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segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Projeto no Congresso pode limitar atuação de influenciadores sem formação em temas sensíveis

Influenciadores digitais sem formação acadêmica ou técnica compatível poderão enfrentar restrições para produzir conteúdo sobre temas considerados sensíveis, caso avance no Congresso Nacional um projeto de lei que busca regulamentar a atuação de criadores de conteúdo no Brasil.

A proposta, de autoria do deputado Vicentinho Júnior (PP-TO), estabelece limites para a abordagem de assuntos que exigem conhecimento técnico específico, com o objetivo de reduzir a disseminação de desinformação e proteger consumidores de riscos à saúde e prejuízos financeiros.

Pelo texto, influenciadores sem qualificação adequada ficariam impedidos de tratar de temas como medicamentos, terapias e procedimentos médicos, além de bebidas alcoólicas, tabaco e derivados — incluindo maconha —, defensivos agrícolas, apostas, jogos de azar e produtos ou serviços bancários e financeiros.

O projeto também determina que criadores de conteúdo informem de forma clara suas credenciais sempre que abordarem esses assuntos. Em caso de descumprimento, estão previstas sanções como multas diárias de até R$ 50 mil e a suspensão temporária de perfis nas redes sociais.

Mercado financeiro

No campo das finanças, a atuação dos chamados “finfluencers” já está no radar de órgãos reguladores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realiza estudos técnicos para avaliar práticas adotadas por influenciadores que comentam investimentos, criptomoedas e produtos financeiros.

Mesmo sem uma legislação específica em vigor, o Código de Defesa do Consumidor responsabiliza a divulgação de publicidade enganosa ou abusiva. Especialistas alertam que fraudes, conflitos de interesse e promessas irreais de ganhos são facilitados pelo alcance massivo das redes sociais.

Saúde

Na área da saúde, o debate é ainda mais sensível. Entidades médicas alertam que a divulgação de dicas e informações médicas por influenciadores sem formação pode representar risco à saúde pública.

Estudos internacionais indicam que grande parte do conteúdo sobre exames, terapias hormonais e suplementos é enganoso ou alarmista, frequentemente usado para impulsionar vendas. Pesquisadores destacam que a segurança de muitas dessas práticas, especialmente no longo prazo, ainda não é comprovada.

Tabaco, maconha e derivados

A abordagem de tabaco, maconha e produtos derivados por influenciadores também gera preocupação. Pesquisas acadêmicas apontam que, embora o uso medicinal da cannabis seja permitido em situações específicas, a substância pode causar efeitos adversos como déficit de atenção, dependência e danos neurológicos.

No Brasil, a Anvisa proíbe a publicidade comercial de produtos derivados de cannabis não regularizados, permitindo apenas conteúdos institucionais e educativos voltados a profissionais de saúde e pacientes com autorização médica.

Apostas e jogos de azar

A divulgação de apostas e jogos de azar nas redes sociais é outro ponto crítico. A legislação em vigor estabelece regras para a publicidade do setor e proíbe a promoção de plataformas irregulares.

Especialistas alertam para os riscos de vício, endividamento e danos à saúde mental, além da prática recorrente de influenciadores que não identificam claramente conteúdos patrocinados, o que infringe normas do Conar e do Código de Defesa do Consumidor.

Bebidas alcoólicas

No caso das bebidas alcoólicas, estudos apontam que influenciadores exercem forte impacto sobre o comportamento de consumo, especialmente entre jovens. A associação frequente do álcool a diversão, sucesso e status social contribui para a banalização dos riscos do consumo excessivo.

A proposta em análise no Congresso busca estabelecer limites claros para esse tipo de atuação, reforçando a transparência, a responsabilidade e a proteção do público diante do crescimento da influência digital no país.