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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Anvisa investiga mortes suspeitas por pancreatite ligadas ao uso de canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou seis mortes suspeitas associadas a quadros de pancreatite em pessoas que utilizaram as chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. As notificações constam no período entre 2020 e 2025 e fazem parte do sistema oficial de monitoramento de eventos adversos da agência.

Além dos óbitos, foram contabilizados 145 casos suspeitos de inflamação do pâncreas relacionados ao uso desses medicamentos no mesmo intervalo. Os dados estão registrados no VigiMed, plataforma utilizada pela Anvisa para acompanhar reações adversas a medicamentos.

A agência reforça, no entanto, que a notificação de um evento não confirma, por si só, uma relação direta de causa e efeito entre o medicamento e o problema de saúde, sendo necessária análise técnica detalhada.

Casos também preocupam outros países

O alerta brasileiro ocorre em meio a registros semelhantes no exterior. No Reino Unido, por exemplo, foram notificadas 1.296 ocorrências de pancreatite associadas ao uso do medicamento Mounjaro entre 2007 e outubro de 2025. No início de fevereiro, o país confirmou 19 mortes relacionadas aos casos investigados.

Monitoramento nacional e distribuição dos casos

Ao considerar também dados oriundos de estudos clínicos, o número total de ocorrências suspeitas no Brasil pode chegar a 225 registros. O painel de monitoramento da Anvisa indica que os casos não se concentram em uma única região do país.

Há notificações em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e no Distrito Federal, o que reforça a necessidade de atenção nacional quanto ao uso desses medicamentos, especialmente sem acompanhamento médico adequado.

Quais substâncias estão envolvidas

As notificações estão relacionadas a uma classe de medicamentos conhecida como agonistas do GLP-1. Esse hormônio atua no controle da glicose, estimula a liberação de insulina e aumenta a sensação de saciedade, sendo utilizado no tratamento do diabetes e, mais recentemente, para perda de peso.

Entre os princípios ativos citados nos registros estão semaglutida, tirzepatida, dulaglutida, liraglutida e lixisenatida. Esses compostos estão presentes em medicamentos amplamente conhecidos no mercado, como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy.

Riscos já descritos em bula e novas regras

A Anvisa destaca que o risco de pancreatite já consta nas bulas dos medicamentos aprovados, sendo classificado como uma reação adversa possível, embora incomum.

Diante do aumento do consumo e das notificações, o órgão adotou medidas mais rigorosas. Desde abril de 2025, passou a ser obrigatória a retenção da receita médica para a venda das canetas emagrecedoras, com o objetivo de coibir a automedicação e ampliar o acompanhamento profissional.

Posicionamento das farmacêuticas

Fabricantes dos medicamentos monitorados afirmam seguir protocolos rigorosos de segurança. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro (tirzepatida), informou que a segurança dos pacientes é prioridade e que a bula já alerta sobre o risco de pancreatite aguda.

A empresa orienta que pacientes procurem orientação médica ao identificar sintomas suspeitos e interrompam o uso do medicamento caso haja suspeita de inflamação pancreática. Outras farmacêuticas também mantêm canais abertos para esclarecimentos sobre os casos notificados.

Com informações CNN