O governo Lula intensificou a defesa do fim da escala 6 x 1, após hesitar inicialmente diante da resistência do setor produtivo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou a rotina como “perversidade” e afirmou que a mudança é urgente para melhorar as condições de milhões de trabalhadores. Publicações nas redes sociais oficiais do governo passaram a destacar a pauta.
No Congresso, a PEC 8/2025, apresentada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), tramita com prioridade. A proposta prevê o fim da escala 6 x 1 sem redução salarial e a limitação da jornada semanal para 36 horas, embora negociações apontem para uma redução escalonada, inicialmente para 40 horas.
Durante debate na Câmara, Marinho defendeu a mudança: “Se não houver imposição legal, vamos atravessar mais um século com trabalhadores presos à mesma regra”. Ele citou a resistência enfrentada em 1988, quando a jornada passou de 48 para 44 horas semanais, lembrando que “o mundo não acabou”.
A parlamentar reduziu algumas exigências para aumentar o consenso, alterando a jornada de 36 para 40 horas e a escala de 4×3 para 5×2. Apesar disso, setores empresariais, como a FecomercioSP, argumentam que a mudança pode elevar custos e levar ao fechamento de empresas.
O relator da PEC, Luiz Gastão (PSD-CE), afirmou que a proposta deve ganhar destaque nos próximos meses. Ele destaca a necessidade de conciliar mais dignidade e empregos sem aumentar o custo Brasil, principalmente para microempresários.
A adesão popular teve papel decisivo. Movimentos sociais como o Movimento Vida Além do Trabalho e manifestações de rua em julho e no 7 de Setembro ajudaram a pressionar o governo. O plebiscito popular organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reuniu cerca de 1,5 milhão de votos até setembro, segundo estimativa da CUT.
Gastão reconhece o timing político da mobilização: “É natural que, aproximando-se do ano eleitoral, haja mais força para discutir essas pautas. A legislatura atual é reformista e ninguém é contra a redução da jornada de trabalho”.



?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>