O direito de greve no Brasil foi uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores por meio da Constituição Federal de 1988. Todavia, como é basilar, não se trata de um direito absoluto, cabendo aos trabalhadores e respectivos sindicatos, para exercê-lo regularmente e não tê-lo como abusivo, cumprir alguns requisitos legais. Pela lei, o abuso ocorre quando a greve ultrapassa os limites normais de respeito ao patrimônio particular ou gera outras formas de desrespeito, como ocupação de estabelecimentos, sabotagem em instalações e serviços da empresa, agressão física a outros membros da empresa, entre outros. Dito isto, apesar de lamentar a determinação da Justiça acreana em paralisar a greve na Saúde -, por ter consciência de que trata-se de um movimento legítimo, garantido constitucionalmente -, a Desembargadora Denise Bonfim foi coerente em sua decisão, apesar de não ter sido nenhuma das razões acima mencionadas que levou a determinação da paralisação. O episódio ocorrido na última terça-feira, independente de quem tenha sido culpado, ultrapassou o bom senso. Sem falar que colocou em risco o diálogo entre a classe e o governo. No final das contas, a forma desequilibrada como foi tratada essa questão pelos gestores da Saúde fez com que todos saíssem perdendo. Gladson perdeu o apoio dos servidores da Saúde, cuja expressão de voto foi enorme. E a secretária Monica Feres, o pouco respeito que ainda era dispensado e ela. Não se pode esquecer que em nenhum momento ela se pronunciou a respeito do ocorrido. A demonstração de frieza em nada condiz com o discurso de Cameli sobre buscar a humanização na área. A conclusão que chego é que o progressista tem falado para as paredes.
INEXPERIÊNCIA
O governo aparenta tentar apagar fogo com gasolina ao emitir aquela nota -, assinada pelo secretário de Relações Políticas, Alysson Bestene, diga-se de passagem -, sobre a greve dos servidores de Saúde. Uma nota tosca, sem propósito, e que ainda demonstra uma grande falta de habilidade em tratar o assunto.
ERRO CRASSO
Quem leu a nota teve a impressão de que o governo estava tentando marginalizar os servidores da Saúde devido o movimento grevista. Ora, pois, não estamos nós diante de um movimento legítimo? Não trata-se de um direito constitucional? O viés dado pelos gestores da Saúde foi bastante lamentável.
FALTA EQUILÍBRIO
Faltou equilíbrio emocional, sim, para debater a questão. E quem colherá os louros negativos será o governador Gladson Cameli (PP), haja vista que boa parte desses grevistas votou no progressista, e hoje se sentem desmerecidos pela forma como estão sendo tratados.
ALGUÉM LÚCIDO
Em meio a toda essa celeuma, ponto para o vice-governador Major Rocha (PSDB) que buscou o diálogo junto à classe. Até que enfim alguém lúcido nessa história.
CRITICADO PELOS VEREADORES
O atrito ocorrido no primeiro dia de greve da Saúde ganhou destaque nos debates da Câmara de Rio Branco, na sessão de ontem. O coronel Resende foi bastante criticado pelos vereadores. Todos solidários ao povo e ao deputado estadual Jenilson Leite (PSB).
CULPADO
Impossível não criticar o subsecretário. Mostrou desequilíbrio e uma falta de preparo enorme. Não tinha nada que ir até o movimento grevista para enfrentá-los. Teve muita culpa no tumulto.
PROBLEMÃO
Desde que assumiu a liderança do governo, o deputado Luiz Tchê (PDT) tem passado por maus bocados. Esse episódio envolvendo o deputado Jenilson Leite e o subsecretário Resende o colocou no olho do furacão novamente. Ao tentar fazer a defesa do governo na Aleac foi bastante vaiado.
CARGO ESPINHOSO
É um cargo espinhoso, sem dúvidas. Todos os que se ‘atreveram’ a exercê-lo se deram mal. Não se reelegeram. Um dos poucos que conseguiu essa proeza foi o deputado petista Daniel Zen.
NEGATIVO PARA A IMAGEM
Os vetos do governo a LDO também foi ruim para a imagem de Tchê. Foi ele quem costurou os acordos entre a base governista e a oposição, com o aval do Palácio Rio Branco, claro. O fato é que, apesar do recuo ter sido de Gladson, a palavra do pedetista acaba também sendo colocada em xeque.
ALFINETOU O NOVO SOCIALISTA
O governador em exercício, Major Rocha (PSDB) esteve ontem na Aleac. O motivo principal era tratar sobre os vetos governamentais em nove projetos de leis, mas não se livrou de ser questionado pela imprensa acerca do conflito ocorrido no primeiro dia de greve dos servidores da Saúde. Considerou um ato isolado e ainda alfinetou o deputado Jenilson Leite (PSB).
CEGO, SURDO E MUDO
A considerar a falar de Rocha, chega-se a conclusão que o novo socialista perdeu o time da defesa da Saúde. Na gestão passada, apesar dos muitos problemas na pasta, fez-se de rogado. Decidiu apontar os erros somente na gestão atual, quando seu grupo político já não fazia mais parte do poder.
O SILÊNCIO DE JENILSON
“O deputado Jenilson participava de um ato legítimo, infelizmente o deputado não fez isso ao longo de 20 anos de governos da Frente Popular quando destruíram a saúde pública do Acre”, disse o Major Rocha.
CRISE FINANCEIRA
Rocha pontuou ainda que as condições das contas públicas do governo ainda não permitem atender a todos os pedidos, mas confirmou que o governo busca uma solução viável aos dois lados. “Pegamos a Saúde do Acre em condições precárias. No entanto, vamos resolver isso no diálogo. Não é só nosso perfil o confronto, pelo contrário, queremos resolver a situação”.
REUNIÃO COM MINISTRO
A bancada federal reuniu-se na última terça-feira com o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, General Luiz Eduardo Ramos. Na pauta, a inclusão do Estado no Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS).
ARTICULADORA
A senadora Mailza Gomes (PP) foi à articuladora da reunião da bancada federal com o ministro. Apesar de estar no mandato há pouco tempo, a progressista tem demonstrado uma ótima atuação. Tem abertura nos Ministérios e isso é benéfico para o Acre. Muitos recursos estão sendo liberados para o Estado devido sua intervenção.
NÃO É CANDIDATO
O senador Sérgio Petecão (PSD) já repetiu por diversas vezes que não será candidato ao governo do Estado em 2022. Só entra na jogada se Gladson Cameli (PP) decidir que não concorrerá a reeleição.
FOGO AMIGO
Politicamente, Petecão tem se fortalecido a cada dia. Isso tem causado preocupação de alguns “aliados”, principalmente, daqueles que também tem pretensão em concorrer ao governo do Estado. Tem sido alvo de fogo amigo.
ELE VOLTOU
Após mais de oitos meses afastado, André Maia volta ao cargo de prefeito de Senador Guiomard nesta quinta-feira. A decisão para reconduzir Maia ao mandato foi expedida após o Tribunal de Justiça acatar uma questão de ordem da defesa do prefeito e se julgar incompetente para receber a denúncia.
INVESTIMENTOS
O município de Manoel Urbano recebe investimento na saúde de R$ 726 mil destinados pela deputada federal Jéssica Sales (MDB). O valor permitirá a construção de uma Unidade Básica de Saúde.
DEPUTADA ATUANTE
Em quatro anos e oito meses de mandato, Sales já garantiu mais de R$ 4,5 milhões para o município de Manoel Urbano, recorde histórico em tão pouco tempo. Esses recursos contemplam diversas áreas como, educação, assistência social, infraestrutura, saúde, esporte, cultura e lazer, cujos alguns projetos já foram executados, outros ainda em andamento.
FRASE
“É necessário políticas públicas eficazes para combater a violência no nosso Estado, por isso, é fundamental o apoio do Ministério da Justiça. Além disso, o Acre é um estado fronteiriço e é preciso monitorar a fronteira que está totalmente desprotegida, facilitando a entrada do tráfico de drogas”.
(Deputado Jesus Sérgio, do PDT, sobre a inclusão do Acre no Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social)

TÃO ACRE
DEFUNTO FUJÃO
No bairro antigamente denominado Rabo da Besta, no Quinze, morreu um anônimo cidadão vagamente conhecido de cinco craques do futebol do passado acreano glorioso. Eram eles Boá, Orcette, Zé Cláudio, Benedito e Caetano. Chovia torrencialmente naquela tarde. Não existia ponte, para abreviar o caminho. Os cinco, na hora de carregar o caixão de madeira de pano preto e frisas amarelas, foram pelo barranco do Quinze e pegaram carona de um ribeirinho condoído naquele triste cortejo fúnebre. Saíram bem do lado do Papoco, de onde pegariam a pista até o cemitério São João Batista.
Naturalmente que o quinteto estava por causa da chuva súbita e da missão especialíssima, completamente trebado. A descida até o casco fez ser sem contratempos. O problema foi no barranco no Primeiro Distrito. O sirineus futebolistas, bebendo generosas talagadas da Cocal no gargalo, a custo retiraram o caixão da canoa. O barranco de barro liso como sabão, o caixão pesado e mal feito produziu insólita cena: o de cujus saiu pelo fundo quase mergulhando no Rio Acre, impedido providencialmente pelo Orcette Gomes do Vale, o mais ou menos bom. Recolocaram, no que subiam, outra vez o finado, enlameado e irreconhecível escapou pelo fundo e levou de roldão todo mundo.
Zé Cláudio espoletou-se, pegou o morto, ameaçou, enquanto os companheiros botavam dentro do recipiente chamado paletó de madeira.
-Se tu escapar de novo, te cubro na porrada.
O defunto, moita. Posto no caixão, outra saída. Levou a prometida surra. Caetano e Boá subiram às quedas com o caixão, Zé Cláudio, Orcette e Benedito arrastaram penosamente o infeliz sob os olhares de curiosos pendurados no alto do barranco sem ligar para o toró medonho, onde enfim ajeitaram-no no caixão para o enterro sem choro, vela se oração.
REDUNDÂNCIA (II)
O Chico Araújo em 1997 da Gazeta do Acre, mexeu tanto em texto de notícia policial do veterano Antônio Carlos Batista que assombrou os leitores. Na matéria da manchete da página 7, “Polícia encontra cadáver no Taquari”, enfiou por conta própria ter sido encontrado “homem agonizante já em estado terminal” e que “de imediato, os PMs foram ao local e constataram a veracidade da denúncia. O cadáver do desconhecido foi levado ao Pronto-Socorro, onde deu entrada já sem vida.
Pior foi aquela legenda de foto de vítima de acidente de transito: “Morte fatal”.


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