O União Brasil (UB), do senador Márcio Bittar, se juntou ao Partido Liberal (PL) na disputa pela reeleição do prefeito Tião Bocalom, que deve arrematar votos de bolsonaristas e da comunidade evangélica de Rio Branco. Contudo, a decisão não agradou o deputado federal Ulysses Araújo e nem o senador Alan Rick.
Eles souberam da solenidade minutos antes e chegaram inflamados à sede do PL por não terem sido consultados sobre os rumos da coligação, como o processo de escolha do vice. Após a conversa a portas fechadas, ambos ficaram por minutos no estacionamento do PL, dentro do carro, e não participaram da coletiva de imprensa.
Em oposição, o Partido Social Democrático (PSD), do senador Sérgio Petecão, formalizou apoio ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do pré-candidato Marcus Alexandre. As adesões do UB e do PSD foram anunciadas à imprensa nesta sexta-feira (5).

Os partidos PCdoB, PT, PV, PSOL e Rede Sustentabilidade criaram um Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) com o MDB, no dia 25 de outubro de 2023, para construir as propostas de gestão e articular as candidaturas majoritárias e proporcionais nos 22 municípios do estado.
Em contrapartida, o Progressistas (PP) lançou na última terça-feira (2) a pré-candidatura do chefe de departamento da Secretaria de Estado de Governo (Segov), Alysson Bestene, que já foi vereador da capital (2009-2012) e comandou a pasta de Saúde (2019-2021) no mandato de Gladson Cameli.
No entanto, o próprio senador Petecão lançou uma contradição sobre a permanência de Bestene na briga pelo Executivo. Das duas uma: ele está enganado ou, então, acabou antecipando uma valiosa informação.
Afinal, como disse Marcus Alexandre, “Gladson é um governador muito popular e é natural que qualquer candidato busque o seu apoio”. Se confirmado, o fato entra na narrativa pré-eleitoral como a notícia mais importante até o momento.
Vai ou racha?

Ainda nesta sexta (5), Petecão, que é presidente do PSD, disse que Gladson Cameli, que preside o PP, retirou a candidatura de Alysson Bestene à prefeitura – embora não exista fala oficial sobre o assunto por parte do governador.
O fato teria sido ventilado durante uma reunião entre eles na última quinta (4), na Tenda Amarela – escritório político do PSD em Rio Branco. Lá, o senador reforçou o convite para que o PP integre a coligação emedebista.
“Comuniquei a ele que nós tínhamos um compromisso com o apoio à candidatura do Alysson [Bestene], mas, como a candidatura foi retirada, eu fiz um convite para que a gente caminhasse junto [com Marcus Alexandre]”, comentou Petecão.
Intenção de votos
Em outubro passado, o Real Time Big Data divulgou dados sobre as intenções do eleitorado para 2024. O instituto costuma atender demandas da TV Record e da CNN Brasil, apesar de não ser filiada à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep).
Marcus Alexandre (34%) e Tião Bocalom (28%) apresentavam empate técnico – considerando a margem de erro de 3% para mais ou para menos. Na lanterna, Emerson Jarude (Novo) e Alysson Bestene figuravam com 3% dos votos.
Ninho do PP
Segundo apuração de bastidores da Coluna Opinando, Alysson Bestene se reuniu no dia 6 de março com o núcleo duro do governo do Estado, que chegou a considerar a retirada do nome dele por medo de derrota.
O alerta se instalou após pesquisas de opinião revelarem que a maioria dos entrevistados não sabia apontar uma única obra ou ação importante do Executivo.
Na época, o PP chegou a cogitar outras possibilidades para não perder a relevância no pleito deste ano. Mas, no fim das contas, a alta cúpula decidiu mantê-lo na disputa e seguir o plano anunciado em setembro pelo diretório municipal.
A título de curiosidade, as alternativas seriam lançar a deputada federal Socorro Neri como candidata à prefeitura ou articular o nome de Bestene como vice de Bocalom. Em último caso, a oferta seria destinada a Marcus Alexandre.
Sheila Andrade versus Fábio Rueda

Ex-secretária Municipal de Saúde (Semsa), Sheila Andrade era vista nos bastidores como uma forte concorrente à chapa de Bocalom nas eleições. Com a entrada do UB na coligação, porém, o nome do vice deve ser definido pelo senador Márcio Bittar.
Em fevereiro, Andrade afirmou em entrevista que não seria candidata a vereadora de Rio Branco. A intenção era alçar voos mais altos.
“O próprio prefeito vai ter que escolher e decidir, mas posso garantir que, por mim e pelo meu grupo, eu sou, sim, uma boa candidata a vice-prefeita. Isso é uma definição que a conjuntura deve fazer”.
Agora, a conjuntura diz que Sheila Andrade deve disputar uma vaga na Câmara, assim como o ex-secretário Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI), Joabe Lira. Com a vacância nas pastas de Saúde e da SMCCI, os novos secretários e o vice-prefeito serão definidos pelo UB na semana que vem.
Nos bastidores, o deputado federal Fábio Rueda aparece como provável candidato à chapa Tião Bocalom. Questionado sobre o assunto, o parlamentar se limitou a dizer que o partido ainda entrou em discussão para definir o nome do vice.



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