Uma estudante de Direito de 22 anos foi presa pela Polícia Civil do Distrito Federal suspeita de participar de um esquema de fraudes financeiras. O caso chamou a atenção dos investigadores porque a jovem mantinha perfis nas redes sociais nos quais oferecia consultorias, cursos e mentorias voltados justamente à prevenção de golpes na internet.
Segundo a investigação, a estudante utilizava a imagem de autoridade construída nas redes sociais para conquistar a confiança de possíveis vítimas. Em vez de ajudá-las a evitar fraudes, porém, ela teria usado a proximidade para obter dados, receber pagamentos e praticar os crimes investigados.
A prisão ocorreu durante a Operação Reflexo, realizada pela 8ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal em parceria com a Polícia Civil de São Paulo. A suspeita e o namorado foram localizados e presos em São Paulo.
As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Metrópoles. A reportagem não localizou a defesa da estudante. O espaço permanece aberto para manifestação.
Como funcionava a suposta consultoria “antigolpe”
De acordo com a investigação, a estudante utilizava as redes sociais para divulgar serviços destinados a pessoas interessadas em se proteger contra fraudes e resolver problemas financeiros.
Segundo a polícia, a estratégia teria servido para criar uma imagem de credibilidade e aproximar a investigada de potenciais vítimas. Depois de estabelecer contato, ela teria solicitado informações confidenciais ou pagamentos antecipados sob o argumento de que prestaria serviços de consultoria.
Entre os serviços anunciados estavam orientações relacionadas ao desbloqueio de contas bancárias que haviam sido suspensas por suspeita de fraude. A investigada também utilizava sua condição de estudante de Direito e de estagiária em um escritório de advocacia para transmitir aparência de legitimidade.
Casal teria criado lojas falsas de celulares
A investigação também identificou outro braço do suposto esquema. Segundo a Polícia Civil, a estudante e o namorado administravam perfis falsos que simulavam lojas de celulares.
Para aumentar a aparência de legitimidade dos negócios, o casal teria montado um espaço físico com caixas e aparelhos celulares. O cenário era utilizado para produzir fotos e vídeos publicados nas redes sociais e, dessa forma, transmitir aos consumidores a impressão de que se tratava de uma empresa real.
Após conquistar a confiança dos compradores, os investigados teriam recebido os pagamentos e não entregado os produtos contratados.
Investigação começou após denúncias de vítimas
As apurações tiveram início depois que diferentes vítimas procuraram delegacias do Distrito Federal para relatar situações semelhantes envolvendo a suspeita.
Com o cruzamento das ocorrências, os investigadores identificaram um padrão de atuação e conseguiram relacionar os perfis utilizados nas redes sociais aos prejuízos financeiros registrados pelas vítimas.
O trabalho contou ainda com apoio de equipes de inteligência e colaboração interestadual, além do suporte do setor de inteligência de uma plataforma de comércio eletrônico.
Estudante foi presa preventivamente
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça do Distrito Federal autorizou a prisão preventiva da estudante.
Ela e o namorado são investigados por estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal. A pena prevista para o crime varia de quatro a oito anos de reclusão, além de multa.
A investigação ainda poderá apontar outras possíveis infrações relacionadas às fraudes realizadas no ambiente virtual.
Supostas estratégias usadas no esquema
Construção de autoridade: a estudante utilizava sua condição de aluna de Direito e sua atuação como estagiária para transmitir credibilidade aos serviços oferecidos.
Captação de dados e dinheiro: segundo a investigação, vítimas forneciam informações pessoais ou realizavam pagamentos antecipados acreditando que receberiam orientação ou auxílio.
Aplicação das fraudes: após estabelecer contato e obter a confiança das vítimas, os investigados teriam realizado operações fraudulentas e retido valores sem prestar os serviços ou entregar os produtos prometidos.
A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e dimensionar o prejuízo provocado pelo esquema.
Com informações NDMais


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