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quarta-feira, 29 de julho de 2026
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Brasil muda posição sobre acordo Mercosul-China após tarifaço dos EUA

Lula e Xi Jinping conversaram por mais de uma hora na noite de domingo (26) e concordaram em acelerar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a China com “as flexibilidades necessárias”, segundo a nota do Planalto.

A mudança no tom deste tópico é surpreendente e difere radicalmente do adotado na última década, quando a diplomacia brasileira gastava capital político no bloco justamente para impedir que a negociação de um tratado saísse do papel.

Quem sustentava a pauta era o então presidente uruguaio Luis Lacalle Pou, que encomendou um estudo de viabilidade com os chineses em 2021 e repetia que o protecionismo do bloco sufocava a capacidade de um país pequeno se abrir ao mundo.

Não por acaso, Lula escolheu Montevidéu como parada da primeira viagem internacional do terceiro mandato, em janeiro de 2023, e comprou a desistência uruguaia com a retomada de obras de infraestrutura e a volta das contribuições ao fundo do bloco.

Lacalle Pou levou a conversa com Pequim para dentro do Mercosul, onde ela vinha hibernando por três anos seguintes. O atual presidente Yamandú Orsi reabriu a porta em fevereiro, ao levar 150 pessoas a Pequim e assinar declaração conjunta pedindo o início imediato das tratativas. Bastaram cinco meses e duas rodadas de tarifas americanas para que o Brasil aderisse à agenda que havia sabotado.

Por que importa: a diversificação que Lula apresenta como resposta ao tarifaço cobra um preço industrial que o próprio governo passou anos tentando evitar, e as “flexibilidades necessárias” antecipam a briga por salvaguardas que aço, têxtil e automóveis vão travar na mesa. Enquanto isso, Pequim recebe de graça a demonstração de que a coerção americana empurra parceiros na direção oposta à pretendida por Washington.

Tela do artista chinês Fang Lijun, conhecido pelo uso vibrante de cores. Ele é um dos precursores do estilo “realismo cínico”, que se popularizou no país após as manifestações na Praça da Paz Celestial, em 1989. Fang tem obras espalhadas pelo mundo todo e já expôs no Museu de Arte de Macau e no prestigiado Centro Pompidou, em Paris. Saiba mais sobre ele aqui.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO