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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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PF apreende ‘canetas emagrecedoras’ irregulares e investiga venda clandestina de medicamentos

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (2) uma operação para investigar um esquema de importação, armazenamento e comercialização irregular de medicamentos e peptídeos no Distrito Federal. A ação mira produtos divulgados principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.

Entre as substâncias encontradas durante as investigações estão a tirzepatida e a retatrutida, compostos que ganharam espaço em anúncios relacionados ao emagrecimento. Enquanto a tirzepatida integra medicamentos autorizados no Brasil, a retatrutida ainda não recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização.

Operação investiga entrada irregular de produtos no Brasil

Batizada de Operação Dose Oculta, a ação cumpriu um mandado de busca e apreensão determinado pela Justiça Federal em um endereço ligado ao investigado.

A apuração pretende esclarecer onde os produtos eram adquiridos, de que maneira chegavam ao território brasileiro e qual era a dimensão do comércio realizado.

Segundo as informações reunidas pela investigação, parte dos produtos teria sido comprada no exterior, especialmente nos Estados Unidos, e posteriormente introduzida no Brasil sem o cumprimento dos procedimentos de importação e sem a autorização sanitária exigida.

Produtos eram divulgados pelas redes sociais

Os investigadores identificaram anúncios e ofertas realizados por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Entre os itens comercializados estavam produtos contendo tirzepatida, retatrutida e outros peptídeos sem registro ou autorização para venda no país.

A comercialização fora dos canais autorizados preocupa as autoridades porque produtos sem fiscalização podem apresentar problemas relacionados à composição, concentração dos princípios ativos, armazenamento e condições de fabricação.

Tirzepatida é usada em medicamentos autorizados

A tirzepatida é uma substância aprovada no Brasil e está presente em medicamento autorizado pela Anvisa. O princípio ativo é utilizado pela farmacêutica Eli Lilly no Mounjaro, indicado para situações previstas em bula, incluindo o tratamento do diabetes tipo 2 e o controle do peso.

A substância atua simultaneamente sobre os receptores hormonais GLP-1 e GIP. Entre seus efeitos estão o auxílio no controle da glicose, o retardamento do esvaziamento do estômago e o aumento da sensação de saciedade.

Isso não significa, entretanto, que qualquer produto vendido como tirzepatida seja regular. Versões importadas de maneira clandestina, manipuladas ou comercializadas sem autorização sanitária não possuem a mesma garantia de um medicamento registrado.

Retatrutida ainda está em desenvolvimento

A investigação também envolve a retatrutida, substância que ainda está sendo estudada e não possui autorização para ser comercializada como medicamento no Brasil.

O composto vem sendo avaliado em pesquisas clínicas por atuar sobre três vias metabólicas: GLP-1, GIP e glucagon. Por essa característica, a substância é estudada como uma possível alternativa futura para o tratamento da obesidade e de outras alterações metabólicas.

A venda de produtos contendo retatrutida fora das condições autorizadas pela pesquisa científica não é permitida. A ausência de controle sanitário também aumenta as incertezas sobre a segurança e a qualidade dos produtos oferecidos no mercado clandestino.

Outros peptídeos também estão sob investigação

Além das duas substâncias, a Polícia Federal apura a comercialização de outros peptídeos. Produtos desse tipo podem aparecer em anúncios relacionados a emagrecimento, estética, aumento de massa muscular, redução de gordura corporal e supostos tratamentos antienvelhecimento.

Quando não há registro, fiscalização e controle de qualidade, o consumidor não tem garantia de que o produto contenha exatamente a substância ou a quantidade informada no anúncio. Também existem riscos relacionados à pureza, esterilidade, conservação e procedência.

PF apreendeu medicamentos, documentos e equipamentos

Durante o cumprimento das medidas judiciais, os agentes buscaram recolher medicamentos e substâncias comercializadas irregularmente, além de equipamentos eletrônicos, documentos e registros relacionados às vendas.

O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores e poderá contribuir para identificar a origem dos produtos, os responsáveis pela comercialização e o tamanho da atividade investigada.

Investigação apura possíveis crimes contra a saúde pública

A Operação Dose Oculta apura possíveis crimes relacionados à entrada e à venda irregular de medicamentos e outras substâncias no país.

De acordo com a Polícia Federal, as condutas investigadas podem configurar crimes contra a saúde pública, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas durante o avanço das investigações.

A operação foi realizada no Distrito Federal e busca interromper a circulação de produtos comercializados fora das regras sanitárias e esclarecer a estrutura responsável pela atividade clandestina.