Pesquisadores e analistas da Embrapa Acre fizeram um balanço dos primeiros doze meses de atuação do projeto “Implantação e avaliação de URTs e APL para incremento da produção leiteira familiar do Acre – TecLeite”. Entre os avanços apontados pela equipe está a conclusão de diagnóstico socioeconômico e tecnológico da atividade leiteira em comunidades rurais de Feijó, documento norteador das ações do projeto. Além de apresentar resultados alcançados, a reunião técnica discutiu estratégias de trabalho para 2017.
Iniciado em fevereiro de 2016, o TecLeite tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva do leite no Acre, por meio da transferência de tecnologias disponibilizadas em Unidades de Referência Tecnológica (URTs), implantadas em propriedade rurais que já trabalham com este segmento. As ações, executadas em parceria com produtores rurais dos municípios de Feijó, Brasileia e Plácido de Castro e Embrapa Rondônia (Porto Velho), contam com o apoio da Cooperativa de Produtores de Leite do Alto Acre (Coplac), Cooperativa de Laticínios (Coopel) e Fábrica de Latícios Nutril.
O foco principal das ações é a melhoria do padrão genético dos rebanhos, do manejo animal, qualidade das pastagens e dieta animal. Para contemplar estes aspectos as URTs contarão com um conjunto de tecnologias de fácil adoção e baixo custo, essenciais para o desenvolvimento da atividade leiteira. Paralelamente, o projeto também atua na avaliação da eficiência técnica e econômica do Arranjo produtivo Local (APL) Tarauacá-Envira, onde estão inseridos os produtores contemplados pelo projeto.
Segundo o analista Bruno Pena, líder do projeto, o processo de adoção de tecnologias no campo, especialmente em áreas rurais da Amazônia, é lento e depende de fatores estruturais, econômicos e culturais. “É um trabalho de convencimento dos produtores que, no início, geralmente se mostram resistentes ao processo de mudança. Por isso, tivemos o cuidado de escolher áreas com acesso durante o ano todo para que as URTs funcionem como uma espécie de escola para produtores e profissionais ligados ao segmento pecuário. Assim, essas estruturas poderão contribuir para facilitar o acesso a conhecimentos tecnológicos necessários para uma pecuária leiteira mais sustentável”, explica.
Cenário
De acordo com dados do IBGE, no Acre a produção anual de leite é de 600 litros/vaca, produtividade bem inferior à média nacional de 1.400 litros/vaca/ano. Estudos realizados pela Embrapa demonstram que entre as principais limitações deste segmento produtivo no Estado estão a baixa aptidão leiteira das matrizes e a deficiência nutricional da dieta bovina devido à baixa qualidade da forragem ocasionada, principalmente, pela degradação das pastagens.
Dados do Diagnóstico Socieconômico realizado com produtores rurais de Feijó, beneficiados pelo projeto TecLeite, concluído em 2016, confirmam que além do baixo nível tecnológico dos rebanhos e das pastagens, outros aspectos influenciam o desempenho dos sistemas locais de produção de leite. Segundo o analista da Embrapa Acre, Márcio Bayma, responsável pela condução do estudo, questões econômicas, estruturais e culturais, além da insuficiência dos serviços de assistência técnica e extensão rural, contribuem para este cenário de escassez tecnológica na pecuária leiteira acreana.
“Muitas comunidades rurais ainda não contam com rede de energia elétrica estável, fator que dificulta o uso de tanque de resfriamento e ordenhadeira mecânica. Além disso, as grandes distâncias em relação ao centro urbano e as péssimas condições de acesso a estas localidades e a necessidade de acompanhamento técnico efetivo também são determinantes dessa situação”, afirma Bayma.
No Acre a pecuária de leite é uma atividade realizada predominantemente por agricultores familiares e representa uma importante fonte de renda. Há vário anos a Embrapa investe em pesquisas para melhoria deste segmento produtivo. Como parte desse esforço, lançou a Pasta do Produtor de Leite Acreano, em 2009, ferramenta que reúne as principais tecnologias para este segmento produtivo, com orientações e recomendações técnicas para o seu uso. Em 2014 publicou o Sistema de Produção de Leite a Pasto para o Estado, composto um conjunto de tecnologias para a alimentação bovina, genética, infraestrutura e boas práticas de produção, com potencial de adoção em larga escala pelos produtores acreanos.


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