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sábado, 18 de julho de 2026
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Jorge Viana fala sobre esporte, política, agronegócio, segurança pública em entrevista exclusiva

Por Tião Vitor

Afastado da política desde fevereiro quando deixou o Senado da República depois de um mandato de oito anos, Jorge Viana recebeu a equipe do JORNAL OPINIÃO para falar um pouco de tudo, do esporte que agora é adapto, as corridas de rua, ao seu futuro político, passando por assuntos mais ácidos, como a possibilidade de deixar o Partido dos Trabalhadores (PT) e uma possível candidatura à prefeitura de Rio Branco no ano que vem. Viana também fez críticas ao governo de seu irmão Tião, que teria abandonado algumas das obras mais importantes do Acre, como a Biblioteca da Floresta, entre outros.

Abaixo, transcrevemos os principais pontos dessa entrevista. O restante estará disponibilizado, em vídeo, a partir das 6 horas da manhã desta segunda-feira, 22, no site jornalopiniao.net.

A casa dos sonhos

Jorge Viana inicia a entrevista falando da casa em que reside desde 1985, localizada no condomínio Ipê. A casa foi construída utilizando elementos simples para sua decoração. É possível encontrar detalhes em paxiúba, tijolo maciço feito à mão, madeira de lei de vários tipos de árvores encontradas na floresta da região. A arquitetura também valoriza grandes espaços abertos, dispensando equipamentos de refrigeração.

“É preciso explicar o que é uma casa fantástica. Pra mim, é mergulhar no simples. O simples é que é o sofisticado. E tudo tem que ser assim”, disse. “Essa casa foi uma reformulação da primeira que tinha aqui e ela tem área de paxiúba, o piso é de jatobá, não tem ar-condicionado na sala, não tem piscina, mas é uma casa que traz todos os valores que preso”.

Abandono das coisas públicas

Pegando o gancho das coisas feitas com esmero como a casa que habita, Jorge Viana, que já foi prefeito de Rio Branco e governador do Acre por dois mandatos, disse que ninguém sofreu mais do que ele quando passa em locais e vê locais que antes estavam cheios de flores, que haviam sido construídos com carinho, abandonados.

“Eu lembro bem que as pessoas saiam de casa nos fins de semana para ver as obras que a gente estava fazendo. Então, me corta o coração quando eu vejo uma Biblioteca da Floresta do jeito que está. Ela acabou de ganhar um prêmio e está entre as cinco melhores bibliotecas do Brasil, mas a foto da biblioteca que ganhou o prêmio não é mais essa que a gente tem. Sinto muito, não estou acusando ninguém, mas ela está abandonada há muito tempo.”

Aula de Mestrado e MBA

Jorge Viana revelou que vai atuar na área educacional. Ele disse ter sido convidado para ministrar Mestrado e MBA na área de gestão em Brasília. “Eu não posso perder as oportunidades de trabalho”.

Jorge Viana, o maratonista

Em um dos cômodos da casa, Jorge Viana montou um painel onde exibe dezenas de medalhas obtidas em competições que participou. “Eu corro e gosto de correr faz muito tempo”, afirmou.

“O esporte de correr é algo que estou nele faz um bom tempo, e agora tem um monte de gente fazendo, é uma corrida em busca de qualidade de vida. A corrida de rua é algo que me anima, me ajuda e esse é um esporte que dá sempre pra gente ganhar, porque depende só da gente.”

Questionado se tem interesse de participar de uma edição da São Silvestre, Viana explicou que a prova que ocorre sempre no último dia do ano, em São Paulo, coincide com o aniversário de sua mãe, por isso não pode participar.

Candidato a prefeito em 2020?

Há muitas especulações sobre o futuro político de Jorge Viana. Uma dessas daria conta de que ele seria o candidato à Prefeitura de Rio Branco. Ele não nega, nem admite. Lembra, porém, que acabou de sair de uma eleição onde saiu derrotado na tentativa de reeleição ao Senado.

“Nós fomos muito mal nas eleições. Temos que admitir isso. Temos que nos reinventar. Precisamos reestabelecer um diálogo verdadeiro com a sociedade, com a juventude e com os desafios do mundo no presente.”

O ex-senador confessou haver um acordo com os ex-prefeitos da capital Marcus Alexandre e Raimundo Angelim, este último também ex-deputado federal, para que nenhum faça carreira separados, que permaneçam juntos.

Sua afirmação levou a uma nova questão: esse acordo envolveria a candidatura de Marcus Alexandre ao Governo do Acre em 2022 em dobradinha com Angelim para o Senado?

Em resposta, Viana sorriu e lembrou da piada que envolve o técnico Feola, da Seleção Brasileira de 1958, e o craque Garrincha. Na partida contra a União Soviética, Feola explica a Garrincha sua estratégia que serial Nilton Santos lançar, pela esquerda, a boa a ele que precisaria apenas driblar três russos e cruzar para Mazzola marcar de cabeça. Garrincha teria respondido ao professor: “Tá legal, seu Feola. Falta apenas a gente combinar com os russos!”.

Saída do PT

Desde as eleições que um dos principais assuntos das rodas de discussão política é a suposta saída de Jorge Viana do PT, juntamente com Marcus Alexandre e Raimundo Angelim. Perguntado da possibilidade de trocar de partido, o ex-senador se mostra evasivo. Inicialmente, ele faz uma análise de conjuntura, abordando as situações que resultaram na prisão do ex-presidente Lula, comenta sobre os erros cometidos pelo seu partido nos últimos anos, especificamente, nas eleições do ano passado e acaba por não responder. Contudo, seus argumentos poderiam muito bem serem usados como justificativa para a saída.

3,8 bi de dívidas do Estado procede?

A reportagem quis saber de Jorge Viana sua opinião sobre as afirmações do governador Gladson Cameli e sua equipe sobre a suposta dívida de R$ 3,8 bilhões deixada pelo governo anterior. Jorge sugere que falta planejamento do atual governo para trabalhar durante todo o mandato. “O governo vive do que faz, não do que fala”.

E a despetização?

“Eu acho isso uma perda de tempo. Uma coisa grave. Qualquer pessoa que tem a menor noção de administração pública não estaria tratando disso”. É com essas frases que Jorge Viana comenta a chamada política de despetização empregada pelo governo de Gladson Cameli nos primeiros dias de seu mandato.

Jorge lembrou que sucedeu Orleir Cameli, ex-governador já falecido, que vem ser tio de Gladson, e garante não ter questionado ninguém que teria trabalhado para ele durante seu mandato. “Eu falei foi pra ele: ‘Eu vou tocar daqui pra frente’”

Viana também afirma que a tal despetização é cheia de contradições, pois Gladson teria chamado o ex-petista Ney Amorim, que teria concorrido ao Senado ao lado de Jorge Viana nas eleições de 2018, para ser seu articulador político.

“Que combate ao PT é esse? Seria só para o andar de baixo?”

Opção do governo pelo agronegócio

O ex-governador Jorge Viana não se mostra contrário ao agronegócio proposto pelo governo de Gladson Cameli como a redenção da economia acreana. E cita que em seu governo e nos demais da Frente Popular houveram diversas experiências exitosas nesse campo, entre elas, o plantio de soja do empresário Jorge Moura, visitado recentemente por Gladson e sua equipe de produção. Ele elogia a pecuária acreana, garantindo ser esta de excelência, fruto de um trabalho intenso dos pecuaristas do Estado. No entanto, alerta: “Não é assim da noite para o dia. Não vendam ilusões”.

Jorge Viana também lembrou que grandes estados produtores, como o Mato Grosso, considerado o celeiro do Brasil, pediu falência. Ele considera que a culpa disso não é má-gestão, como foi afirmado por Gladson Cameli em entrevista ao OPINIÃO na semana passada. O mesmo ocorre em Goiás e em outros Estado.

Para Jorge Viana, o correto seria uma associação entre floresta, lavoura e pecuária. “Isso é o que há de mais moderno”.

Ferrovia em parceria com a China

Enquanto senador, Jorge Viana, fazia parte de uma comissão mista do Senado e da Câmara para intermediar a construção de uma ferrovia que seria financiada pela China. A ferrovia sairia do sudeste do Brasil, passando pelo Centro-Oeste, passando pelo Norte, especificamente pelo Acre, e seguiria até os portos do Peru no Pacífico.

Segundo Viana, a ideia dessa rodovia foi abandonada pelo governo federal logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“A China quer financiar uma ferrovia pagando R$ 50 bilhões. A Dilma firmou o acordo e, na crise política, isso foi abandonado. Isso será, será porque vai ser feito um dia, a redenção para o Acre, para a Amazônia e para todos.”

Crise de violência

Jorge Viana, quando assumiu o governo em 1999, pegou o Estado em crise na área de segurança pública. Na época, esquadrões da morte agiam todos os dias, o crime organizado amedrontava a sociedade e a corrupção estava impregnada na administração pública. Até o fim daquele mandato, o Acre estava estabilizado com os índices de violência reduzidos sensivelmente.

Agora, nessa entrevista, ele é convidado a opinar sobre o momento em que o Acre vive, com o domínio das facções criminosas. Ele relata um pouco do que fez naqueles anos do fim do século passado e nos primeiros anos do atual, sugere o endurecimento da legislação e uma união das instituições com a sociedade.