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sábado, 27 de junho de 2026
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Paulo Freire: O Andarílho do Óbvio.

“Não sou apenas objeto da história, mas seu sujeito igualmente. No mundo da história, da cultura, da política, constato, não para me adaptar, mas para mudar” – Paulo Freire ( Pedagogia da Indignação).

Em tempos marcados pelo avanço do obscurantismo, da ignorância e do autoritarismo, resgatar o extraordinário legado de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, a dimensão mundial que sua produção teórica e práxis alcançaram, é, acima de tudo, um ato necessário de resistência e afirmação da pedagogia ético – crítica – humanista e libertária.

Paulo Freire tem sido vítima de ataques insanos de mentes demoníacas como Jair Bolsonaro e alguns de seus seguidores. No último dia 29 de abril, durante uma Feira de Agronegócio em Ribeirão Preto, o Presidente da República, em entrevista a um canal do Youtube, defendeu a mudança do Patrono da Educação Brasileira.

Por que as ideias desse grande educador incomodam tanto os que ocupam circustâncialmente o planalto?

Várias são as razões. Mas, penso que a grandiosidade de sua obra, o Método de Alfabetização por ele criado, e, portanto, a sua compreensão teórica da história humana como possibilidade e não como determinismo, possibilitam a reflexão crítica do cotidiano. Isso ameaça os opressores.

Para ele, o saber se produz na prática social. Seu revolucionário método de alfabetização valoriza a compreensão dos adultos a partir da oralidade. A leitura do mundo pelos anos vividos na sociedade, onde o pensar ingênuo se transforma no pensar crítico. Onde ler-se as palavras lendo o mundo.

Caçado pelo regime militar de 1964 por coordenar o Programa Nacional de Alfabetização do governo João Goulart, cujo objetivo era alfabetizar 2.000.000 de pessoas em 20.000 círculos de cultura, foi exilado inicialmente no Chile, África e Suíça. Durante os 16 anos em que esteve “fora” do Brasil, desenvolveu vasta produção literária. Escreveu dois de seus mais conhecidos livros: Pedagogia do Oprimido e Educação Como Prática da Liberdade.

Numa conversa com Frei Betto, ele diz: “Para mim, o exílio foi profundamente pedagógico, quando exilado, tomei distância do Brasil, começei a compreender-me e a compreende-lo melhor” (extraído do livro Essa Escola Chamada Vida, pp. 56) In. Paulo Freire: uma bibliografia.

Foi o brasileiro mais homenageado da história, com pelo menos 35 títulos de Doutor Honóris Causa de universidades da Europa e América, membro da UNESCO no período de 1987 a 1995, além de secretário municipal de educação de São Paulo durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, 1989 a 1991.

Morreu no dia 02 de maio de 1997, aos 72 anos de idade, vítima de infarto no miocárdio. Sua densa produção intelectual permanece mais atual e recorrente, principalmente face ao iminente perigo expresso na política vigente, cuja marca é a perseguição implacável às ciências do “bem pensar”, digo Filosofia, História, Sociologia e etc. Ações como o corte de 30% de verbas das universidades públicas e a tentativa de desmonte das organizações sindicais através de Medida Provisória que impõe alterações para as contribuições sindicais, compõe o repertório do que o poeta Renato Russo classifica, em um dos seus clássicos “Metal Contra As Núvens”, de “Dias Desleais”.

Em respeito a sua trajetória, brasileiros e demais cidadãos do mundo impregnados por profundas utopias e humanismo, defenderão e resistirão a esse momento, perpetuando e afirmando que Paulo Freire está mais vivo e mais atual do que nunca!

*Márcio Batista é historiador, foi secretário municipal de educação de Rio Branco no período de  2011 a 2018. Atualmente integra o Gabinete da Deputada Federal Perpétua Almeida-PC do B/Acre.