A Justiça condenou o advogado Frederick Wassef por injúria racial em um caso ocorrido em 2020, em uma pizzaria de Brasília. Conhecido por ter atuado na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Wassef recebeu pena de 1 ano e 9 meses de detenção, que deverá ser substituída por penas restritivas de direitos, a serem definidas na fase de execução da sentença. Cabe recurso da decisão.
Além da condenação criminal, o magistrado determinou o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 6 mil à vítima, com correção monetária a partir da sentença e juros contados desde a data do fato.
Ofensa em estabelecimento comercial
Segundo a decisão judicial, o episódio ocorreu em novembro de 2020, quando Wassef teria se dirigido a uma funcionária da pizzaria utilizando a expressão “macaca”. Para o juiz responsável pelo caso, o termo possui carga histórica de desprezo e humilhação, sendo suficiente para caracterizar a intenção de ofender com base racial.
Relatos apontam repetição de agressões verbais
O processo descreve que o comportamento ofensivo teria se repetido em outras ocasiões no mesmo estabelecimento. Em outubro daquele ano, o advogado teria se recusado a ser atendido pela mesma funcionária, afirmando que ela não saberia anotar o pedido, além de fazer comentários depreciativos sobre sua aparência.
Ainda conforme os autos, houve episódio em que Wassef segurou o braço da atendente e jogou uma caixa de pizza no chão, ordenando que ela recolhesse o objeto. No mês seguinte, após nova tentativa de atendimento, outra funcionária assumiu o pedido. Ao final da refeição, ao reclamar no caixa, o advogado teria voltado a proferir insultos de cunho racista.
Defesa fala em perseguição
Durante o processo, Frederick Wassef negou todas as acusações. Em nota divulgada após a sentença, afirmou que sua inocência teria sido comprovada nas audiências e acusou o magistrado de ignorar provas e testemunhos apresentados pela defesa.
Segundo ele, o caso seria resultado de uma “armação” com interesses pessoais e políticos, sustentada, de acordo com sua versão, por relatos falsos e ausência de imagens de câmeras de segurança.
Trajetória pública
Frederick Wassef ganhou notoriedade nacional por atuar como advogado do então presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Ele também ficou conhecido por ser proprietário do imóvel em Atibaia, no interior de São Paulo, onde foi localizado Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, preso em 2020 sob suspeita de envolvimento em esquema de rachadinha.
Nos últimos anos, Wassef esteve envolvido em outros episódios de repercussão, como a admissão de que viajou aos Estados Unidos para recomprar um relógio Rolex vendido de forma irregular. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL, declarando mais de R$ 14 milhões em bens.


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