Rio Branco
24°C
terça-feira, 9 de junho de 2026
10:13

Operação mira supostos colaboradores do PCC e prende chefe de investigadores da Polícia Civil em São Paulo

Uma operação deflagrada na manhã desta terça-feira (9) pelo Ministério Público de São Paulo resultou na prisão temporária de um chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas, de um policial penal e de um ex-estagiário do Ministério Público. Os três são suspeitos de envolvimento com um esquema ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Batizada de Operação Infiltrados, a ação apura crimes como vazamento de informações sigilosas, corrupção de agentes públicos, extorsão e até um suposto plano para assassinar um promotor de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Operação investiga possível infiltração em órgãos públicos

Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.

A ação reúne equipes do Gaeco, do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal.

Segundo os investigadores, o objetivo é aprofundar as apurações sobre uma possível rede de colaboradores da facção criminosa atuando dentro de instituições públicas, com acesso a informações estratégicas e sigilosas.

Promotor do Gaeco estaria entre os alvos

As investigações tiveram origem a partir da descoberta de um suposto plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco.

Durante as apurações, os investigadores identificaram que um dos suspeitos apontados como responsável pela execução do atentado teria se reunido com o chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas poucos dias antes de uma operação policial.

Vídeos apreendidos mostram o encontro entre os investigados. Agora, o Ministério Público busca esclarecer se houve repasse de informações privilegiadas ou sigilosas ao integrante da facção.

Ex-estagiário é investigado por acesso a sistemas internos

Outro eixo da investigação envolve um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo. Conforme o Gaeco, ele teria ingressado propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas para obter acesso a sistemas internos e bancos de dados da instituição.

A suspeita é de que as informações fossem utilizadas para identificar investigados com alto poder aquisitivo e promover um esquema de extorsão mediante promessa de proteção contra operações policiais e investigações.

Segundo o Ministério Público, o grupo contaria ainda com a participação de outros agentes públicos, incluindo um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação por envolvimento em crime de extorsão mediante sequestro.

Materiais apreendidos serão analisados

As autoridades também investigam a possibilidade de que parte das extorsões tenha sido praticada utilizando a conexão de internet de um escritório de advocacia.

Os suspeitos deverão prestar depoimento nos próximos dias, enquanto equipes especializadas analisam documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a operação.

Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se pronunciado sobre as acusações.