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quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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De rachadinha a financiamento de filme: casos envolvendo Flávio Bolsonaro voltam ao debate eleitoral

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta questionamentos sobre sua atuação na negociação de recursos para o filme Dark Horse, produção sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro. O episódio se soma a controvérsias anteriores, como o caso das chamadas rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Investigação sobre o financiamento de Dark Horse

O caso mais recente envolve a negociação de recursos para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga Flávio por suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no contexto das tratativas com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo informações divulgadas durante a investigação, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. Documentos analisados pelos investigadores também indicam trocas de mensagens, encontros e cobranças relacionadas aos pagamentos. Uma das linhas de apuração busca esclarecer se parte dos recursos teria sido destinada a despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio confirmou ter procurado Vorcaro em busca de financiamento, mas nega irregularidades. O senador afirma que buscava investimento privado para a produção cinematográfica e defende a divulgação dos documentos da investigação. A abertura de um inquérito, por si só, não comprova a prática de crimes.

O caso das rachadinhas

Antes da investigação sobre o filme, Flávio já havia sido alvo de apuração por suspeitas de participação em um esquema de rachadinha no período em que era deputado estadual no Rio de Janeiro. A prática consiste na retenção de parte dos salários de assessores parlamentares.

O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou o ex-assessor Fabrício Queiroz como figura central nas movimentações financeiras investigadas. A apuração também levantou suspeitas sobre depósitos em dinheiro vivo e transações relacionadas a imóveis e a uma franquia de chocolates da qual Flávio era sócio.

O caso, porém, teve desdobramentos judiciais importantes. O Supremo Tribunal Federal anulou provas financeiras utilizadas na investigação, e a denúncia contra o senador foi rejeitada em 2022. Uma tentativa posterior de retomar medidas investigativas também foi barrada pela Justiça. Portanto, as suspeitas não podem ser apresentadas como condenação ou comprovação de culpa.

O peso dos casos na disputa eleitoral

A repercussão dessas investigações pode se tornar um tema da campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente em uma eleição marcada pela polarização política. Adversários podem explorar os episódios para questionar a transparência do candidato, enquanto seus apoiadores podem considerar as acusações politicamente motivadas ou insuficientes para mudar o voto.

O caso Dark Horse tem uma característica diferente do episódio das rachadinhas: trata-se de uma investigação em andamento sobre negociações de financiamento, enquanto o procedimento criminal anterior foi encerrado após decisões judiciais que invalidaram provas. Essa distinção é importante para que os dois episódios sejam avaliados sem confundir suspeitas atuais com acusações antigas que não resultaram em condenação.

Não é possível afirmar antecipadamente que os casos provocarão uma alteração significativa nas intenções de voto. O impacto eleitoral dependerá da evolução da investigação sobre o financiamento do filme, das explicações apresentadas pelo candidato e da importância que os eleitores atribuírem aos episódios na escolha presidencial.