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sábado, 27 de junho de 2026
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O que significa dizer que Jesus está presente conosco até o fim do mundo?

A Sagrada Escritura relata que os últimos dias de Jesus ressuscitado junto aos seus apóstolos foram marcados por uma despedida e por uma promessa: a despedida é conhecida como ascensão (Jesus retorna para junto do Pai): “É melhor para vocês que eu vá”. A promessa é o pentecostes – o envio do Espírito Santo.

Segundo o evangelista João, Jesus diz aos apóstolos: “Para vocês, é melhor que eu vá, porque, se eu não for o Advogado não virá”. Entretanto, para eles, a partida de Jesus em nada se constituía uma notícia feliz. Eles queriam sua permanência. Tinham acostumado a viver com ele; gravitavam em torno dele, partilhando suas ações cotidianas. Deixando-os, Jesus deixa também um “vazio” no meio destes homens.

Por que seus discípulos, de ontem e de hoje, devem se alegrar, como está dito no Evangelho?

Segundo o evangelista Mateus, as palavras que Jesus diz aos discípulos no momento de deixá-los evidenciam a sua missão universal: Fazer discípulos em todas as nações. Todavia, pela sua humanidade, Jesus não pode está simultaneamente em Jerusalém e na Galiléia. Por sua humanidade, seria igualmente impossível estar no grande território ocupado pelos romanos, na Idade média ou em nossos dias.

Começamos a compreender que a humanidade de Jesus de Nazaré, que abre a porta da salvação a todos os filhos de Deus é, também, para cada homem e cada mulher, uma limitação no tempo e no espaço.

Para que todas as nações pudessem ser alcançadas, era necessário, de certa maneira, escapar à localização no tempo e no espaço. Era necessário para Jesus sair da condição humana a qual ele havia entrado. Sua partida, o vazio causado no meio de seus discípulos, é também o espaço de abertura para que o Evangelho alcance todas as nações.

Esta missão universal de alcançar todas as nações só poderá se realizar por meio da presença de Jesus, da presença de seu Espírito que Ele enviará, uma presença pessoal: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”. A partida de Jesus é a condição para que os apóstolos recebam o Seu Espírito.

Mas qual é o significado desta presença de Jesus “todos os dias até o fim do mundo”? Significa sermos habitados diariamente por um pensamento sobre Jesus? Significa que devemos ter uma veneração – quase mágica – por suas palavras?

O cristianismo não se reduz a uma “religião do livro”. Ele se caracteriza como a religião da pessoa do Cristo. Então, o que significa “estar presente todos os dias”? Significa que existem formas e modalidades desta presença. Sabemos que Jesus está presente no mundo não pela simples lembrança do que ele viveu em Nazaré, em Jerusalém, na Galiléia ou na Judéia. Ele está presente no mundo não somente por uma mensagem escrita que deve ser interpretada infinitamente. Ele está presente no mundo por uma realidade humana que todos podem ver, tocar e entender, com quem todos podem discutir.  Esta realidade humana é o seu corpo eclesial.

A realidade da presença de Cristo ressuscitado no mundo é a sua Igreja, instituída por ele como o sacramento de sua presença, ou seja, um sinal visível, humano, inteligível humanamente da realidade de sua presença na história dos homens. Eis a razão pela qual a vida da Igreja no mundo, não somente nossa pequena comunidade, é o sinal da presença de Cristo no meio da humanidade.

Assim, a divisão entre os cristãos, decorrida de condicionamentos históricos e de vaidades, é chamada a ser absorvida pelos esforços de todos para superá-la. O grande desejo contido no Evangelho, “que todos sejam um” é a grande meta de unidade da Igreja na sua função de sinal da presença de Cristo.

Por essa razão, as iniciativas, as ações, as mensagens e os programas pelas quais a Igreja realiza esta presença de Cristo no mundo têm uma importância grande: elas expressam em linguagem humanamente compreensível a ação de Cristo na história humana. Entretanto, a Igreja não é o Cristo. É um sinal de sua presença. No seu infinito amor pela humanidade, a ação de Cristo ultrapassa as fronteiras da Igreja.

 

*Padre Manoel J. M. Costa é Reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré