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domingo, 28 de junho de 2026
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Estudo indica áreas com aptidão para cultivo de café no Acre

Por Diva Gonçalves 

Pesquisadores de diversas instituições se uniram na execução de pesquisas sobre os solos e clima do Acre. Os estudos de zoneamento, coordenados pela Embrapa, e concluídos recentemente, tiveram como objetivo identificar áreas apropriadas para o cultivo de café e orientar sobre os cuidados com o solo e indicar tecnologias para desenvolver a cultura no Estado. Entre os resultados desse esforço coletivo está a recomendação de diferentes sistemas de manejo para o café canéfora nas diferentes regionais acreanas.

As pesquisas para o zoneamento edafoclimático para a cafeicultura acreana contou com a participação de uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais da Embrapa do Acre e Pará (Amazônia Oriental), Universidade Federal de Viçosa (MG), Universidade Estadual Paulista (Unesp/SP), Universidade Federal do Acre (Ufac), Secretaria de Estado de Agropecuária (Seap) e Empresa de Consultoria Ambiental Amazônia.

 

Os conhecimentos gerados com esse esforço coletivo estão reunidos no livro “Zoneamento Edafoclimático para o cultivo de café canéfora (Coffea canephora) no Acre”, publicação que poderá orientar a formulação de política pública para a cultura, disponível em formato digital no endereço https://www.embrapa.br/acre/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1092470/zoneamento-edafoclimatico-para-o-cultivo-do-cafe-canefora-coffea-canephora-no-acre.

Além de recomendações técnicas para plantio e condução das lavouras, informa sobre as áreas aptas para cultivo, considerando requisitos essenciais para o desenvolvimento dos plantios. Segundo o pesquisador da Embrapa, Celso Bergo, um dos coordenadores dos estudos, o Acre tem grande potencial para a cultura e a produção tem mercado garantido. “Saber onde e como plantar é essencial para reduzir riscos na cultura e fortalecer essa cadeia produtiva”, diz.

Áreas prioritárias

O Acre está dividido em cinco regionais: Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá-Envira e Juruá). Para conhecer aspectos como níveis de fertilidade e acidez do solo, tipos de relevo, profundidade, textura e capacidade de drenagem, os pesquisadores avaliaram 291 perfis, coletados em propriedades rurais de municípios de todas as regionais, com o objetivo de classificar esse recurso natural para recomendar o cultivo de café canéfora em áreas já desmatadas. As análises também consideraram dados do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do estado.

Os resultados revelaram a existência de solos com aptidão para a cultura nas cinco regionais acreanas, com predominância de áreas preferenciais no Baixo Acre. “Por apresentarem solos planos e com boa profundidade, essas áreas são prioritárias para o cultivo intensivo de café. Há também áreas que com pequenas intervenções tecnológicas, como adubação básica com calcário e uso de práticas adequadas de manejo, é possível obter boa produtividade”, afirma o professor da Ufac Nilson Bardales, que participou das pesquisas e também é editor técnico da publicação.

Em relação ao clima, os resultados do zoneamento mostraram uma grande variabilidade no regime de chuvas nas diferentes regionais do Estado. Entretanto, boa parte das áreas com solos aptos para a cultura do café apresentam déficit hídrico de até 200 milímetros nos meses de junho a setembro, época da floração do cafeeiro. “As restrições hídricas podem ser superadas com o uso de irrigação. A adoção da tecnologia exige investimentos, mas os ganhos na lavoura compensam os gastos. “Na época seca, a média de produção em áreas não irrigadas é 70 sacas de 60 quilos por hectare. Em cultivos irrigados é possível triplicar a produção. Atualmente, a saca do grão limpo é vendida no mercado de Rio Branco por até 350 reais”, ressalta Celso Bergo.

A partir das características de clima e solo, fornecidas pelos estudos de zoneamento, e de exigências da cultura, o livro apresenta recomendações para cultivo de café canéfora em três sistemas de manejo: Para áreas com condições de clima e solo extremamente favoráveis, onde é possível produzir com pouco uso de tecnologias; para áreas com boa aptidão para a cultura, mas que necessitam de tecnologias para elevar a produção como o uso de calagem e adução do solo; e para áreas com exigência de uso intensivo de tecnologias, para melhorar as condições da terra e das lavouras.

Interesse pelo café canéfora

Pesquisas comprovam que os cafés mais cultivados comercialmente no País são das espécies arábica (Coffea arabica), que responde por cerca de 80% da produção nacional, e canéfora (Coffea canephora), popularmente conhecido como “Conilon” ou “Robusta”. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o maior produtor de café conilon é o Espírito Santo, com nove milhões de sacas de 60 quilos, em 2018, respondendo por 63% da produção nacional, seguido do estado de Rondônia, com 2,2 milhões de sacas. Os principais produtores de café arábica são Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

No Acre, predomina o cultivo de café canéfora. O último levantamento da produção, disponibilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que o estado produziu 43.817 sacas de 60 quilos, em 2017, ocupando a segunda posição na região Norte. De acordo com Celso Bergo, as altas temperaturas e os elevados níveis de umidade do ar associados a baixas altitudes, características da região, favorecem o desempenho da cultura. Além de bem adaptado às condições climáticas locais e mais produtivo que as variedades arábica, o café canéfora tem ciclo mais longo, com os frutos geralmente colhidos no mês de maio, quando as chuvas começam a cessar no Estado.

“Como a maioria dos produtores é de base familiar e não dispõe de terreiro de secagem dos grãos, aspecto essencial para garantir qualidade à produção, a colheita tardia facilita esse processo. Além disso, a chegada ao mercado de variedades clonais, mais produtivas, desenvolvidas por meio de pesquisas de melhoramento genético, também contribuiu para aumentar o interesse dos agricultores pela cultura”, explica o pesquisador.

Assessoria Embrapa Acre