Como parte da programação alusiva ao Mês do Meio Ambiente, o Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) promoveu, nesta sexta-feira, 12, a Vivência Dia do Meio Ambiente, atividade que reuniu cerca de 20 servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas (MPC-AC) para uma imersão na Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé São Francisco, em Rio Branco.
A iniciativa teve como objetivo aproximar os participantes da realidade socioambiental da região, compreender os desafios enfrentados pelas comunidades locais e observar experiências de conservação ambiental desenvolvidas ao longo da bacia hidrográfica.
A programação contou com a participação de integrantes do Grupo de Trabalho Adjunto da Bacia do Igarapé São Francisco, que apresentaram um panorama dos estudos e ações desenvolvidos desde 2023, quando uma enxurrada do Igarapé São Francisco afetou centenas de moradores de Rio Branco.
Após percorrer alguns pontos da cidade impactados pelos eventos extremos, os participantes seguiram por cerca de 36 quilômetros pela Rodovia AC-90, a Transacreana, até chegar à APA que abriga uma das nascentes do Igarapé São Francisco.
A vivência foi conduzida pelo brigadista comunitário Juliano Augusto, que compartilhou informações sobre a realidade da região, os principais desafios ambientais enfrentados pela comunidade e as iniciativas desenvolvidas para fortalecer a preservação dos recursos naturais.
“Quem não sofre com alagação? E os nossos serviços ecossistêmicos, quando a floresta está preservada, colaboram justamente para as enxurradas não descerem de uma vez para dentro dos igarapés e inundando as cidades, como temos visto. A água vai descendo gradativamente e isso evita muitos problemas. Preservar a natureza é garantir qualidade de vida”, destacou Juliano.

Nascente do Igarapé São Francisco
Um dos momentos mais marcantes da atividade foi a visita a uma das nascentes do Igarapé São Francisco, onde os participantes puderam compreender a importância da conservação dessas áreas para a manutenção da qualidade da água e para o equilíbrio ambiental de toda a bacia.
Para a servidora Risoleta Miranda, a experiência proporcionou uma nova percepção de uma APA e sua função.
“Eu não tinha noção, na prática, do que era uma área de proteção ambiental e de quem cuidava dela. Também não sabia que ela ficava tão perto da cidade. Não foi exatamente uma surpresa, porque sou acreana e a gente tem uma relação muito próxima com a floresta. Mas entender a importância da preservação e os reflexos desse cuidado dentro da cidade traz uma perspectiva totalmente diferente”, afirmou.
A servidora Kek Lima destacou o caráter educativo da ação e a oportunidade de conhecer iniciativas que, muitas vezes, passam despercebidos para quem está distante da realidade das comunidades.
“O que mais me impactou foi compreender a importância dos povos originários e das comunidades que vivem na floresta. O cuidado que eles têm com os rios, os igarapés e a natureza reflete diretamente na qualidade de vida de quem vive nos centros urbanos”, ressaltou.
Um dos coordenadores do Grupo de Trabalho Adjunto da Bacia do Igarapé São Francisco, o servidor Romulo Eugênio, destacou a importância da aproximação entre instituições e comunidade para fortalecer as ações de preservação e conscientização ambiental.
“As características da bacia hidrográfica do Igarapé São Francisco exigem atenção. Como o relevo é predominantemente plano, a água se espalha rapidamente e chega à cidade com facilidade, afetando um grande número de pessoas”, explicou.

Conhecimento e sensibilização
Além de promover conhecimento e sensibilização, a vivência também proporcionou um momento de integração entre os participantes, reforçando o compromisso institucional com a sustentabilidade e a proteção dos recursos naturais.
Na comunidade visitada, jovens e integrantes da comunidade feminina realizaram apresentações culturais para recepcionar os participantes. Durante a programação, os servidores percorreram trilhas, conheceram a nascente do igarapé e ouviram relatos sobre a história da localidade, que há cerca de 20 anos desenvolve um modelo de conservação baseado no uso sustentável dos recursos naturais.
A área possui aproximadamente 30 mil hectares, dos quais cerca de 90% permanecem preservados. As famílias que vivem na região mantêm atividades voltadas ao artesanato e à produção de mandioca, banana, amendoim, peixe, mel e criação de galinhas, conciliando geração de renda e preservação ambiental.
Texto: Alcinete Gadelha
Fotos: Tácila Matos













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