
O governo brasileiro e a China oficializaram nesta semana um acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento do projeto de viabilidade do corredor ferroviário bioceânico, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico. O traçado do empreendimento prevê a travessia do Peru até o Acre, com posterior conexão aos estados de Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Bahia, até o porto de Ilhéus.
Pelo lado brasileiro, a empresa pública Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, será responsável pela coleta de dados, estudos ambientais e articulação institucional. Do lado chinês, o projeto será conduzido pelo China Railway Economic and Planning Research Institute, referência mundial em planejamento ferroviário.
O ponto de partida da ferrovia será o porto de Chancay, no litoral do Peru, considerado o maior investimento chinês em infraestrutura na América Latina, com aportes superiores a US$ 3,5 bilhões. A ferrovia deve adentrar o Brasil pelo Acre, seguindo paralelamente à BR-364, cruzando Rondônia e conectando-se à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que já está em construção.
A Fico se integrará ainda à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), concluindo o trajeto no litoral baiano. A expectativa é que o corredor reduza em até dez dias o tempo de escoamento de cargas brasileiras com destino ao mercado asiático, especialmente soja e minério de ferro.
O memorando de entendimento foi construído ao longo dos últimos meses e é fruto de articulações técnicas e diplomáticas iniciadas em abril. O projeto integra o programa Rotas de Integração Sul-Americana, que busca ampliar a conectividade logística entre os países do continente e fortalecer a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.


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