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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Audiência pública na Câmara discute contaminação de açaí

Audiência pública na Câmara discute contaminação de açaí

A Câmara de Rio Branco realiza na manhã desta segunda-feira, 11, uma audiência pública para discutir a contaminação de amostras de açaí por fezes do mosquito barbeiro, transmissor da doença de chagas. As amostras foram encontradas pela Vigilância Municipal em alguns comércios do mercado Elias Mansour, há cerca de um mês. Desde então, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) fez solicitação para que as pessoas que consumiram o produto adquirido naquele mercado, procurem as unidades de saúde para fazer exames específicos.

A convocação da audiência foi feita pelo vereador Artêmio Costa (PSB), durante sessão na Câmara de Rio Branco, na manhã de terça-feira, 5. Sua intenção é buscar o fortalecimento das ações de fiscalização do açaí produzido no estado.

“A notícia de que o produto estava contaminando as pessoas causou grande nervosismo entre a população. Nesse sentido, acho de extrema importância suscitar um debate mais aprofundando a fim de se evitar que situações como essa voltem a se repetir”.

Fiscalização e controle

Artemio cobrou ainda medidas mais enérgicas da Vigilância Sanitária. “A fiscalização e controle deve ser intensa, afinal de contas, o que está em jogo é a saúde da nossa população”, disse ao orientar ainda ao consumidor verificar a procedência do alimento antes de adquiri-lo. “O consumidor, antes de comprar algum alimento, deve verificar se o local tem alvará sanitário. Mas sabemos que ainda assim existe o risco, por isso que defendo uma maior fiscalização por parte do órgão”.

Mais de mil já fizeram exames

A convocação feita pelas autoridades de Saúde municipal surtiu o efeito desejado. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Otoniel Almeida, até a tarde da sexta-feira, 08, mais de mil pessoas já tinha colhido material para os exames que podem detectar a presença do Trypanosoma cruzi, um parasita que é encontrado nas fezes do mosquito barbeiro.

“Os exames estão sendo feitos em todas as pessoas que consumiram o açaí do mercado. Os resultados devem ficar prontos em poucos dias. Aquelas pessoas que, por ventura, foram infectadas, as encaminharemos para o tratamento adequado o mais rápido possível”, garantiu Otoniel.

O que é Doença de Chagas?

Doença de chagas é uma inflamação causada por um parasita encontrado em fezes de insetos. É bastante comum em países da América do Sul, América Central e no México. Alguns casos da doença já foram identificados nos Estados Unidos também.

A doença de Chagas também é conhecida como tripanossomíase americana e chaguismo. Recebeu esse nome graças ao seu descobridor, o médico brasileiro Carlos Chagas – indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.

No Brasil, cerca de três milhões de pessoas estão infectadas com a Doença de Chagas. A boa notícia é que esse número corresponde somente a pessoas que foram infectadas no passado e que continuam com o tratamento da doença. Em 2006, o Brasil recebeu o certificado internacional de interrupção da transmissão da doença. Isso se deu graças a ações sistematizadas e bem-sucedidas de controle químico instituídas a partir de 1975, época em que a área endêmica da Doença de Chagas cobria 18 estados nacionais e mais de 2.200 municípios. Hoje, a transmissão da doença não se dá mais por meio do contato direto do parasita, mas principalmente pelo contato indireto – por meio da ingestão de alimentos contaminados com fezes do parasita ou com o inseto que contenha este parasita, por exemplo.

Causas

A Doença de Chagas é transmitida pelo Trypanosoma cruzi, um parasita da mesma família do tripanosoma africano, responsável pela doença do sono. O parasita pode ser encontrado nas fezes de alguns insetos, principalmente um conhecido como barbeiro, e é um dos maiores problemas de saúde na América do Sul, América Central e também do México. Devido à imigração, a doença também afeta pessoas em outros continentes atualmente.

É possível contaminar-se também com a doença a partir da ingestão de alimentos crus e contaminados com fezes do parasita, da transfusão de sangue ou transplantes de órgãos contaminados com a doença, do contato direto com o parasita e com outros animais que estejam infectados. A Doença de Chagas também pode ser congênita, no caso de mães infectadas que transmitem esse mal para o filho durante a gravidez.

Com informações da Câmara de Rio Branco e portal Minha Vida