Luan Cesar
Dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) apontam que Rio Branco atingiu o índice de 9.3 de infestação de dengue no Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa). Além disso, duas cidades do interior, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, correm risco de uma epidemia de dengue, uma das três doenças transmitidas pelo mosquito. Com isso, Estado e Município reforçam as ações no combate ao vetor ao inseto.
Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Rio Branco, do dia 1º de janeiro até o dia 21 deste mês 4.057 casos suspeitos de dengue foram notificados na capital. Desse total, 2.515 foram confirmados, 1.508 descartados e 34 aguardam o resultado dos exames. No início do ano a cidade enfrentou uma epidemia da doença, mas a partir de maio a situação foi controlada e apenas 1.033 notificações foram contabilizadas até a semana.
“Comparado ao mesmo período de 2018 [maio a dezembro], quando houveram 2.337 notificações suspeitas, houve uma redução de 44% este ano. Isso se deve as ações intensificadas na cidade durante a epidemia, onde a cada 100 pacientes que davam entrada nas unidades de saúde, 80 eram diagnosticados com dengue. Devido a situação e o alto índice de infestação, nosso trabalho não parou e foi intensificado”, afirma a diretora de Vigilância Epidemiológica da Semsa, Socorro Martins.
Entre as atividades estão visitas dos agentes epidemiológicos nos bairros de Rio Branco, volta dos profissionais a esses locais, distribuição de mudas de citronela, uma espécie de repelente natural do mosquito, nas comunidades e ações de conscientização em pontos com grande circulação de populares da capital. Socorro afirma que a maioria dos focos do Aedes estão localizados dentro das residências, principalmente nos quintais e terrenos baldios sem cuidados.
“O Município também realiza mutirões de limpeza para retirar entulhos, já que estamos no período chuvoso. Mas é necessário que a população colabore porque são as residências que concentram mais de 90% dos criadouros. Pedimos que as pessoas recebam os agentes de endemias que realizam as visitas, porque além de colocarem os larvicidas eles também orientam as pessoas. Essas visitas são mais intensas nos bairros com mais infestação”, reforça a diretora do Município.

Ações do Estado
Técnica de Doenças de Transmissão Vetorial da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Sesacre, Ana Paula Medeiros explica que as ações do Estado são realizadas com apoio técnico e logístico aos municípios acreanos como fornecimento dos materiais educativos, capacitação dos profissionais das redes municipais, orientações, revisão de metas e supervisão das atividades executadas. A profissional afirma que esse trabalho é mais intenso nas cidades com a maioria dos casos.
“Os dados apontam que em cidades como Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Tarauacá o número de casos aumentou de forma significativa, foi feita uma avaliação prévia e as equipes do Estado foram em nove cidades onde poderia ocorrer surtos e epidemias de e dengue, zika e chikungunya. Foi elaborado um planejamento estratégico com um plano de contingência para evitar o aumento do número de casos. Esse plano contém quatro eixos de trabalho nessa área”, garante a técnica.
Segundo ela, o documento possui quatro eixos: vigilância epidemiológica, que consiste no monitoramento de casos suspeitos e confirmados, assistência aos pacientes, com tratamento de pessoas com casos confirmados, educação em saúde, ações de conscientização para mobilizar a população, gestão, que envolve todos os secretários municipais de saúde com a execução das atividades propostas pelo Estado, e controle vetorial, borrifações, visitas e inseticidas nas residências.

Os números da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) apontam que Cruzeiro do Sul já registrou 5.768 casos suspeitos, sendo 2.188 confirmados para dengue. Já Tarauacá tem 1.168 casos suspeitos com 942 confirmações. Os dados se referem do dia 1º de janeiro até a última sexta-feira, 27. Ana Paula afirma que nos dois últimos meses essas duas cidades tiveram um crescimento inesperado no número de notificações de dengue nas unidades.
“A nossa preocupação é que nessas duas cidades houve um número maior do que o esperado. Nesses dois últimos meses Cruzeiro do Sul registrou 3.320 casos suspeitos, que estão em análise e investigação para confirmação, e Tarauacá ficou com 809. São situações que podem ser confirmadas ou descartadas a partir das análises laboratoriais. O enfrentamento ao Aedes não é somente obrigação do poder público. No Acre, 70% dos focos estão nas casas das pessoas e precisamos que a população entre nessa briga para diminuirmos esses números”, finaliza Ana Paula Medeiros.



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