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quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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Super El Niño pode atingir intensidade muito forte em 2026, aponta NOAA

A possibilidade de o El Niño alcançar uma intensidade muito forte entre setembro e dezembro de 2026 chegou a 95%, segundo uma nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada nesta quinta-feira (10). A projeção levou a Defesa Civil de Santa Catarina a reforçar o acompanhamento da evolução do fenômeno e dos possíveis impactos no Estado.

Na Região Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer períodos com maior frequência e volume de chuva. O fenômeno vem se intensificando desde o inverno e já apresenta características de um evento forte.

Temperatura do Pacífico chega a 1,8°C acima da média

Um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o El Niño é a região do Niño 3.4, localizada no Oceano Pacífico. A média registrada em agosto apontou uma anomalia de 1,8°C, de acordo com a NOAA.

Esse valor coloca o fenômeno atualmente na categoria de El Niño forte. A agência norte-americana, porém, estima em 75% a probabilidade de que o evento alcance uma intensidade considerada histórica, potencialmente entre as maiores já observadas desde 1950.

Como a intensidade do El Niño é calculada

A classificação não é definida a partir da temperatura registrada em apenas um dia ou em uma semana. Segundo o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra, são considerados os valores médios das anomalias da temperatura do mar durante o mês, além da permanência do aquecimento.

A análise também leva em conta o comportamento da atmosfera. Para que o fenômeno seja caracterizado como El Niño, o aquecimento do Pacífico precisa estar acompanhado por alterações persistentes nos ventos, na convecção atmosférica e na distribuição das chuvas.

Pela escala utilizada para classificar o fenômeno, a anomalia entre 0,5°C e 0,9°C corresponde a um El Niño fraco. Entre 1°C e 1,4°C, a classificação é moderada. De 1,5°C a 1,9°C, o evento é considerado forte. Acima de 2°C, passa para a categoria muito forte.

No boletim semanal divulgado pela NOAA na segunda-feira (7), o Niño 3.4 continuava com anomalia de 1,8°C. Assim, embora o índice ainda esteja dentro da faixa de El Niño forte, as projeções indicam uma possibilidade elevada de avanço para a categoria muito forte nos próximos meses.

Fenômeno pode chegar à categoria de Super El Niño

Para Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil catarinense, a mudança de categoria pode ocorrer em pouco tempo.

“É muito provável que nas próximas semanas ou no próximo mês ele já entre na categoria de um El Niño muito forte, que é considerado um ‘Super El Niño’”, afirmou.

Apesar da intensidade prevista, o especialista ressalta que a classificação do fenômeno não significa que desastres naturais ocorrerão automaticamente ou na mesma proporção.

Rudorff lembra que as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 aconteceram durante um El Niño moderado e tiveram impactos superiores aos registrados em 2015, quando o fenômeno apresentou uma das maiores intensidades já observadas.

La Niña também já esteve associada a eventos extremos

O histórico climático mostra ainda que episódios severos não estão restritos aos períodos de El Niño. O fenômeno oposto, conhecido como La Niña, também já esteve associado a eventos extremos na Região Sul.

Entre os exemplos citados pela Defesa Civil estão as catástrofes climáticas registradas em 2008, as inundações no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020, ocorridos durante períodos de atuação da La Niña.

Por isso, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém o monitoramento contínuo das condições do Oceano Pacífico e da atmosfera, acompanhando a evolução do El Niño e os possíveis reflexos sobre o regime de chuvas e o tempo severo na Região Sul.