missões.

OPINIÃO – Quais foram as primeiras demandas priorizadas nesses primeiros dias a frente do partido?

Daniel Zen – Depois do congresso que elegeu a nossa direção, nos dedicamos a preencher todas as estâncias partidárias, definir essa composição. E na sequência nos dedicamos também a uma agenda mais emergencial e aprovamos, na eleição da nossa executiva estadual, manter um diálogo com todos os dirigentes de partidos que compõem a Frente Popular no Acre. Temos um planejamento para quando retornarmos do congresso nacional que é a última etapa desse nosso debate eleitoral interno do partido, e acontece agora em junho. Só então o planejamento oficial vai acontecer quando voltarmos, já alimentados com a pauta que vai ser discutida com as diretrizes nacionais. Mas por enquanto vamos atuar em grandes concentrações para ouvirmos a população, como está previsto para acontecer em Cruzeiro do Sul, dia 24 de junho.

OPINIÃO – O nome do deputado foi um dos indicados como pré-candidato ao governo do estado. Nesse sentido de governança, o que o senhor pensa para o Acre?

Daniel Zen – Mesmo estando à frente do partido e tendo um mandato de deputado estadual e sendo candidato natural a reeleição, aceitar ter o nome indicado como um dos pré-candidatos do partido é porque acredito na capacidade que a Frente Popular teve e ainda tem de transformar para melhor. E garantir mais qualidade de vida para o povo do Acre. Segundo, é uma honra ter o nome colocado em um grupo seleto de quatro pessoas apontadas como possíveis indicados e cada um com muitas qualidades. Penso que algumas idéias podem ser muito bem exploradas, em um processo de busca contínua por uma educação de qualidade máxima. Estamos caminhando para isso, no sentido de um projeto pedagógico de vanguarda, com ensino integral, com ensino técnico agregado ao ensino médio regular, ou seja, são projetos que nos encaminham para resultados cada vez mais positivos na educação e eu acredito que essa é a base de tudo. Mas acredito também em uma política de empregos de qualidade, melhorias salariais, desenvolvimento dos preceitos de sustentabilidade e acredito que o estado deve investir em mecanismos de controle social e participação popular na administração.

OPINIÃO – O senhor defende a ideia da continuidade ou um possível governo seu seria inovador?

Daniel Zen – Na verdade, o que citei são apenas alguns exemplos, mas existe um universo de coisas que podem ser postas em um debate público. E quando a gente chama a sociedade para debater é justamente para que as idéias inovadoras surjam e não fiquem apenas na cabeça de dois ou três iluminados que acham que podem renovar um projeto com poucas mãos. Acredito que temos que renovar as ideias e os projetos com muitas cabeças e muitas mãos. São idéias nas quais eu acredito e fazem parte da continuidade das boas mudanças. Não se trata só de ligar o piloto automático e dar continuidade as coisas boas, mas sempre pensando que não há nada tão bom que não possa ser melhorado.

OPINIÃO – Nas discussões internas já existe possíveis nomes de pré- candidato a vice?

Daniel Zen – Ainda não. Eu acredito que é um debate que ainda está aberto. A Frente Popular, os partidos ainda estão avaliando essa necessidade de apontar sugestões para apontar os demais postos da chapa como vice, suplência de senado, estratégias para fazer chapas proporcionais, o que também é importante, porque sempre saímos com quatro ou cinco chapas para deputado estadual e uma para federal. Então esta tem sido uma questão que também tem povoado as nossas discussões.

OPINIÃO – Como presidente do Partido, o senhor não acredita que um dos dois pré-candidatos ao Senado pelo PT pode ficar sem mandato, tendo em vista que a oposição, pelo histórico político, sempre faz um senador?

Daniel Zen – Depende muito de como a oposição virá. Eu acredito muito no potencial dos nossos dois candidatos. O senador Jorge Viana, por tudo que ele já foi, pelo que é e pelo que ainda será, representa nosso projeto político e é um dos nossos pioneiros nas nossas jornadas vitoriosas. O Ney Amorim é o nosso pré-candidato que representa esse compromisso com a renovação constante, ou seja, nós temos sempre em nosso quadro os representantes mais experientes se acompanhando de pessoas que estão despontando na política de forma mais recente e isso é uma das chaves das nossas experiências bem sucedidas.

OPINIÃO – O senhor acredita que a instabilidade política no âmbito nacional será um fator determinante nas eleições de 2018?

Daniel Zen – Acredito que sim. Nós vemos que os desdobramentos da lava jato, havia uma carga muito pesada sendo dirigida a investigação política da esquerda, sobre tudo o PT. E sempre houve um desconforto da nossa parte porque você se pergunta: poxa! Será que só o PT? E os outros partidos? E de repente como numa grande guinada, outros partidos começaram a aparecer. E a gente vê surgir o nome de Aécio Neves e do presidente Michel Temer que foi o grande articulador do impeachment da presidente Dilma sob acusação de crime de responsabilidade e surge cometendo o crime de obstrução da justiça. É gravíssimo. Acredito que o governo federal não se sustenta mais. Não sou favorável a um impeachment porque sou favorável que o presidente renunciasse, fizesse um gesto de grandeza diante da nação.

OPINIÃO – O deputado defende eleições diretas?

Daniel Zen – Nós temos que cumprir a Constituição. A Constituição fala em eleições indiretas, no caso dessa possibilidade de uma renúncia ou de um afastamento. Mas infelizmente, eleições indiretas não teriam capacidade de pacificar o Brasil. Então do mesmo jeito que a gente pode seguir a Constituição, também podemos emendar a Constituição porque as emendas também fazem parte do processo constitucional. Acredito que o presidente deve renunciar e o congresso aprovar uma emenda convocando eleições diretas em caráter extraordinário e depois voltaria tudo à normalidade dos mandatos de quatro anos.