O Conselho Regional de Medicina do Acre se posicionou sobre a decisão do governo federal de não contemplar a capital do Acre no 18º ciclo do Programa Mais Médicos. A secretaria de Saúde do Município foi comunicada oficialmente esta semana e o jornal Opinião noticiou com exclusividade que Rio Branco ficará fora do programa. A medida vai fazer com que 53 profissionais médicos que atendem nas unidades de saúde do município não tenham seus contratos renovados. Sem esses profissionais, serão 42 mil consultas a menos realizadas todos os meses na rede pública de saúde de Rio Branco ofertadas à população.
A medida do governo federal em relação ao Programa Mais Médicos atinge as cidades acima de 300 mil habitantes no Brasil. No Acre, apenas duas localidades tiveram vagas abertas no 18º ciclo do Mais Médicos, publicado no Diário Oficial da União dia 13 de maio, cujas inscrições iniciaram no último dia 27 de maio. Somente o município de Manoel Urbano e o Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Juruá poderão concorrer a novas vagas do Mais Médicos no estado, segundo informou a responsável pelo programa no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde, Leila Maria da Silva Lopes.
O Conselheiro do CRM Acre, Alan Areal avalia que essa medida pode prejudicar muito a população de Rio Branco. Ele diz que a perda de um profissional já causa preocupação, imagina a ausência de 53 que atende diariamente na rede municipal, segundo ele, essa possibilidade chega a assustar. “A posição do Conselho Regional de Medicina do Acre, que acompanha também a posição tomada pelo Conselho Federal de Medicina, é de que é preciso ter um acompanhamento desses profissionais que atuam no Mais Médicos, uma espécie de avaliação com tutores para acompanhar o trabalho desenvolvido por esses profissionais”, diz o conselheiro.
Ainda segundo Alan Areal, o Conselho Federal defende que médicos brasileiros com CRM participem do programa, inclusive porque o CRM só pode atuar e fiscalizar aquele profissional que detém o registro, que tem o seu diploma devidamente revalidado, reconhecido e registrado junto ao Conselho de Medicina.
O conselheiro do CRM no Acre defende a criação de um programa de carreira com incentivo aos profissionais médicos que vão para o interior e atuam nas cidades mais distantes, que acabam vivendo maiores dificuldades na profissão. Ele usa como exemplo o que já existe no Brasil no judiciário. “Essa é uma proposta defendida há muitos anos pelo Conselho Federal de Medicina, mas que infelizmente não foi contemplada no caso dos médicos”, relata Alan Areal.
No Acre existem atualmente aproximadamente mil médicos ativos, a maioria desses profissionais está registrada e atuando em Rio Branco, segundo informações do CRM/Acre, mas a baixa oferta de médicos no mercado, sobretudo de especialistas como pediatras, ginecologistas e obstetras, para atuar na rede pública da capital e no interior do estado é sentida pela população e destacada pelas autoridades da área de saúde a nível estadual e municipal como um dos maiores problemas hoje da gestão.
“O que o Conselho de Regional de Medicina deseja é que a população tenha cada vez mais acesso ao atendimento médico. Essa informação de que Rio Branco vai perder 53 profissionais causa uma preocupação muito grande. Quando falamos em perder um profissional já é preocupante, perder 53 chega a assustar. Até porque muitos médicos que se formam pela Universidade Federal do Acre não ficam em nosso estado, a grande maioria porque são oriundos de outros estados e preferem voltar para perto da família, ou por melhores ofertas salariais, também para buscar fazer especialidade, isso leva os profissionais a saírem do Acre, e isso é preocupante”, finalizou Alan Areal.


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