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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Castração realizada em Pauini reforça debate sobre controle de animais de rua em Boca do Acre

Uma ação realizada pela Secretaria de Estado de Proteção Animal do Amazonas, em parceria com a Prefeitura de Pauini, tem chamado a atenção pela estratégia adotada para enfrentar um problema comum em diversos municípios da região: o crescimento da população de cães e gatos em situação de rua.

A iniciativa consiste na captura dos animais, realização da castração, acompanhamento pós-operatório por aproximadamente dez dias e posterior devolução ao local de origem. O procedimento segue a legislação estadual, que prevê a captura, esterilização e devolução como uma das principais ferramentas para o controle populacional de animais abandonados.

O objetivo é reduzir gradativamente a reprodução descontrolada, contribuindo para o bem-estar dos animais e minimizando impactos relacionados à saúde pública e à convivência urbana.

Exemplo para Boca do Acre

A experiência desenvolvida em Pauini pode servir de referência para Boca do Acre, onde a presença de cães e gatos abandonados nas ruas é uma reclamação frequente da população. Além das situações de maus-tratos e abandono, moradores apontam que a grande quantidade de animais circulando livremente aumenta o risco de acidentes de trânsito.

Outro problema citado é a presença constante de cães em áreas de alimentação, como lanchonetes, restaurantes e praças públicas, situação que gera preocupações relacionadas à higiene, segurança alimentar e saúde pública.

Lei aprovada, mas sem aplicação prática

O debate sobre o controle populacional de animais de rua em Boca do Acre não é recente. Durante a gestão do ex-prefeito Zeca Cruz, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei de autoria do vereador Jansen Almeida, que previa a implantação de ações voltadas ao controle de zoonoses no município.

Na ocasião, a proposta foi vetada pelo Poder Executivo, mas o veto acabou sendo derrubado pelos vereadores, garantindo a validade da legislação. Apesar disso, a norma nunca foi efetivamente implementada e o município segue sem uma política pública estruturada para o controle de cães e gatos em situação de abandono.

Atualmente integrando a base de apoio do governo municipal, Jansen Almeida possui um cenário político mais favorável para retomar a discussão e buscar a efetivação das medidas previstas na legislação de sua autoria. Entretanto, o tema ainda não voltou a ocupar espaço de destaque nas pautas do Legislativo.

Castração é apontada como medida eficaz

Enquanto isso, moradores relatam que a quantidade de animais abandonados continua crescendo em diversos bairros da cidade, ampliando os desafios relacionados à saúde pública, proteção animal e segurança no trânsito.

Veterinários ouvidos pelo Jornal Opinião destacam que programas permanentes de castração são considerados uma das formas mais eficientes de controlar o crescimento populacional de cães e gatos de rua, reduzindo novas ninhadas, casos de abandono, disseminação de doenças e conflitos envolvendo animais em áreas urbanas.

Diante dos resultados buscados pela iniciativa adotada em Pauini, cresce a expectativa de que ações semelhantes possam ser debatidas e implementadas em Boca do Acre, transformando uma antiga demanda da população em uma política pública voltada à proteção animal e à melhoria da qualidade de vida da comunidade.