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terça-feira, 28 de julho de 2026
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Panamá pede desculpas após barrar ex-ministro de Lula em aeroporto durante conexão

O governo do Panamá pediu desculpas ao ex-ministro Franklin Martins, que integrou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, após ele ter a entrada negada no país durante uma conexão aérea.

O episódio ocorreu no Aeroporto Internacional de Tocumen, principal terminal aéreo do país. Em carta enviada ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, autoridades panamenhas afirmaram que a decisão ocorreu devido à aplicação automática de protocolos migratórios baseados em sistemas de alerta.

Segundo o governo panamenho, o caso não representa a posição do país em relação ao ex-ministro brasileiro.

“Após analisar o incidente, gostaria de expressar que este evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins”, diz trecho da carta.

O documento também inclui um pedido formal de desculpas pelo ocorrido.

“Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração.”

As autoridades acrescentaram que Franklin Martins será sempre bem-vindo no país e afirmaram que terão “o prazer de recebê-lo em uma data que ele julgar conveniente”.

O que aconteceu com Franklin Martins

O ex-ministro foi detido e posteriormente deportado após ter a entrada negada durante uma conexão no Panamá. Ele seguia viagem para a Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário de três dias na Universidade Rafael Landívar.

Segundo autoridades panamenhas, a decisão foi baseada na Lei de Migração do país, que impede a entrada ou trânsito de estrangeiros com registros ligados a crimes considerados graves.

No caso de Martins, foi considerado um registro de prisão ocorrido em 1968, durante o período da ditadura militar no Brasil.

O ex-ministro afirmou que explicou aos agentes que não havia cometido crime, mas participado da resistência ao regime militar. Ele também relatou que solicitou contato com a Embaixada do Brasil, mas o pedido não teria sido atendido.

Durante o episódio, Martins permaneceu em uma área restrita do aeroporto aguardando a decisão das autoridades migratórias.

Possível cruzamento de dados internacionais

Em entrevista à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Franklin Martins afirmou acreditar que a situação pode ter sido causada por cruzamento de dados de segurança entre o Panamá e os Estados Unidos.

“É evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas”, afirmou.

Apesar da avaliação, o ex-ministro disse não acreditar que o episódio represente uma perseguição pessoal, mas possivelmente a aplicação de procedimentos padrão de controle migratório.