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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Maioria dos trabalhadores brasileiros já atua na escala 5×2, aponta estudo do Ministério do Trabalho

Um levantamento inédito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a maioria dos trabalhadores brasileiros já atua no modelo de jornada 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Segundo o estudo apresentado na Câmara dos Deputados, 66,8% dos vínculos formais no país já seguem jornadas de aproximadamente 40 horas semanais, o que demonstra uma mudança gradual no mercado de trabalho brasileiro.

Levantamento analisou mais de 50 milhões de vínculos

Para chegar aos resultados, o ministério utilizou tecnologia de inteligência artificial para analisar cerca de 50,3 milhões de vínculos trabalhistas registrados no eSocial.

O estudo incluiu diferentes categorias profissionais, como trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, empregados domésticos e estagiários.

Os dados mostram a seguinte divisão:

  • Jornada 5×2 ou similar: cerca de 29,7 milhões de trabalhadores (66,8%) cumprem jornadas próximas de 40 horas semanais.
  • Jornada 6×1: aproximadamente 14,8 milhões de pessoas (33,2%) ainda trabalham 44 horas semanais ou mais, com apenas um dia de descanso.
  • Governo defende redução da jornada

    Com base nos dados apresentados, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o Brasil já possui condições para avançar na discussão sobre a redução da jornada semanal.

    Segundo ele, a economia brasileira teria maturidade suficiente para adotar um modelo mais próximo das 40 horas semanais, acompanhando tendências observadas em outros países.

    “Neste momento, a economia brasileira está pronta para suportar uma jornada de 40 horas semanais”, afirmou o ministro durante audiência no Congresso.

    Debate divide governo e setor produtivo

    Apesar do avanço da discussão, a proposta de acabar com a escala 6×1 ainda enfrenta resistência de setores empresariais.

    Entidades que representam a indústria, o comércio e o agronegócio argumentam que a mudança pode gerar impactos econômicos relevantes, incluindo:

  • aumento de custos para empresas;
  • risco de crescimento da informalidade;
  • dificuldade para encontrar mão de obra em alguns setores.
  • PEC pode ser votada ainda este ano

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou a intenção de levar a votação da PEC que propõe o fim da escala 6×1 até maio deste ano.

    No entanto, representantes do setor produtivo pressionam para que o debate seja adiado para depois das eleições ou até mesmo para a próxima legislatura.

    Uma reunião entre lideranças políticas e representantes empresariais está prevista para os próximos dias e deve discutir possíveis regras de transição caso a proposta avance no Congresso.