O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que pretende adotar as providências necessárias após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um número associado ao ministro Alexandre de Moraes.
Em manifestação sobre o caso, Fachin afirmou que os fatos precisam ser tratados com “serenidade, responsabilidade e firmeza” e ressaltou que ocupar um cargo no Supremo não garante privilégios, mas aumenta os deveres e responsabilidades de quem exerce a função.
Presidente do STF diz que caso terá encaminhamento institucional
Fachin afirmou que situações consideradas de especial gravidade exigem a preservação da integridade institucional do Supremo, da autoridade de suas decisões e da confiança da sociedade na Corte.
Segundo o ministro, os indícios apresentados precisam receber o encaminhamento adequado dentro das instituições responsáveis. Ele também afirmou que o episódio envolve tanto aspectos relacionados à atuação processual quanto elementos que precisam ser analisados sob a perspectiva dos fatos.
O presidente do STF informou que, depois da avaliação das informações e do cumprimento dos procedimentos institucionais, serão anunciadas as medidas consideradas cabíveis e necessárias.
Fachin ressaltou que as providências serão tomadas no momento apropriado, sem antecipação ou precipitação.
“Cargo não confere privilégios”, afirma Fachin
Na manifestação, o presidente do Supremo destacou que a autoridade associada ao cargo não representa autorização para tratamento privilegiado.
De acordo com Fachin, a função exercida por um ministro impõe deveres, limites e responsabilidades que devem ser observados em conformidade com a Constituição, as leis e as normas internas do próprio tribunal.
A declaração ocorre em meio à repercussão das mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes antes da prisão do banqueiro.
PF aponta envio de mensagens antes da prisão de Vorcaro
Segundo a investigação da Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria enviado pelo menos 28 mensagens a um número atribuído a Alexandre de Moraes na semana anterior à sua prisão, ocorrida em novembro de 2025.
Conforme os investigadores, o banqueiro teria buscado contato com o ministro para tratar de questões relacionadas ao Banco Master, além de demonstrar preocupação com a atuação do Banco Central.
Em uma das mensagens, Vorcaro teria perguntado se Moraes poderia tentar conversar com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, na tentativa de sensibilizá-lo sobre a situação.
Mensagens levantam suspeita sobre tentativa de interferência
A apuração da PF indica que Vorcaro poderia estar tentando utilizar a proximidade com o ministro para reduzir a pressão de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os investigadores também apontam que algumas das conversas demonstrariam que o banqueiro tinha conhecimento de que as autoridades estavam ampliando o cerco contra ele.
Em determinado momento, segundo a investigação, Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil.
Conversas teriam sido enviadas como imagens
De acordo com a Polícia Federal, as mensagens não foram recuperadas diretamente de uma conversa convencional no aplicativo.
A investigação aponta que Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
Os investigadores afirmam que Moraes também teria respondido utilizando o mesmo procedimento. O método teria dificultado a recuperação direta do conteúdo das conversas.
Fachin deverá anunciar próximos passos
Diante da repercussão do caso, Fachin afirmou que o Supremo seguirá os procedimentos institucionais antes de definir quais medidas serão adotadas.
A manifestação do presidente da Corte ocorre enquanto as informações levantadas pela investigação da Polícia Federal passam a gerar novos questionamentos sobre os contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e sobre possíveis implicações institucionais do episódio.


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