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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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‘Justiça por Orelha’: indignação ganha as ruas de Joinville após morte de cão comunitário

A comoção provocada pela morte do cão comunitário conhecido como Orelha levou milhares de pessoas às ruas em diferentes cidades do país. Em Joinville, manifestantes se reuniram neste domingo (1º) na Praça da Bandeira, no Centro, para exigir respostas das autoridades e punições mais severas para crimes de maus-tratos a animais.

Os atos fazem parte do movimento nacional chamado de “Justiça por Orelha”, que ganhou força após a brutal agressão sofrida pelo animal em Florianópolis, Santa Catarina. Os protestos também ocorreram em capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras cidades, reunindo protetores, ONGs e defensores dos direitos dos animais, além de parlamentares e artistas que pedem mudanças na legislação e penas mais duras para crimes de crueldade contra animais.

Orelha era um cão comunitário que vivia há cerca de 10 anos na Praia Brava, no norte de Florianópolis, sendo cuidado coletivamente por moradores e comerciantes locais, que lhe forneciam alimento, abrigo e carinho.

O ataque que chocou o país

Segundo autoridades e registros policiais, o animal foi agredido em 4 de janeiro de 2026 por um grupo de pelo menos quatro adolescentes. As agressões foram tão graves que o cão foi encontrado agonizando e levado a uma clínica veterinária, onde precisou ser eutanasiado no dia seguinte devido à gravidade das lesões.

Exames indicaram que Orelha sofreu traumatismo craniano e ferimentos graves, provavelmente causados por objetos contundentes, como pedaços de madeira ou similares, sem ponta ou lâmina definida.

Investigação e medidas policiais

A Polícia Civil de Santa Catarina abriu inquérito para apurar o caso e cumpriu mandados de busca e apreensão em residências de suspeitos, apreendendo aparelhos eletrônicos, como celulares, que serão analisados como parte da investigação.

Quatro adolescentes foram identificados como possíveis autores das agressões. A investigação também apura outras infrações cometidas pelo mesmo grupo, incluindo episódios envolvendo outros cães da região. Adultos ligados aos jovens foram indiciados por coação de testemunhas por tentarem intimidar pessoas que presenciaram os fatos e depor à polícia.

Até o momento, nenhum suspeito foi preso, em parte porque os adolescentes são inimputáveis pela legislação brasileira (menores de 18 anos). Em casos assim, a lei prevê a aplicação de medidas socioeducativas, que podem incluir internação em unidades específicas por até três anos, dependendo da avaliação judicial.

Reações da sociedade e mobilização nacional

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha, e a mobilização também ganhou apoio público de celebridades e ativistas de proteção animal, que pediram responsabilização e mudanças nas leis para crimes de maus-tratos.

Protestos foram registrados em diversas capitais brasileiras, incluindo passeatas na Avenida Paulista, em São Paulo, e no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, onde participantes carregaram cartazes e defenderam penas mais rigorosas para os responsáveis. Também houve atos de solidariedade em cidades como Natal, Porto Alegre e Belo Horizonte, reunindo grupos de defesa dos animais e moradores que pedem fim da impunidade em casos de violência contra pets e animais comunitários.

A morte de Orelha também trouxe à tona o debate sobre a proteção legal de cães comunitários no Brasil. Em Santa Catarina, a repercussão do caso contribuiu para a aprovação da Lei nº 19.726, que estabelece políticas de proteção e reconhecimento de cães e gatos comunitários, definindo deveres do Estado e da sociedade para zelar por esses animais.

A investigação segue em andamento, com depoimentos sendo colhidos pela Polícia Civil e acompanhados pelo Ministério Público de Santa Catarina, que avalia os encaminhamentos legais cabíveis conforme as responsabilidades apuradas.

O movimento por justiça continua mobilizando a sociedade civil, que acompanha de perto o caso e pressiona por respostas das autoridades competentes.

Com informações NDMais