Dois movimentos significativos ocorreram em Boca do Acre no intuito de chamar a atenção das autoridades para duas questões fundamentais no município: a ocupação irregular das terras e o asfaltamento da BR-317.
A primeira parte do acontecimento ocorreu na manhã desta segunda-feira (9), quando trabalhadores rurais, pequenos e médios produtores participaram de uma manifestação pacífica realizada na Praça de Alimentação, no Platô do Piquiá.
A segunda parte do evento aconteceu na BR-317, com o bloqueio da rodovia que liga Boca do Acre ao Estado do Acre.
Conversamos com o representante jurídico do manifesto, Dr. Félix, que falou os temas, pontuando questões importantes.
Questão delicada
Segundo o advogado, a questão fundiária em Boca do Acre é muito delicada. “Por conta da ocupação irregular pelos grandes produtores, vários prejuízos foram gerados, em vários âmbitos: ambiental e social, principalmente”, citou. “Ambientalmente falando, essa ocupação colocou Boca do Acre no topo de um ranking indesejável: desmatamento e queimadas. O pequeno, quando queima, o faz de forma controlada, consciente; já o grande gera prejuízo abissal, incalculável para a floresta e para os animais que nela habitam”, explicou.
“Socialmente falando, temos conflitos que já duram décadas, colocando de um lado o grande produtor, que quer cada vez mais terras e não cansado de tomar para si terras devolutas, vai encurralando o pequeno produtor, até expulsá-lo, ou prejudicar sua produção, sua vida”, disse.
Mobilização geral
Dr. Félix ressalta que é necessário que as autoridades políticas nas três esferas se mobilizem para regularizar essa situação, distribuindo a terra de forma justa. “Dá muita terra para pouca gente, não é inteligente, pois a geração de emprego e renda não é proporcional, mas fica abaixo da expectativa”, afirmou.
Félix comentou: “Se a terra for distribuída igualmente se transformando em oportunidade para o pequeno produtor, teremos mais famílias gerando emprego e renda, além disso, haverá uma grande variação na cadeia produtiva do setor primário, capaz de abastecer o mercado local e até servir para exportação”.
Potencial diversificado
O potencial de Boca do Acre vai além da pecuária. Existe a castanha, o milho, o arroz, o açaí, a mandioca, hortifrúti granjeiro, laticínio, piscicultura, entre outras. Não podemos privilegiar apenas uma fonte econômica, em detrimento de uma economia que pode ser diversificada, pujante e abrangente.
BR-317 A respeito da BR-317, Dr. Félix destacou a necessidade de asfaltar completamente a rodovia que liga Boca do Acre ao Acre, ao país e ao mundo. O fechamento da BR conta com apoio indígena. Segundo o advogado Félix, haverá uma reunião com a FUNAI para discutir a problemática sobre a legislação que prevê uma indenização pela utilização pelas terras indígenas, como é caso que acontece em Boca do Acre, uma vez que a rodovia passa por dentro de duas reservas indígenas.
“Pelos indígenas locais, a BR será asfaltada, pois o serviço também os beneficiará. O governo por várias vezes concordou em pagar, mas nunca honrou o pagamento”, pontuou o advogado.
“O movimento está acontecendo de forma pacífica e ordeira. Algumas pessoas com necessidades especiais passaram pelo bloqueio, através de uma conversa com os líderes do movimento, que entenderam a situação e não ofereceram resistência.


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