A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 — que garante apenas uma folga a cada seis dias trabalhados — ganhou força no Congresso Nacional, após alcançar as 171 assinaturas necessárias para começar a tramitar. De autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o texto já reúne 231 assinaturas, principalmente de partidos da base governista, mas enfrenta resistência de parlamentares da oposição e setores empresariais.
Com a coleta de assinaturas concluída, a PEC será oficialmente apresentada e encaminhada à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), responsável por avaliar sua admissibilidade. Se aprovada, a proposta segue para uma comissão especial, onde o mérito será discutido e poderá sofrer alterações antes de chegar ao plenário da Câmara.
O debate promete ser longo e acalorado, com audiências públicas previstas para ouvir sindicatos, associações e especialistas. Enquanto apoiadores destacam a importância de equilibrar vida profissional e bem-estar dos trabalhadores, críticos alertam para impactos negativos na economia, como redução da produtividade, aumento de custos para empregadores e riscos de cortes de postos de trabalho.
Entre os opositores está o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que defende que a mudança prejudicaria a produtividade e elevaria o custo da mão de obra. No Congresso, o Partido Liberal (PL), maior sigla de oposição, tem sido vocal contra a medida, com apenas cinco de seus parlamentares assinando o texto.
Para ser aprovada na Câmara, a PEC precisa do voto favorável de 308 dos 513 deputados, em dois turnos. Caso avance, o texto seguirá para o Senado, onde passará por um processo similar. Em caso de divergências, os ajustes devem ser negociados até que as duas Casas entrem em consenso.


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