Rio Branco
27°C
sexta-feira, 31 de julho de 2026
13:16

Estudo aponta que Viagra pode ajudar a impedir metástase do câncer e aumentar sobrevida dos pacientes

Um medicamento amplamente conhecido pelo tratamento da disfunção erétil pode ganhar uma nova aplicação na medicina. Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e de Israel aponta que o sildenafil, princípio ativo do Viagra, pode dificultar a disseminação do câncer para outros órgãos, reduzindo o avanço da doença.

A pesquisa, intitulada PDE5a Inhibition Restricts Cancer Metastasis by Disrupting Lysosomal Cholesterol Export, analisou dados de mais de 40 mil pacientes e identificou associação entre o uso do medicamento e um aumento da sobrevida. Segundo os pesquisadores, houve redução de até 31% no risco de morte em cinco anos entre determinados grupos de pacientes.

Como o Viagra pode agir contra o câncer

De acordo com os cientistas, o sildenafil interfere diretamente no metabolismo das células cancerígenas ao bloquear o transporte de colesterol dentro dessas células.

O colesterol é fundamental para que as células tumorais consigam sobreviver, crescer e invadir outros tecidos do organismo. Sem esse “combustível”, elas perdem parte da capacidade de provocar a metástase, considerada a fase mais grave do câncer.

O estudo mostra que o medicamento inibe a enzima PDE5a e aumenta os níveis de uma molécula chamada cGMP. Esse processo impede que o colesterol alcance regiões essenciais da célula, provocando seu acúmulo nos lisossomos e comprometendo o funcionamento das células tumorais.

Segundo os pesquisadores, o efeito ocorre principalmente nas células cancerígenas, que apresentam maior dificuldade para sobreviver quando privadas desse nutriente.

Pesquisa envolveu diferentes tipos de câncer

Os testes foram realizados em modelos laboratoriais utilizando células humanas e camundongos com câncer de mama, pulmão e cólon.

Além dos experimentos, os cientistas analisaram registros clínicos de mais de 40 mil pacientes nos Estados Unidos e em Israel. Os resultados apontaram melhores índices de sobrevida entre aqueles que utilizavam sildenafil.

O benefício foi ainda maior entre pacientes que também faziam uso de estatinas, medicamentos utilizados para reduzir os níveis de colesterol. Nesse grupo, a redução do risco de morte chegou a 31% após cinco anos.

Resultados ainda precisam ser confirmados

Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios autores destacam que a descoberta ainda não significa que o Viagra possa ser utilizado como tratamento contra o câncer.

Os pesquisadores defendem a realização de novos ensaios clínicos para confirmar a eficácia e a segurança da estratégia, especialmente em pacientes com câncer de mama triplo-negativo e outros tumores agressivos.

A pesquisadora Ayelet Erez explicou que o sildenafil foi escolhido por possuir um perfil de segurança bem conhecido, o que poderá facilitar futuras pesquisas sobre seu reaproveitamento como terapia complementar.

Especialistas pedem cautela

Embora o estudo apresente resultados animadores, especialistas ressaltam que o medicamento não deve ser utilizado por conta própria com a finalidade de prevenir ou tratar o câncer.

Até que novos estudos clínicos sejam concluídos, o sildenafil continua indicado apenas para as condições aprovadas pelas autoridades de saúde, enquanto seu potencial uso na oncologia permanece em fase de investigação científica.