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sábado, 19 de setembro de 2026
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Reino Unido amplia preparação para conflitos no espaço em meio à disputa militar entre potências

O Reino Unido avalia ampliar suas capacidades de defesa e atuação militar no espaço diante do aumento das tensões entre grandes potências. Entre as tecnologias consideradas estão recursos de guerra eletrônica, energia dirigida e operações cibernéticas, que poderiam ser empregados para proteger sistemas espaciais britânicos ou interferir em equipamentos de adversários durante um eventual conflito.

A discussão ocorre em meio ao desenvolvimento de capacidades militares espaciais por Estados Unidos, Rússia e China. Especialistas ouvidos pelo jornal britânico The Sun alertam para a possibilidade de que disputas entre essas potências também se estendam ao ambiente orbital.

Como o Reino Unido poderia atuar em um conflito espacial

Para Mark Hilborne, professor sênior de Estudos de Defesa do King’s College London, um eventual conflito no espaço poderia envolver principalmente técnicas de guerra eletrônica e interferência.

Entre as possibilidades citadas estão sistemas de energia dirigida capazes de interferir temporariamente em sensores de satélites. Ataques cibernéticos também poderiam ser utilizados contra sistemas e infraestruturas relacionadas às operações espaciais.

Essas tecnologias fazem parte de uma mudança na forma como os países avaliam a segurança de suas redes espaciais. Satélites são utilizados atualmente para atividades como comunicação, navegação, observação da Terra e apoio a operações militares.

Estratégia espacial britânica

O governo do Reino Unido já estabeleceu o fortalecimento de suas capacidades espaciais como uma das prioridades estratégicas do país.

Em sua Estratégia Espacial, o governo britânico afirma que o espaço atravessa uma nova fase, marcada tanto pelo crescimento da atividade comercial quanto pelo aumento das ameaças associadas à disputa geopolítica na Terra.

O documento defende uma integração maior entre as áreas civil e de defesa, além do fortalecimento da resiliência e da proteção dos interesses considerados estratégicos pelo Reino Unido.

A estratégia também prevê direcionar investimentos para tecnologias e capacidades consideradas importantes para a segurança nacional e para reduzir vulnerabilidades relacionadas à dependência de sistemas espaciais.

Estados Unidos confirmam armas em órbita

A discussão ganhou força depois que o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, afirmou na segunda-feira (14) que o país possui armas espaciais posicionadas em órbita.

Meink não revelou detalhes sobre os equipamentos nem informou quais capacidades estão envolvidas. Segundo ele, os sistemas seriam necessários para proteger os Estados Unidos contra possíveis ataques de adversários e preservar a capacidade de defesa do país também no espaço.

A declaração ocorreu durante um período de maior exposição pública das discussões sobre ameaças em órbita e estratégias militares relacionadas ao espaço.

Rússia e China também são citadas

Washington acusa há anos Rússia e China de desenvolver capacidades capazes de ameaçar satélites norte-americanos em um eventual conflito. Os dois países, por sua vez, também possuem programas espaciais e militares próprios.

A preocupação das potências está relacionada principalmente à dependência crescente de satélites para comunicação, navegação, inteligência e operações militares.

Em um cenário de conflito, sistemas espaciais poderiam ser alvos de diferentes tipos de ações, incluindo interferência eletrônica, ataques cibernéticos e tecnologias destinadas a impedir temporariamente o funcionamento de sensores ou comunicações.

O avanço dessas capacidades aumenta a importância estratégica do espaço, ao mesmo tempo em que governos buscam desenvolver mecanismos para proteger satélites e outras infraestruturas consideradas essenciais.