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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Motorista de aplicativo aciona polícia após passageira relatar violência doméstica em Florianópolis

Uma corrida de aplicativo terminou com uma denúncia de violência doméstica em Florianópolis na madrugada do último domingo (30). O motorista Jordan Horn decidiu procurar as autoridades depois que uma passageira contou ter sido vítima de violência psicológica e mencionou episódios anteriores de agressão física cometidos pelo ex-marido.

Horn é conhecido na capital catarinense por manter um karaokê dentro do veículo e produzir vídeos das corridas para as redes sociais. O conteúdo publicado por ele reúne mais de 300 mil seguidores, e parte da conversa com a passageira acabou registrada durante o trajeto.

Passageira estava abalada e preocupada com os filhos

Durante a viagem, a mulher aparece bastante emocionada e afirma que não conseguia falar sobre o que havia acontecido. Ao perceber a situação, o motorista perguntou se ela havia sido agredida e ofereceu ajuda.

Segundo o relato apresentado na gravação, a passageira afirmou ter sofrido violência psicológica e contou que já havia sido vítima de agressões físicas anteriormente.

Ela também demonstrou preocupação com os filhos mais velhos e medo de que uma eventual denúncia pudesse trazer consequências para eles. Horn tentou convencê-la a buscar ajuda e perguntou se deveria chamar a polícia, mas a mulher inicialmente não autorizou.

Motorista chamou a polícia depois que ela entrou em casa

Após deixar a passageira na residência, o motorista decidiu entrar em contato com as autoridades. Durante a ligação, explicou que havia transportado uma mulher que relatara violência doméstica e que ela estava emocionalmente muito abalada.

Horn informou ainda que possuía imagens da corrida e forneceu o endereço onde a passageira havia desembarcado.

De acordo com o motorista, a Polícia Militar explicou que não seria possível enviar uma viatura naquele momento porque não havia uma agressão ou ameaça ocorrendo no local que caracterizasse uma situação de flagrante.

Em casos que não envolvem uma agressão em andamento, a orientação é procurar a Polícia Civil para registrar a ocorrência e buscar as medidas de proteção cabíveis.

Denúncia também foi encaminhada ao Disque 180

Depois da ligação para a polícia, Horn também procurou o Disque 180, serviço do governo federal destinado ao atendimento, acolhimento, orientação e recebimento de denúncias relacionadas à violência contra mulheres.

O motorista afirmou que conseguiu tranquilizar a passageira durante a corrida, mas ela preferiu seguir até a própria residência.

Motorista quer incentivar outras vítimas a denunciar

Ao divulgar o episódio nas redes sociais, Horn afirmou que pretende chamar atenção para a importância de denunciar casos de violência contra mulheres.

Para ele, a violência não precisa necessariamente envolver agressão física para ser grave. Abusos psicológicos também devem ser denunciados e enfrentados, segundo o motorista.

“Qualquer ato de violência, agressão, pode ser psicológica ou física, tem que ser denunciado de qualquer forma”, afirmou.

Horn também orientou mulheres que estejam passando por situações semelhantes a procurar o Disque 180 ou os serviços especializados existentes em seus municípios.

Lei Maria da Penha reconhece violência psicológica

A Lei Maria da Penha estabelece a violência psicológica como uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Esse tipo de violência pode envolver comportamentos capazes de provocar danos emocionais, redução da autoestima, constrangimento ou controle sobre as ações, comportamentos e decisões da vítima.

Como pedir ajuda

O Disque 180 pode ser utilizado para obter orientação e fazer denúncias relacionadas à violência contra a mulher.

Em situações de emergência, especialmente quando uma agressão estiver acontecendo ou houver risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.